FILMES NOTA 08

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1.
The Tin Star (1957)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
A cynical former sheriff turned bounty hunter helps a young, recently appointed acting sheriff with his advice, his experience and his gun. (93 mins.)
Director: Anthony Mann
“ O HOMEM DOS OLHOS FRIOS

**
"Um dos maiores diretores envolvidos com protagonista mais que ambíguo. Em "O Homem dos Olhos Frios", Anthony Mann trata de um xerife (Henry Fonda) cínico o bastante para ganhar a vida como caçador de recompensas, mas não para deixar um jovem (Anthony Perkins) na mão." (* Inácio Araujo *)

*****
''Já a primeira cena é decisiva em "O Homem dos Olhos Frios": Henry Fonda avança com seu cavalo por uma praça. Atrás dele há uma árvore seca, O que veremos não desmente a cena (e nem a árvore): é uma comunidade perversa que se trata. Ela desprezará o antigo homem da lei, hoje caçador de recompensas. Fonda não encontrará lugar nem no hotel. Só lhe dará abrigo a mulher que vive a margem do lugar (pois é viúva de um índio). A lição de Anthony Mann está dada: uma comunidade cortada da natureza (a árvore seca) é tocada pela perversidade. Diante disso, o homem não pode nem deve se integrar: ali, o individualismo se justifica. Ainda assim, o caçador de recompensa ensinará ao jovem xerife Anthony Perkins o que é e como ser xerife. Não para defender aquela gente, mas para defender a si mesmo. Filme soberbo. '' (* Inácio Araujo *)

***
''Não me lembro de Henry Fonda ter sido o vilão da história antes de Era uma Vez no Oeste. Mas em "O Homem dos Olhos Frios" chegou perto. Ao menos o seu caçador de recompensas Morg Hickman é visto como tal pelos habitantes na pequena cidade a que chega carregando o corpo de um bandido procurado. Como se sabe, mas faroeste de Anthony Mann, o herói só faz sentido quando se integra a comunidade. Aqui, porém, a comunidade o repele. Ou antes, só o suporta porque se torna uma espécie de tutor do inexperiente xerife (Anthony Perkins). Morg terá que viver nos arredores por uma viúva de índio, discriminada, como o caçador de recompensas. Sim, o tema é racismo e o filme é ótimo.'' (** Inácio Araujo **)

30*1958 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
2.
The Straight Story (1999)
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An old man makes a long journey by lawn-mover tractor to mend his relationship with an ill brother. (112 mins.)
Director: David Lynch
“ "À primeira vista, certos filmes de David Lynch parecem não fazer sentido. Acontecem coisas como um personagem entrar no quarto com certa identidade e sair com outra. Em "História Real" isso não acontece. Um homem monta um cortador de grama e atravessa quilômetros e quilômetros a fim de ver seu irmão. Tudo segue do começo a fim sem tropeços identitários ou coisas assim. No entanto, será que faz sentido - e em que nível - uma operação dessa natureza? E que sentido fazem gestos análogos (como as peregrinações)? Por que certos grandes sacrifícios parecem nos purificar? Nada disso é muito claro, embora nossa crença numa certa ordem narrativa inspire confiança nessa história de aceita-la como real." (* Inácio Araujo *)

"Porque é verdade que nunca me liguei nos filmes do David Lynch. Não me encantei com Homem Elefante, detestei Duna, achei Veludo Azul um tanto enjoado e assim por diante. Me parecia que eram filmes um tanto feios - pela combinação de cores, pela evolução, pelas pessoas. É um pouco como se fossem quadros do Francis Bacon. E sempre fiquei um tanto inquieto com o artificialismo que existe nos filmes. E com um lado que parece sempre estar cotejando o momento, a moda, a modernidade. Bem: quando veio o Estrada Perdida eu fiquei boquiaberto. Não sei se ele evoluiu (acho que sim) ou eu. O fato é que Estrada criou uma coisa diferente, que era um labirinto, essa desmontagem dos personagens, que de repente se duplicavam etc. E depois veio Straight Story, "Uma História Real", se não me engano, que era o mesmo labirinto, mas em linha reta. E finalmente aquele, estranhíssimo, Cidade dos Sonhos. Eu fiquei ligado, mas não conseguia distinguir o sentido. Fiquei, como todo mundo, procurando simetrias que não existem. Percebi que existia uma outra lógica aí dentro, de sonho, mas não sabia como ela se dispunha. Foi um texto do Vladimir Safatle, professor de filosofia que pegou o coração do enigma (mas não o eliminou). Então, meu ponto de vista sobre o Lynch mudou mesmo. Revi alguma coisa anterior dele e me parece que ele também conseguiu chegar, nos últimos filmes, a uma forma mais dominada, mais madura. De todo modo, gosto mais de Veludo Azul hoje do que no passado. Se é o melhor ou maior cineasta vivo? Isso não vem ao caso. Falei o nome dele como poderiam ter sido dez outros. Acho que é um cineasta ainda por decifrar, que tem algo de muito especial a dizer, muito inovador. Como o Kiarostami, o DePalma, o Cronenberg e vários outros. Mas, para mim, mais recente um pouco." (** Inácio Araujo **)

''À primeira vista, "História Real" destoa completamente da obra, ao menos a mais recente, de David Lynch. Não há nenhum mistério ou quebra-cabeça, tudo é simples, linear. Mas espera um pouco. Um homem que, montado num cortador de grama, atravessa milhas a fim de encontrar o irmão, doente, que não vê há muito tempo, e fazer as pazes -tem algo de estranho nisso. E de Lynch pode-se dizer que seus filmes são como sonhos - por que imaginar que sonhos não acontecem em linha reta? Ou que labirintos não existam em linha reta? Só para alimentar nosso gosto pelo não-linear? O mundo é claro e direto para esse homem, Alvin. Mas esse homem é um mistério." (*** Inácio Araujo ***)

''O que têm de tão lancinante os filmes de David Lynch? É difícil compreender como alguém passa de "História Real" para Cidade dos Sonhos (ou vice-versa). Mas, olhando com um pouco mais de cuidado, será tão simples e direta assim a história de Alvin Straight? Em Iowa, onde mora, ele recebe a notícia de que o irmão, com quem teve um desentendimento, está à beira da morte. Ele decide que precisa voltar a falar com o irmão antes que isso aconteça. Só que o irmão mora longe, no Wisconsin, e Alvin não tem outro meio de locomoção a não ser seu cortador de grama. É nesse cortador de grama, portanto, que ele começa sua travessia. Simples, mas não tanto. Ao ver as imagens do homem montado em seu veículo, imediatamente pensamos nos romeiros e suas promessas por cumprir. Existe uma promessa, ainda que laica, na proposição de Alvin. Um reencontro com o irmão carrega a idéia de redenção. Depois, quase todos temos relações ambíguas com nossos próximos. Os amamos e odiamos ao mesmo tempo. Essa morte anunciada permite passar a limpo as desavenças e ficar só com os afetos. Nós, na platéia, nos identificamos com o personagem, partilhamos sua aflição, mas, também, sua determinação de romeiro. Mesmo porque toda vida tem um tanto de milagre. De promessa e de algo maravilhoso que se cumpre. Então a história nos comove. Mas será tão simples? Todo o tempo em que a pequena figura aparece na paisagem é possível pensar no gesto do homem por sua complexidade -não pelo que tem de imediato, direto e simples. Assim como em Cidade dos Sonhos ou Estrada Perdida, o sentido parece recusar-se a assentar, a entregar-se ao espectador de todo. Desta vez não é a narrativa que tem, possivelmente, algo de indecifrável. É a vida mesmo." (**** Inácio Araujo ****)

"A jornada solitária de um velho ao atravessar o seu país no que se converte numa viagem interior digna dos grandes road movies e filmes sobre a velhice em geral. Muito próximo de ser o melhor do seu diretor." (Vlademir Lazo)

"Para aqueles que não simpatizam com o cinema confuso de Lynch, eis aqui um exemplar mais sóbrio e tocante na filmografia do cineasta. Mais do que isso, é uma prova do amadurecimento que marcou sua carreira na segunda metade da década de 1990." (Heitor Romero)

72*2000 Oscar / 57*2000 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
3.
Wings of Desire (1987)
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An angel tires of overseeing human activity and wishes to become human when he falls in love with a mortal. (128 mins.)
Director: Wim Wenders
“ "Como os anjos têm asas, podem ver tudo de cima. São assim os de "Asas do Desejo": eles pairam sobre Berlim, observam a cidade e seus habitantes, pairam sobre a divisão em zonas (como se já adivinhassem a unificação, que viria dois anos após o filme, em 1989). Só não podem entrar em contato com os humanos. Um problema que se tornará especialmente delicado quando um deles (Bruno Ganz) se apaixona por uma (Solveig Dommartin). Quem ajudará a sair dessa situação sem saída é o ex-anjo e ator Peter Falk (porque atores podem ser tudo talvez?). Em seu retorno aos Estados Unidos, Wim Wenders recorreu ao veterano fotógrafo Henri Alekan, o mestre de A Bela e a Fera (de Jean Cocteau), que conhece bem a atmosfera dos contos de fadas. Foi um encontro feliz: Wenders fez ali o seu último filme realmente memorável (até hoje, claro)." (* Inácio Araujo *)

''Uma bela frase do crítico Roger Ebert define os anjos de "Asas do Desejo": são o reflexo da solidão de Deus. Esses guardiães que nos veem sem ser vistos e pairam, no caso, sobre uma Berlim ainda dividida, carregam a nostalgia do humano, a percepção de que todo poder equivale mais ou menos a não poder nada. Daí a decisão de trocar a eternidade e a invisibilidade pela fragilidade do humano. E se apaixonar por uma humana. Talvez seja este o último momento de talento inequívoco do diretor Wim Wenders, poeta da errância: seus personagens, após muito vagarem pela Terra, aqui passam a outra dimensão sem perderem em nada sua força.'' (** Inácio Araujo **)

"A câmera de Wenders é bela e poética, flutuando de forma quase onírica. Pena que esse magnífico trabalho de composição e a força da história sejam diluídos em digressões desnecessárias, tornando assistir o filme um verdadeiro exercício de paciência." (Silvio Pilau)

1987 Cannes / 1987 César ” - kaparecida445-2-230390
 
4.
The Insider (1999)
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A research chemist comes under personal and professional attack when he decides to appear in a "60 Minutes" expose on Big Tobacco. (157 mins.)
Director: Michael Mann
“ "Após rodar sua obra prima Fogo Contra Fogo (1995) - anos antes de realizar o ainda melhor Miami Vice (2006) - Michael Mann lançava outro trabalho singular, em 1999, "O Informante". Bastante acima do convencionado nos filmes de denúncia, a história parte de fatos reais sobre um escândalo da industria tabagista, publicado na Vanity Fair. Em vez de ficar refém do tema, Mann o traz por meio do drama humano, acompanhando um ex-executivo (Russell Crowe), que vai denunciar uma multinacional, e um jornalista, que teima pela justiça (Al Pacino)." (* Inácio Araujo *)

"O Informante" é uma história da indústria do tabaco. Ou antes, do combate à indústria do tabaco. Aqui, Al Pacino faz o repórter do programa de investigação jornalística 60 Minutos, da emissora norte-americana CBS. Russell Crowe é o informante, aquele que fornece os detalhes sobre calhordices dos executivos dessa indústria. As coisas não se passam sem tensão, e boa parte dela devemos, é verdade, à maneira como o diretor Michael Mann conduz sua câmera: entrona, instável, incisiva, como se o próprio das câmeras de cinema fosse justamente penetrar territórios resistentes. Existem ainda as tensões no interior da rede de televisão, já que, entre recolher o material e colocá-lo no ar, existe o risco de uns tantos processos." (** Inácio Araujo **)

****
''É sobre o programa de reportagens americano que se passa o drama "O Informante". Como é bom, o filme passa raramente. Hoje em horário matinal, ingrato. A trama diz respeito a um químico que, demitido da indústria tabagista, decide falar o que sabe sobre cigarros. Os riscos a que se expõe são muitos. Por isso mesmo, o repórter empenhará a palavra para protegê-lo; para mantê-la, terá de enfrentar a pressão do canal, que sofre coerções da indústria. Michael Mann dá a seu filme a dimensão épica de um pequeno Davi versus Golias, ao mesmo tempo em que nos leva para dentro de jornalismo, ética profissional, as indústrias de cigarro e entretenimento, mais as aflições específicas do grupo de pessoas envolvidas no caso.'' (*** Inácio Araujo ***)

72*2000 Oscar / 57*2000 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
5.
The Fly (1986)
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A brilliant but eccentric scientist begins to transform into a giant man/fly hybrid after one of his experiments goes horribly wrong. (96 mins.)
“ "Sempre é tempo para evocar o trágico destino do cientista que, testando em seu próprio corpo o teletransporte, se transformou num inseto. Essa é a trama de "A Mosca". Dirá alguém: mas isso é filme para se fechar um domingo? Sim. Um filme de domingo é sempre um momento para refletir sobre o destino humano. E cientista expressa os rumos da ciência, as vertiginosas transformações a que somos submetidos. Entre um transplante e uma clonagem, entre um e-mail e uma visita ao Facebook, ou por um filme, no que nos transforma ou nos preserva como homens." (* Inácio Araujo *)

"Como David Conenberg se mostrou em vários de seus filmes capaz de antecipar avanços e mutações do nosso mal-estar na civilização (como Aids, clonagem etc), durante anos quis saber o que podia significar o teletransportador de que trata A Mosca. Nesse remake, o canadense nos fala de um cientista que, ao experimentar nele mesmo a tecnologia do teletransportador, que havia criado, por um desarranjo acaba como um monstro, resultado da mistura homem/mosca. Ora, hoje está claro que o transporte de papéis e ideias pelo espaço corresponde a internet. Mais, hoje enviamos nossas imagens e palavras via Skype ou algo assim. Haverá ainda uma mosca para instaurar o mal-estar no mundo do teletransporte?" (** Inácio Araujo **)

"Há duas características que tornam apavorantes as mutações que costumam viver os personagens de David Cronenberg. A primeira é que vivem a mutação em estado de euforia. A segunda é que a mutação é terrivelmente concreta. Se assistimos a "A Mosca de Cabeça Branca", que Kurt Neumann fez em 1958, logo percebemos seu caráter abstrato. Já o remake feito 1986, "A Mosca", é quase insuportavelmente mergulhado no sensível. Parece que a Neumann só interessava a idéia de um homem transformando-se em inseto, perdendo sua humanidade por buscar os limites da existência. A Cronenberg isso também interessa, mas apenas como decorrência da transformação física em si. Eis o que torna o filme tão repugnante quanto atraente. Aqui, Jeff Goldblum é o cientista que realiza experiências de transporte da matéria no espaço, como que desmontando e remontando corpos átomo por átomo. Como bom cientista cronenberguiano, ele é sua própria cobaia. Durante a experiência acontece o que todos sabemos: uma mosca intromete-se no processo. A partir daí, começa a transformação do cientista. De início, ele é só alegria. Sua força torna-se descomunal, ele parece esses mastodontes de academia de musculação. Não é mais o conhecimento que o inspira, mas a força bruta. Não será assim até o final, pois a partir de certo ponto o lado animal que ele descobre em si torna-se "o" lado, e a situação beira a tragédia, pois as características humanas tendem a minguar dolorosamente. Ninguém melhor do que David Cronenberg tem intuído o homem mutante da passagem do século 20 para o 21 e sua angústia: somos a experiência errada de um deus menor, ou seremos o deus de nós mesmos?" (*** Inácio Araujo ***)

''Pode-se ver "A Mosca''como um exemplar do "horror nojento" de David Cronenberg, como há quem goste de dizer. Pode-se ver também como um horror que retoma o sentimento trágico dos grandes exemplares do gênero. Aqui, um cientista experimenta a máquina de teletransporte. O problema: enquanto faz o experimento, uma mosca entra no aparelho, de modo que, ao se recomporem, suas moléculas são contaminadas pelo animal. Esse moderno Prometeu não terá suas vísceras comidas por uma águia, mas será condenado a transformar-se em homem-mosca, mutante sem lugar no reino humano, nem no reino animal. Filme memorável.'' (**** Inácio Araujo ****)

''Na sociedade do espetáculo, lembra Guy Dabord, a experiência é substituída pela representação. É como uma degeneração quase imperceptível das condições de experiência por aqueles que são seu objeto. Somos nós esse objeto, sem dúvida. Mas isso se manifesta por meio dos filmes. Como escapar a isso é uma das questões colocadas pelos melhores artistas contemporâneos, dentre os quais David Cronenberg. E também seu cientista de "A Mosca". O que é sua busca senão a necessidade de substituir simulacros por experiências reais, extremas, as únicas que justificam a vida? Nessas circunstâncias, desde Prometeu, os deuses se interpõem ao herói. Aqui, na figura de uma mosca que se introduz no experimento de Seth Brundle e o condenará à mais terrível animalização: um monstro. Um monstro de filme, também.'' (***** Inácio Araujo *****)

*****
''Raras vezes um filme foi capaz de dividir plateias como "A Mosca". Defato, observar amutação do hom,em em inseto pode não ser acoisa mais agradável do mundo. Pensando bem, a transformação de Gregor Samsa em A Metamorfose também não. E ninguém resolveu chamar Kafka de mestre do nojo como se fez com David Cronenberg. Admita-se, ver coisas é mais difícil do que ler. Mas não notar que "A Mosca" existe um homem que desafia os deuses e arca com as consequências é um pouco de distração. E não notar que esse homem é um ciêntista e que a nossa ciência produz mutações todo o tempo é não olhar para o mundo. Resumindo David Cronenberg é autor e artista.'' (# Inácio Araujo #)

59*1987 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
6.
The Grapes of Wrath (1940)
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A poor Midwest family is forced off their land. They travel to California, suffering the misfortunes of the homeless in the Great Depression. (129 mins.)
Director: John Ford
“ "Vinhas da Ira" é a Depressão. São os bancos executando a hipoteca dos pequenos fazendeiros. É a epopeia dessa brava gente fixada num lugar há gerações e agora condenada ao nomadismo. Ninguém imagine um drama pesado. A luz de Gregg Toland acentua a dramaticidade, porém é a épica de John Ford que, no infortúnio, conduz os personagens. A seus homens comuns, mais que comuns, Ford atribui a aura de heróis verdadeiros, heróis da sobrevivência numa situação que os deixa inteiramente indefesos. Drama social, sim, "Vinhas da Ira" não desmente nunca a vocação poética do autor nem sua crença no povo americano, esse com cara de Jane Darwell, a mãe da história." (* Inácio Araujo *)

''Aquele caminhãozinho de "As Vinhas da Ira" é inútil tentar reproduzi-lo, imitá-lo, contestá-lo. Ele é único. Ele balança pelas estradas, carregando a família do fazendeiro falido, mais as poucas posses que sobraram. Estamos na Depressão que, nos anos 30, sucedeu o crack da Bolsa. Como aqui, todo mundo se deu mal, só os bancos se deram bem (a diferença é que aqui a coisa é permanente): executaram as hipotecas e deixaram o país na mão. O filme é de 1940, o governo Franklin Roosevelt estava implantado há anos, a guerra estava para estourar e a Depressão finalmente parecia debelada. Ainda assim, pode-se dizer que John Ford lidava com a atualidade. Hoje virou história, mas era o dia-a-dia. E Ford tinha uma ética humanista precisa: era contra os bancos e banqueiros e a favor dos homens simples. Basta ver No Tempo das Diligências: o escroque é o banqueiro. E o que aconteceu quando resolveu abrir sua própria produtora e ter o controle sobre seus filmes: logo descobriu que o controle dos produtores não era grande coisa, pois submetido ao dos banqueiros de Nova York. Então, fechou a produtora e voltou a trabalhar como empregado, o mesmo espírito independente de antes.
O rosto dos banqueiros jamais inspiraria John Ford. O dos pobres da Depressão, sim: essa gente é que faz a América ser a América, não os ricaços, não os aproveitadores. Dessa convicção nasce a força singular do caminhãozinho (caminhão humanizado, pois tem a feição e as dores de seus donos). Poderia ser detestável, mas não é. Quando vemos imagens da gente da Depressão (Lars von Trier as usa em Dogville), elas não são mais verdadeiras que os seres de ficção de John Ford. Ou antes, os seres de ficção de John Ford não são menos verdadeiros que o registro documental. Não são arte. De certa forma estão além da arte." (** Inácio Araujo **)

"Ford é o Grande Pai. Na hora da caça as bruxas, só ele conseguiu deter o furor anticomunista de Cecil B. DeMille. Deter e desmoralizar de uma só vez. Ford era um conservador, um irlandês católico inimigo dos excessos da moralidade puritana, que julgava meramente hipócrita. Pessoalmente, era um cavalo no trato com grandes (estrelas, produtores), mas consta qiue gostava de privar dos atores coadjuvantes e dos técnicois. "As Vinhas da Ira" é um filme que agradava a esquerda de outros tempos 9comunistas sobretudo) por seu contéudo social: falava dos expropriados da Depressão dos anos 30. A rigor, esse conteúdo não é assim tão profundo. Não é ai que devemos procurar a beleza deste filme, que no entanto é intensa, e sim nos rostos dos personagens, naquela gente ora esquálida, ora perplexa, triste, desvalida, que atravessa o deserto num caminhaãozinho perste a se desfazer, sem nenhuma perspectiva de onde e quando chegar. É nesses rostos, na intensa e sincera solidariedade, que Ford experimenta, que "As Vinhas da Ira'' encontra a força e o sublime tão presentes em todo o filme." (** Inácio Araujo **)

O melhor trabalho de John Ford e um dos grandes clássicos do cinema de todos os tempos.

"Nos Estados Unidos após a Grande Depressão, milhões de americanos passaram a viver na miséria, tendo suas fazendas vendidas aos grandes bancos. A vida era horrível, e um senso de grande desumanidade era imperativo para essas pessoas. Vivendo como gado, indo e vindo atrás de um trabalho qualquer, por míseros centavos ao dia – o suficiente para poderem sobreviver, mas às vezes, nem isso! É esse cenário infeliz que Tom Joad (o sempre inesquecível Henry Fonda, possivelmente no melhor papel de sua carreira ao lado de 12 Homens e Uma Sentença e Era uma Vez no Oeste) descobre logo no início de sua jornada. Voltando da prisão por homicídio depois de quatro anos, ele descobre a fazenda de seus pais abandonada, e descobre que eles estão prestes a se mudar para a Califórnia, terra das laranjas e do emprego fácil. Então "Vinhas da Ira" vira... um road movie! Atravessando vários estados com esperança de emprego, toda a família de Joad – e mais um ex-padre – sobe em um pau-velho de um caminhão com tudo que pôde carregar da velha fazenda e parte em busca de um futuro melhor. Mal sabem eles que quanto mais andarem, mais difíceis vão ficar as coisas. O filme tem uma linha do tempo e um ritmo praticamente perfeitos nesse ato. Méritos de um roteiro bem adaptado e transposto para as telas, a partir de um romance do autor John Steinbeck. Os acontecimentos são fortes, vividos com intensidade, por causa de um dos melhores elencos que o cinema já viu. Henry Fonda como o sofrido, mas sempre forte Joad, mostra as várias caras que uma interpretação histórica deve possuir. Suas últimas falas no filme são antológicas para o cinema – de arrepiar mesmo. John Steinbeck diz-se encantado pela sua interpretação após assistir ao filme. Todos os integrantes da família têm cenas muito boas, mostrando o cuidado que o roteiro teve ao desenvolver cada um de seus personagens. Enfim, até as duas crianças, mesmo com tempo limitado na tela, têm passagens muito bonitas. Atores mirins geralmente são irritantes, ainda mais quando utilizados para fins emocionais. O filme apenas não é perfeito porque... bem, este é um filme de John Ford. O diretor sempre exagerou no sentimentalismo, e aqui algumas passagens tornam-se quase que muito melosas. Ainda assim pode-se considerar que ele tenha conseguido ficar no limite do aceitável (coisa que em seu filme posterior, Como Era Verde Meu Vale, não aconteceu) em termos de forçar as lágrimas dos espectadores. Ora, o tema já é sofrível por si só, não foi necessário nenhum empurrão do diretor (com ritmo cadenciado e música de fundo apropriada, por exemplo). Os vilões – os exploradores donos das terras – e os mocinhos – todos os explorados – estão, como sempre nos filmes do diretor, bem definidos. Até mesmo o fato de Joad ter comitido homicídio é cuidadosamente bem justificado, para não haver dúvidas de seu caráter. A parte técnica do filme é igualmente esplendorosa às interpretações e ao roteiro. O filme é um retrato belíssimo dos Estados Unidos na primeira metade do século passado, mesmo que visto do seu pior ângulo. As paisagens amplas, rios largos, plantações enormes, estradas longínquas, são todos elementos que embelezam o filme e o tornam ainda mais especial e imperdível de se assistir nos dias atuais. A trilha sonora também é muito decente, com belos temas que fortalecem as imagens e também as interpretações. Estranho é o fato de o filme ter perdido o Oscar principal em 1941. Rebecca, de Alfred Hitchcock, acabou levando o prêmio. Rebecca é também uma obra-prima (embora mais pessoal e menor), mas mesmo seus personagens bastante complexos não chegam perto do desenvolvimento que todos os personagens de Vinhas da Ira possuem. A parte técnica do filme de John Ford também é muito superior e, finalmente, o próprio roteiro é mais sólido e bem montado. Talvez perdeu porque outro filme sobre a pobreza norte-americana vencera um ano antes: o fraco E o Vento Levou..., que possuí personagens vagos e irritantes, mas isso é outra história. Em relação ao Oscar ainda, a verdade é que já no próximo ano a Academia resolveu consertar seu erro elegendo como melhor filme em 1942 um trabalho de John Ford: Como Era Verde Meu Vale. Este sim, cheio de maniqueísmos baratos típicos do diretor e outros clichês inúmeros. Venceu Cidadão Kane, aliás, uma grande injustiça. Isso também daria discussão para dar e vender, e não cabe aqui. De qualquer forma, hoje em dia, Vinhas da Ira é um filme amplamente mais lembrado que aquele trabalho posterior do diretor, provando, de certa forma, sua superioridade em todos os sentidos. Vale lembrar ainda que John Ford levou Melhor Diretor os dois anos consecutivos. Desde lá, seu nome não saiu mais da história do cinema. Vinhas da Ira" foi recentemente relançado em DVD no Brasil, e esta é uma grande chance para colocar os olhos no filme. É o melhor trabalho de John Ford. Cada elemento presente no filme – literalmente – é algo de assustador em termos de cinema. Sua mensagem humana, política, as interpretações, o roteiro. É um filme mais que obrigatório, um daqueles trabalhos onde não me importo de utilizar o já tão antes utilizado clichê: não se fazem mais filmes como este nos dias atuais. Como este, definitivamente não! Eu estarei nos cantos escuros. Estarei em todo lugar. Onde quer que olhe. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, eu estarei lá. Onde houver um policial surrando um sujeito, eu estarei lá. Estarei onde os homens gritam quando estão enlouquecidos. Estarei onde as crianças riem quando estão com fome e sabem que o jantar está pronto. E, quando as pessoas estiverem comendo o que plantaram e vivendo nas casas que construíram, eu também estarei lá.” (Alexandre Koball)

A tragédia social pelo olhar de um diretor de westerns.

"As Vinhas da Ira", filme norte-americano de 1940, é um longa-metragem que faz um retrato social do país mais próspero do planeta, no seu momento de maior miséria desde que se estabeleceu como nação. Centra-se na classe popular, na massa de trabalhadores do campo, que na época da grande depressão foram obrigados a deixar suas casas e terras, condenados a vagar pelos EUA no mais absoluto estado de pobreza. A história apresentada no filme é uma adaptação para o cinema do livro best-seller homônimo do escritor ganhador do prêmio Nobel, John Steinbeck, que realizou a obra baseado numa intensa pesquisa que fez por anos ao longo de todo o país. Para conferir maior autenticidade e realidade a narrativa que construiria no livro, o autor seguiu famílias agricultoras desalojadas do estado de Oklahoma na sua jornada até as lavouras da Califórnia, em busca de trabalho, no auge da crise econômica norte-americana nos anos 30. A miséria generalizada que se seguiu à Depressão de 1929 é o tema central da obra desse importante escritor realista. Não por acaso, recebeu pela crítica literária a alcunha de "sociólogo da literatura", ou mesmo de "documentarista dos horrores da vida dos pobres". Poucos escritores americanos se debruçaram com tanta propriedade e embasamento sobre a fragilidade do sonho americano. John Ford, que já era um dos maiores diretores de Hollywood, foi escalado para dirigir esta produção, pelo fato de que os estúdios acreditavam que ele era a pessoa certa para transpor para as telas algo que fosse genuinamente um drama social realista do país. O fato curioso está em que John Ford foi um cineasta que predominantemente filmou faroestes, e se definia como um diretor de western, como declarou certa vez. Embora seus filmes transitem pelo cinema de gênero, sobretudo o faroeste, Ford sempre imprimiu uma visão não maniqueísta dos personagens, dando voz aos marginalizados do país e ao lado ambíguo do heroísmo típico do cinema, como pode se verificar em filmes seus anteriores e posteriores a esse, de No tempo das diligências (1939) a Rastros de Ódio (1956). Seu tema preferido, e que é bastante notável em As Vinhas da Ira, é a glória dos vencidos, a grandeza dos derrotados. Para o papel do protagonista Tom Joad, Ford escalou Henry Fonda, que pouco tempo atrás havia estrelado A Mocidade de Lincoln (1939) e Ao Rufar dos Tambores (1939), dois outros filmes sobre a história da América, também dirigidos por Ford. Dentre os outros papéis, John Caley como o amigo Muley, e John Carradine como o pastor. Ford costumava trabalhar com os mesmos atores por uma questão de afinidade, mas o que não deixa de ser um reflexo do star system do cinema norte-americano, prevalecendo mesmo em situações onde o cinema aborda o drama social dos marginalizados. Entretanto, sempre foi uma característica marcante de seu cinema, profundamente enraizado numa linguagem clássico-narrativa, o cuidado com a composição dos planos – Ford possuía um senso plástico inato que se manifestava em cenas de grande beleza visual. Bem como optava por uma edição extremamente enxuta e ágil, contendo-se em mostrar o mínimo necessário para compor uma narrativa direta e linear, num estilo semelhante ao de seu contemporâneo Howard Hawks. Inclusive, Ford era famoso por sua objetividade no cinema e seu rigor nas filmagens, onde bastava um take para cada cena e a edição já era "fechada" na própria câmera. É notável seu trabalho nesse sentido em As Vinhas da Ira. Um típico exemplar do estilo fordiano, há aqui a chamada montagem invisível, assim como descrevia seu trabalho o crítico e teórico francês André Bazin, bem como Ismail Xavier atribuiria o termo “transparente”. Pode-se notar de forma clara no filme a câmera quase sempre imóvel, os closes são reduzidos e as panorâmicas descritivas. Embora trabalhe em As Vinhas da Ira com o recurso do flashback, geralmente dispensa recursos chamativos na montagem. Com uma linguagem extremamente direta, Ford filmava pouco, sem ensaiar com os atores e adorando improvisar. Para "As Vinhas da Ira", John Ford fez uma escolha importante: escalou Gregg Toland para ser o diretor de fotografia do filme, o que responde as marcantes características visuais que a produção possui. Pelo êxito que obteve em As Vinhas da Ira, Toland foi escolhido para ser o diretor de fotografia de Cidadão Kane. Muitos dos artifícios de linguagem cinematográfica que tornam Cidadão Kane tão celebrado por sua linguagem já estavam presentes aqui. Em As Vinhas da Ira, há um primoroso trabalho de construção de planos, de perspectiva e profundidade. Um estudo preciso da angulosidade e disposição de linhas de força dentro dos quadros, sobretudo o virtuosismo com que trabalha com a fonte de luz. Ao longo de todo "As Vinhas da Ira" a iluminação utilizada é pontual, as fontes de luz são geralmente velas e lampiões, mas é fato que há um detalhado trabalho para fazer uma iluminação artificial se fazer passar por uma iluminação natural em situações precárias de sobrevivência. As sombras são fortemente carregadas, desempenhando um papel semiótico demonstrando o lado sombrio da vida americana marginalizada economicamente. Sem contar com a própria função de perspectiva que estas sombras geram, algo em que Toland era especialista. A pouca iluminação, trabalhada com muito aprimoramento técnico no que se refere a manipulação de lentes e escolhas de negativos, desempenha um papel artístico e dramático fundamental, como na cena memorável, onde a Mãe (Jane Darwell), queima os pertences que não pode levar consigo na noite anterior ao dia em que precisam abandonar a fazenda. Embora altamente manipulada e planejada pela técnica, o que distanciaria o filme de um retrato fidedigno da realidade, a fotografia e o filme encontram seu viés de verdade e realidade, uma vez que Gregg Toland realizou seu trabalho inspirado nas fotografias que haviam sido tiradas da tragédia por fotógrafos contratados pelo governo, como Dorothea Lange – num trabalho onde realizou o famoso retrato Mãe Emigrante, de 1936, uma referência visual para John Ford neste filme. Justamente na cena onde a composição do plano é a mais inspirada nas fotos verídicas do acontecimento, aproximando-se da realidade, é exatamente num dos raros momentos onde a câmera se movimenta, na sequência da chegada da família no acampamento de desabrigados da Califórnia, onde a câmera paira em movimento sobre rostos sofridos dos ocupantes em seus barracos caindo aos pedaços. Mesmo o filme sendo uma transposição fiel de um livro que baseia-se numa pesquisa real dos acontecimentos dos EUA na época da depressão pós 1929, existem diferenças substanciais na adaptação para o cinema. A mais notável das divergências está no desfecho da história. No romance, a família a princípio encontra condições mais favoráveis em um acampamento do governo, porém com salários de fome. No final da narrativa do filme está presente uma conclusão mais pessimista, embora com discursos moralizantes bastante inflamados, algo típico do cinema norte-americano. Trechos bastante polêmicos do livro não foram transpostos para o filme, pelo caráter agressivo que poderiam aparentar em um meio audiovisual. Exemplificando, fora deixada de lado uma importante (e chocante) passagem contida no livro, onde um personagem miserável, arrasado e completamente faminto, sacia sua fome ao amamentar-se no seio de uma mulher desconhecida, uma recém-mãe – algo que provavelmente tenha sido presenciado por Steinbeck. Prova de que, em cinema, prevalece o ponto de vista sobre um determinado tema, ao invés de uma janela para a realidade - curiosamente a moldura que é a marca do cinema de Ford." (Juliano Mion)

13*1941 Oscar

Top 250#139

Top 200#81 Cineplayers (Usuários)

Top 100#40 Cineplayers (Editores) ” - kaparecida445-2-230390
 
7.
7 Women (1966)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.9/10 X  
Legendary director John Ford's final film involving seven dedicated missionary women in China circa 1935 trying to protect themselves from the advances of a Mongolian barbaric warlord and his cut-throat gang of warriors. (87 mins.)
Director: John Ford
“ "Para muitos, a magnífica retrospectiva John Ford promovida pelo TCM o ano passado trouxe a revelação de um filme um tanto esquecido: "Sete Mulheres". Anne Bancroft é ali a médica de uma missão nos confins da China, na fronteira da Mongólia. Lá a rigidez dos hábitos não condiz com as crenças liberais da médica. Ford está do lado dela e, claro, contra as puritanas. O foco muda quando aparece Tunga Khan, um horrível guerreiro mongol que comanda um exército de bárbaros. Aí trata-se de saber quem deve sobreviver, se nós (nosso grupo social) ou eles. Esse dilema que mostrará a real face da médica e toda a beleza do trágico de Ford, em seu trabalho final." (* Inácio Araujo *)

"O último filme de John Ford aborda o embate entre ciência e religião, pragmatismo e fé. A beleza dos enquadramentos, que aproveita ao máximo o formato scope, é evidente. Apesar disso "Sete Mulheres" não esta entre os melhores trabalhos do diretor." (Régis Trigo) ” - kaparecida445-2-230390
 
8.
Pretty in Pink (1986)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.7/10 X  
A poor girl must choose between the affections of her doting childhood sweetheart and a rich but sensitive playboy. (96 mins.)
Director: Howard Deutch
“ "Porque alguns filmes dos anos 80 envelheceram tão bem? "A Garota Rosa-Shocking" é um deles. Trata-se de um tipo de um tipo de artesanato que deixou de existir na década seguinte. Uma noção clássica de equilíbrio e transparência que se perdeu, porque os diretores atuais são incapazes de almejá-la, ou porque importa mais o efeito, o truque barato. Nessa tocante história de amor juvenilentre uma garota pobre (Mlly Ringwald, no auge da efêmera popularidade) e um rapaz rico Andrew McCarthy), ambos enfrentam o preconceito dos amigos e precisam lutar contra a própria insegurança para que o amor triunfe, Quem certamente triunfa é o reteiro do americano John Hughes, que apresenta personagens marcantes como o inesquecível Duckie (Jon Cryer, mais famoso hoje pela série Two and a Half Men), o amigo meio dandi do protagonista, que nutre amor platônico por ela." (Sérgio Alpendre) ” - kaparecida445-2-230390
 
9.
The Wizard of Oz (1939)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
Dorothy Gale is swept away from a farm in Kansas to a magical land of Oz in a tornado and embarks on a quest with her new friends to see the Wizard who can help her return home in Kansas and help her friends as well. (102 mins.)
Director: Victor Fleming
“ "Vale a pena voltar a "O Mágico de Oz", que de certa forma o percusor de Steven Spielberg: aquele que consegue unir infância e idade adulta, realidade e sonho num só filme. Digamos que o Mágico realiza uma proeza que raros conseguem ( não lembro de nenhum Spielberg que chegue a tanto): a de unir sonho e pesadelo. Pois, como tantas vezes ocorre na vida, aqui o sonho começa mais que promissor, no encantamento com Oz. É aos poucos que escorregamos as durezas do pesadelo. Onde entra a parte adulta? Na angústia que o pesadelo enuncia, em que se revela a adulta que Judy Garland já quase ao fazer Dorothy, em 1939 (tinha 17 anos)." (* Inácio Araujo *)

12*1940 Oscar / 1939 Palma de Cannes

Top 250#132 ” - kaparecida445-2-230390
 
10.
Unforgiven (1992)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.2/10 X  
Retired Old West gunslinger William Munny reluctantly takes on one last job, with the help of his old partner and a young man. (131 mins.)
Director: Clint Eastwood
“ "Os Imperdoáveis", quase 20 anos depois de ter sido feito, como a última imagem do velho Oeste. É justo ser assinado por Clint Eastwood, também o último grande caubói. Esse réquiem é uma desmontagem da figura do pistoleiro. Quem eram esses heroicos personagens? Uns Bêbados, narcisistas, não raro covardes, Sádicos. Eastwood os despe de heroísmo com tal delicadeza que julgamos ver velhos justiceiros em ação. Só aos poucos se nota que estamos diante de fantasmas do velho oeste." (* Inácio Araujo *)

"Não será exagero chamar "Os Imperdoáveis" de último dos faroeste. É uma espécie de réquiem para o gênero americano por excelência o que fsz o diretor Clint Eastwood. E por que réquiem? Porque esse gênero, já em repouso há alguns anos, merecia, afinal, uma grande despedida. E a que "Os Imperdoáveis" oferece é a melhor. Lá estão os tradicionais caubóis e os xerifes, o saloon e as prostitutas. Existe um crime a ser vingado e os pistoleiros que se oferecem para buscar a recompensa. Existe, sobretudo, o cronista, aquele que transforma triviais bêbados, tarados e boçais em mito. Ao longo do filme, Clint Eastwood atravessa a mitologia em busca da verdade daquela época. É como se, entre o mito e a verdade (essa dualidade fordiana), fosse preciso, nessa hora, ficar com os dois, sugere o filme." (** Inácio Araujo **)

''E já que estamos nessa balada, que tal ver ou rever "Os Imperdoáveis"? Clint Eastwood acumulou, depois daí, filmes superiores. Nenhum que fizesse esquecer este faroeste magnífico que é, de certa forma, a celebração da morte do Oeste e do próprio faroeste. Mann foi o principal cultor do gênero no pós-guerra. Clint é (ou foi) seu último cultor." (*** Inácio Araujo ***)

"Será "Os Imperdoáveis" um faroeste tão clássico quanto por vezes se apregoa? Eis uma história simples: pistoleiros saem em busca dos cowboys que retalharam uma prostituta a fim de embolsar a recompensa que elas prometem. Mas algo sai dos eixos para se tornar um comentário ao gênero. Onde já se viu um "western" com um pistoleiro tão míope que mal enxerga o próprio pé? E onde já se viu um escritor que narra as façanhas dos pistoleiros? Entre o mito e a realidade dos heróis vai uma distância arrasadora: às vezes beira a comédia, às vezes a tragédia. O essencial é que Clint Eastwood observa o Velho Oeste com dor, mas nunca perde de vista o gênero - de que o filme foi não a ressurreição, mas o magnífico réquiem." (**** Inácio Araujo ****)

''Se "Os Imperdoáveis" permanece o último grande faroeste não é por falta de sucessores, e sim porque permanece vivo. E isso acontece porque a força do filme de Clint Eastwood não vem apenas de seu conteúdo explícito: não se trata de saber se os pistoleiros que buscam uma cidade para vingar a moça que teve o rosto retalhado por vaqueiros são bons ou maus, justos ou injustos. O interesse do filme vem de sua capacidade de colocar em questão o passado do próprio gênero: o real valor das lendas do Oeste, a coragem dos velhos pistoleiros etc. Há dois olhares que de fato comandam o filme: o do jovem pistoleiro (não por acaso míope) e o do historiador do Oeste (não por acaso uma mistura de tolo e falsário)." (***** Inácio Araujo *****)

"Com "Os Imperdoáveis", não é apenas o faroeste que chega ao fim. Talvez seja uma maneira de estar no mundo que se fecha neste magnífico filme de Clint Eastwood. Talvez, aliás, esse mundo já tivesse acabado: a conquista territorial não era mais um problema americano, e sim a conquista espacial ou invasões alienígenas. "Os Imperdoáveis" começa por ser um filme sobre o faroeste. Quem eram esses homens, os deuses do gatilho? Clint, apenas para ficar nesse aspecto, nos traz uma visão surpreendente sobre eles. Mais: o que acontece quando o real se torna mito? A isso Clint acrescentará uma reflexão sobre a moralidade, a partir de personagens que transitam do sórdido ao justo e vice-versa, sem nem se darem conta do que está em questão. Nisso, o filme já aborda bem o contemporâneo." (# Inácio Araujo #)

"Depois de anos afastado dos faroestes de seu início de carreira, Clint volta ao gênero para redefini-lo e aproveita para voltar também às suas raízes, fazendo um balanço de seu cinema e se consagrando como um mestre.'' (Heitor Romero)

65*1993 Oscar / 50*1993 Globo

Top 250#96 ” - kaparecida445-2-230390
 
11.
The Shootist (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
A dying gunfighter spends his last days looking for a way to die with a minimum of pain and a maximum of dignity. (100 mins.)
Director: Don Siegel
“ ****
''Quando se fala em faroeste crepuscular denomina-se, normalmente, o fim do ciclo do Oeste, na virada do século 19 para o 20. Mas também pode significar o fim do próprio faroeste. Pode-se acrescentar um terceiro sentido a "O Último Pistoleiro": é do fim de um pistoleiro que trata o belo faroeste de Don Siegel. E uma de suas belezas é, justamente, que o pistoleiro em questão é John Wayne, que já sofria com o câncer. Na história, o pistoleiro, sabendo-se com pouco tempo de vida, procura um modo de morrer com dignidade e menos dor. Na busca, topará com Lauren Bacall, o que reforça o caráter mitológico do filme: ela era, afinal, viúva de Humphrey Bogart. Original pela concepção, o filme impõe-se, no entanto, pelo respeito seco ao caráter legendário do Oeste, de seus personagens e dos atores que o recriaram - é o que orienta sua concepção.'' (* Inácio Araujo *)

*****
''O conceito de faroeste crepuscular envolve pelo menos dois significado: o primeiro é o de fim de ciclo, do Velho Oeste chegando ao seu final, o segundo designa com frequência o fim dos personagens, dos grandes Cowboys. Os dois sentidos estão em "O Último Pistoleiro", em que esramos em uma cidade já constituída como lugar estável, na virada do século 20. E ali a figura do pistoleiro já é tão ultrapassada que ele é alvo de desprezo das pessoas de bem, como a senhora que aluga um quarto para o senhor recém-chegado sem saber quem ele é. O filho dela o reconhecerá, porém, com um ás na pistola. O tempo mostrará que, embora alei agora seja a escrita, não da bala, o valor do homem é o que conta. E neste filme de Don Siegel o pistoleiro terá de adaptar sua valentia ao novo mundo. Pela última vez, aliás, pois tem um câncer terminal.'' (** Inácio Araujo **)

49*1977 Oscar / 34*1977 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
12.
Fargo (1996)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
Jerry Lundegaard's inept crime falls apart due to his and his henchmen's bungling and the persistent police work of the quite pregnant Marge Gunderson. (98 mins.)
Director: Joel Coen
“ "Os filmes dos irmãos Coen quase sempre suscitam a sensação um pouco desagradável de estar revendo algo que já vi em outro lugar, com outro filme, talvez em outra arte."Fargo - Uma Comédia de Erros" é uma espécie de exceção. Não que se trate uma história tremendamente original: alguém aolica um golpe; quase por acaso, uma policial obstinada começa a se ocupar da trama. O principal talvez seja o cenário: um lugar perdido do Meio-Oeste, tipo Minnesota, gélido. A policial usa um pesado boné para proteger as orelhas (e está gravida). O elenco também essecial, com Frances McDormand, a policial, e William H. Macy, o criminoso, a frente. O conjunto tem seu encanto e é, acentue-se, bem original." (* Inácio Araujo *)

"Quando queria dizer que não gostava de determinado autor, Macedonio Fernandez (escritor, mas, mais do que isso, personagem argentino) dizia eu não durmo desse lado. Pois bem, eu não durmo desse lado, quando se trata dos irmãos Coen. Mas "Fargo" (MGM, 18h) tem um encanto seguro. Há pelo menos dois personagens comoventes: o sujeito que arma a trama (William H. Macy) e a policial (Frances McDormand) que está lá para desarmá-la. São dois bons atores e não sabemos por quem torcer. Pelo homem que em seu desespero forja o seqüestro da própria mulher ou pela grávida que, por mero senso profissional, quase sem querer, vai descobrindo coisas. E nesse sem querer o filme vai pegando um jeito hitchcockiano e criando um belo suspense." (** Inácio Araujo **)

''A boçalidade é o alimento de "Fargo", da caipirice da cidadezinha ao fracasso do golpe armado por William H. Macy. É a típica visão dura dos irmãos Coen sobre seus personagens, sempre idiotizados. Tal distanciamento cético, bacana nos cinemas assumidamente brechtianos, soa arrogante com a dupla, que parece sempre mangar da ingenuidade do espectador seduzido pelo jeito eficiente com o qual filmam. O que não significa bom, e "Fargo" não é mais que um truque, uma mentira cinematográfica." (Paulo Santos Lima)

69*1997 Oscar / 54*1997 Globo / 1996 Palma de Cannes / 1997 César

Top 250#121 ” - kaparecida445-2-230390
 
13.
Midway (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
A dramatization of the battle that was widely heralded as a turning point of the Pacific Theatre of World War II. (132 mins.)
Director: Jack Smight
 
14.
3:10 to Yuma (1957)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
Broke small-time rancher Dan Evans is hired by the stagecoach line to put big-time captured outlaw leader Ben Wade on the 3:10 train to Yuma but Wade's gang tries to free him. (92 mins.)
Director: Delmer Daves
 
15.
Warlock (1959)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
A famous gunman becomes the marshal of Warlock to end a gang's rampages, but is met with some opposition by a former gang member turned deputy sheriff who wants to follow only legal methods. (122 mins.)
Director: Edward Dmytryk
 
16.
Letters to Juliet (2010)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.6/10 X  
Sophie dreams of becoming a writer and travels to Verona, Italy where she meets the "Secretaries of Juliet". (105 mins.)
Director: Gary Winick
“ "O filme segue uma fórmula batida e previsível, mas é tão terno e esperançoso no amor que fica impossível não se apaixonar, ainda mais em meio a tantas paisagens inspiradas." (Rodrigo Cunha) ” - kaparecida445-2-230390
 
17.
Captain Blood (1935)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
After being wrongly convicted as a traitor, Peter Blood, an English physician, is sent to exile in the British colonies of the Caribbean, where he becomes a pirate. (119 mins.)
Director: Michael Curtiz
“ 8*1936 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
18.
Laura (1944)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
A police detective falls in love with the woman whose murder he is investigating. (88 mins.)
Director: Otto Preminger
“ Mais do que a surpreendente trama e as boas atuações, é a direção de Preminger que prevalece, neste que é provavelmente seu melhor filme.

"Nem mesmo os maiores diretores de todos os tempos conseguem manter uma carreira sempre em alto nível. De John Ford a David Fincher, cineastas de todas origens e épocas inevitavelmente constroem suas carreiras com altos e baixos. Sempre, porém, há aqueles filmes que representam a essência da visão do diretor. São os trabalhos nos quais os cineastas atingem seu ápice criativo e conseguem, mais do que realizar uma obra-prima cinematográfica, combinar de forma impecável os elementos que formam a sua noção de cinema. No caso de Otto Preminger, Laura é definitivamente um destes filmes. Produzido em 1944, a partir do livro de Vera Caspary, "Laura" conta a história do detetive Mark McPherson, interpretado por Dana Andrews. Ele é o responsável pela investigação do assassinato de Laura Hutton (Gene Tierney), uma moça de 22 anos morta com uma espingarda em seu próprio apartamento. Enquanto descobre mais sobre a vida da vítima, o detetive começa a formar a sua lista de suspeitos, da qual fazem parte o noivo de Laura, um amigo apaixonado por ela e uma mulher com ciúmes. Mais do que isso, o próprio detetive acaba se apaixonando pela morta, dificultando a situação. As coisas se complicam ainda mais quando acontece uma grande reviravolta no caso. Aproximadamente sessenta e seis anos após o seu lançamento, Laura é considerado um verdadeiro clássico do cinema e um dos mais importantes exemplares do filme noir. Não é o primeiro e provavelmente também não seja o melhor, mas carrega diversas características do gênero e, ainda hoje, funciona maravilhosamente bem tanto como uma obra de mistério quanto como uma história sobre a obsessão e as relações humanas. Mais do que isso, em sua brilhante execução e técnica, Laura expõe a imensa capacidade de Otto Preminger como contador de histórias – não à toa, Laura foi o filme que o colocou definitivamente no panteão dos diretores hollywoodianos na metade do século. Curiosamente, ele nem deveria ter dirigido o filme. O responsável pela adaptação seria Rouben Mamoulian, com Preminger no cargo de produtor. No entanto, decepcionado com o que viu nas primeiras cenas, Preminger decidiu mandar Mamoulian embora e assumir as rédeas do projeto, refilmando tudo e reescrevendo boa parte do roteiro. O resto é história do cinema. O cineasta imprimiu a Laura um estilo e um preciosismo que, provavelmente, a produção jamais teria e que fazem o filme ser lembrado e visto até hoje. Claro que o roteiro, escrito a seis mãos por Jay Dratler, Samuel Hoffenstein e Elizabeth Reinhardt tem muitas qualidades, mas é inegável que o grande valor do filme como cinema está em sua execução. Uma das grandes conquistas do trabalho de Preminger em Laura é o apuro visual. Aproveitando-se das peculiaridades do noir, Preminger e o diretor de fotografia Joseph LaShelle criaram um filme quase totalmente passado em meio a sombras e fumaça. O que alcançam com isso, além de fazer com que assistir Laura seja um deleite para os olhos, é refletir uma constante sensação de dúvida e ameaça, proposta totalmente de acordo com o que a trama apresenta. Justamente, o trabalho de LaShelle na direção de fotografia foi premiado com o Oscar, o único que o filme recebeu (também foi indicado nas seguintes categorias: roteiro, direção, ator coadjuvante e direção de arte). Preminger, além disso, demonstra em Laura o seu domínio na criação e na condução das cenas. O filme se passa quase totalmente dentro dos apartamentos dos personagens e sua narrativa se constrói unicamente em cima de diálogos. O mérito do diretor é não tornar a obra enfadonha em um só momento, utilizando, para isso, de movimentos de câmera intensos e cuidadosa concepção de seus quadros. Laura é uma interessantíssima história de mistério, mas, acima de tudo, funciona como uma verdadeira aula de mise en scéne, onde tudo parece estar no seu lugar correto, potencializando cada instante para que as cenas funcionem com perfeição. O que também ajuda Preminger é o ótimo roteiro de Laura. O filme tem início já na investigação e não perde tempo com cenas desnecessárias ou longas exposições dos personagens. Tudo o que o espectador vem a saber a respeito de McPherson, Lydecker, Laura e Carpenter são informações inseridas de forma orgânica durante os diálogos ou no desenrolar dos acontecimentos, sem qualquer quebra de ritmo na produção. Dessa forma, Laura flui de forma bastante natural e, beneficiado também pela curta duração de oitenta e oito minutos, acaba antes mesmo que o público se dê conta. Além disso, o roteiro também é muito bem-sucedido ao criar personagens complexos e interessantes. Talvez ainda mais importante do que descobrir quem foi o assassino é acompanhar a trama de obsessão de Laura, onde todos os personagens parecem ter seus objetivos próprios e algo a esconder. Dessa forma, o relacionamento entre eles gera o mesmo interesse do que a identidade do assassino, prendendo a atenção da platéia em todos os momentos. Preminger ainda realça este clima de dúvida e mistério ao jamais levar o espectador a se inclinar em relação a algum personagem no que diz respeito à identidade do culpado. Pelo contrário, o cineasta prefere o caminho mais elegante, colocando todos no mesmo patamar sem interferir na relação da platéia com a trama. Da mesma forma, é impossível falar de "Laura" sem louvar a reviravolta que acontece na metade do filme. Indiscutivelmente, a surpresa pode ser posicionada entre as maiores surpresas da história do cinema – ela não apenas é capaz de deixar o espectador boquiaberto, como tem lógica no enredo e praticamente dá início a um novo filme. Por outro lado, ainda que o clima de mistério seja constante e o whodunit funcione, a resolução da trama é simples e, de certa forma, apresenta motivos óbvios. Enquanto isso, a narração de Lydecker soa desnecessária, por pouco acrescentar – mas sua presença se justifica, afinal, é uma das principais características do noir. Como se não bastasse o impecável trabalho de direção, cabe a Preminger também boa parte dos méritos no que diz respeito à escolha do elenco. Por exemplo, o diretor comprou briga com Darryl F. Zanuck, chefe da 20th Century Fox, para ter Clifton Webb no papel de Waldo Lydecker – e a briga não somente foi vencida como se mostrou correta: o arrogante escritor é um dos melhores aspectos de Laura. Da mesma forma, Gene Tierney e Dana Andrews eram pouco conhecidos até então e foi a participação em Laura que os levou ao estrelato. Andrews, na realidade, está apenas correto, mas Tierney realmente ilumina a tela e consegue convencer a plateia de que uma mulher como Laura Hutton seria capaz de despertar tamanho fascínio. E este fascínio não se limita às telas, estendendo-se por mais de seis décadas e fazendo parte da cultura do século XX. Além de ser um grande filme, lembrado até hoje como um dos principais representantes do gênero noir, Laura ainda deixou sua marca no campo da música, com um inesquecível tema que já foi regravado diversas vezes. Como todo grande cineasta, Otto Preminger, inevitavelmente, viria a pontuar sua carreira com alguns trabalhos de qualidade duvidosa. Laura, felizmente, está longe de ser um deles.

"Um filme que extrai tão bem da própria iconografia do noir (o quadro dentro do quadro) um motivo para existir não poderia ser outra coisa que não uma obra de beleza acachapante." (David Campos)

"Bem construído e cheio de reviravoltas interessantes." (Rodrigo Cunha)

17*1945 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
19.
Hell (2005)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.9/10 X  
Three sisters share a connection to a violent incident from their childhood reunite to for the chance to come to terms with their past. (102 mins.)
Director: Danis Tanovic
“ O INFERNO ” - kaparecida445-2-230390
 
20.
Julius Caesar (1953)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
The growing ambition of Julius Caesar is a source of major concern to his close friend Brutus. Cassius persuades him to participate in his plot to assassinate Caesar but they have both sorely underestimated Mark Antony. (120 mins.)
“ "Só acha o cinema e o teatro artes incompatíveis quem nunca viu um filme de Joseph L. Mankiewicz. Nesse caso, "Júlio César" é a melhor das introduções, pois estamos no reino de Shakespeare, o imperador romano. Ou ainda, se preferir, estamos ainda no reino de Marlon Brando (Marco Antônio), James Mason (Brutos), John Gielgoud (Cássio) e outros tantos: um primor de elenco. E, é claro, cabe a Marlon Brando o melhor momento do filme: o discurso em celebra o César contra tudo e contra todos. O que é bem Shakespeare: esses monólogos que invertem que toda uma ordem de forças com a força exclusiva das palavras e fazem pensar que, se de fato não foi, devia ter sido." (* Inácio Araujo *)

"Perfeito trabalho de encenação de Mankiewicz em torno do texto shakesperiano, que resulta em um filme político sobre os meandros das intrigas do Estado e lutas pelo poder. Mason e Gielgud assombrosos." (Vlademir Lazo)

26*1954 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
21.
The Private Life of Sherlock Holmes (1970)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.2/10 X  
When a bored Holmes eagerly takes the case of Gabrielle Valladon after an attempt on her life, the search for her missing husband leads to Loch Ness and the legendary monster. (125 mins.)
Director: Billy Wilder
“ A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES

"A releitura sarcástica do ícone da literatura policial realizada por Bily Wilder em 1970 preservou consigo o perfume da época. Trata-se, antes de tudo, de uma desconstrução do herói, retratado as avessas e de maneira pouco lisonjeira como cocainômano e misógino, matriz explícita de sua reencarnação contemporânea como o doutor House da série de TV. O filme mostra Holmes trancafiado em sua glória na companhia do fiel (e suposto amante) Dr. Watson. Até que uma bela mulher amnésica bate a porta da casa na Baker Street, e a investigação sbre sua identidade os leva a Escócia. Lá, deparam-se com o monstro do Lago Ness e tropeçam numa trama de espionagem internacional. Como sempre nos filmes de Wilder, tudo que parece sério não demora a se revelar como farsa. Só que, em vez de gargalhadas, o humor dessa vez é cínico e amargo. para a dupla central, Wilder queria os atores Peter O'Toole e Peter Sellers. Os poucos conhecidos Robert Stephens e Colin Blakley os substituíram e agregaram a qualidade de não se sobrepor aos personagens." (Cassio Starling Carlos)

"A Vida Intima de Sherlock Holmes", a exemplo de outros longas da fase final da carreira do diretor Billy Wilder foi um fracasso de público. Revisto hoje, o longa de 1970 preserva intacto o humor diabólico do cineasta. Partindo de escritos que o dr. Watson nunca publicou (por motivos que ficam óbvios ao longo da história), o filme apresenta o célebre detetive em situações em situações mais prosaicas, cercado de tédio, cocaína e insinuações de homossexualismo. O retrato pouco reverente pode desagradar os sherlockianos mais ortodoxos. Para quem gosta de cinema, é elementar, será uma festa." (Marco Rodrigo Almeida) ” - kaparecida445-2-230390
 
22.
The Hurt Locker (2008)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
During the Iraq War, a Sergeant recently assigned to an army bomb squad is put at odds with his squad mates due to his maverick way of handling his work. (131 mins.)
Director: Kathryn Bigelow
“ "Guerra ao Terror" é um desses filmes que não tem do que reclamar da vida.Visto como azarão, levou o Oscar de melhor filme de 2010, entre outros. E bem que tinha seus Méritos. A história do especialista em desmontagem de bombas tem a seu favor a originalidade e a narrativa limpa de Kathryn Bigelow. Ao mesmo tempo, deve-se admitir que se trata de um longa no mínimo condescendente com a guerra. Esse ponto de suspensão não é gratuito: eis ali um soldado, um especialista, seus méritos, seus riscos. Bem descritos. Mas esse profissional jogado ali como se o conflito fosse um evento neutro, técnico, é um enigma a fazer, talvez a alegria da guerra, de seus agentes e beneficiários." (* Inácio Araujo *)

''A semana começa em ritmo guerreiro. "Guerra ao Terror" é o filme que projetou Katryn Bigelow e lhe deu o Oscar de melhor direção em 2008. Um prêmio não sem merecimento, diga-se: a ex-senhora James Cameron dirige com mão segura a aventura do sargento cuja função, durante a Guerra do Iraque, era desarmar bombas. Não importa nem em qual das guerras no Iraque isso aconteceu: é em torno da atividade do protagonista, mais do que qualquer coisa, que Bigelow construiu seu filme." (** Inácio Araujo **)

''O impacto da revolução técnica de Avatar credenciava a obra de James Cameron para vencer o Oscar em 2010, mas a estatueta ficou com "Guerra ao Terror". A premiação teve um clima pesado de disputa pessoal, porque o filme é dirigido por Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron. Revisto hoje, não mostra estatura para o prêmio, mas venceu como uma espécie de prova de força de um cinema independente, de obras menores em orçamento, mas ainda impactantes; Mostra como é o dia a dia de soldados americanos que servem em um esquadrão que desarma bombas na guerra do Iraque. A tensão é constante, e o perfil dos personagens, bem delineado. Foi o salto do ator Jeremy Renner ao estrelato, hoje em superproduções como "Os Vingadores.'' (Thales de Menezes)

"Ainda há de ser filmado um filme que possa ser considerado o 'Apocalypse Now' no Iraque. Este aqui é o que mais se aproxima até o momento." (Alexandre Koball)

"Mais interessante que o próprio retrato do vício da guerra é a eficiência com a qual Bigelow explora esta lógica hawkskiana de grupo em torno de um trabalho específico e como apenas esta ação restrita consegue sustentar tão bem um discurso tão abrangente." (Daniel Dalpizzolo)

"Muito mais do que um simples filme de Guerra, um eficiente estudo de personagem. Assim como toda obra inesquecível, esse algo a mais fará toda a diferença ao longo dos anos." (Rodrigo Cunha)

"Tenso, bem filmado, e com uma mensagem nas entrelinhas que incomoda: 'a guerra é uma droga que vicia'. No entanto, apesar das qualidades e dos vários prêmios que conquistou, será que é uma obra que veio para ficar?" (Regis Trigo)

"Um filme surpreendente sobre o dia-a-dia de soldados americanos no Iraque. Bigelow entrega uma direção extremamente segura, gerando tensão ao transformar o cenário infernal em situação comum àquelas pessoas. Personagens fortes e atuações eficientes." (Silvio Pilau)

82*2009 Oscar / 67*2009 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
23.
The Bridges at Toko-Ri (1954)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
Set during the Korean War, a Navy fighter pilot must come to terms with with his own ambivalence towards the war and the fear of having to bomb a set of highly defended bridges. The ending of this grim war drama is all tension. (102 mins.)
Director: Mark Robson
“ AS PONTES DO RI TOKO-RI

28*1955 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
24.
Frankenstein (1931)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
An obsessed scientist assembles a living being from parts of exhumed corpses. (70 mins.)
Director: James Whale
 
25.
Sabrina (1954)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
A playboy becomes interested in the daughter of his family's chauffeur, but it's his more serious brother who would be the better man for her. (113 mins.)
Director: Billy Wilder
“ "A oportunidade de ver Billy Wilder dirigindo Audrey Hepburn é uma das mais mágicas e apaixonantes do cinema. Imperdível." (Heitor Romero)

"Sem culpa, ainda mais para sua década, Sabrina representa a independência feminina - principalmente no campo sentimental - ao trocar um irmão pelo outro. Para eles, valeu o sentimento mais puro - e a felicidade." (Emilio Franco Jr)

27*1955 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
26.
Brief Encounter (1945)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
Meeting a stranger in a railway station, a woman is tempted to cheat on her husband. (86 mins.)
Director: David Lean
“ 19*1946 Oscar / 1945 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
27.
The Seven Year Itch (1955)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.2/10 X  
When his family goes away for the summer, a so far faithful husband is tempted by a beautiful neighbor. (105 mins.)
Director: Billy Wilder
“ Cheia de humor negro "O Pecado mora ao Lado" faz um retrato da sociedade americana da época, explorando o desejo de várias formas. O ponto de partida é banal: a excitação que toma os maridos durante o verão, quando as mulheres e filhos saem de férias e eles ficam sozinhos em casa. Richard (tom Ewell) é um homem fiel, mas ciumento e paranóico, que se transforma com a chegada de uma vizinha tão sedutora quanto falsamente ingênua, uma modelo vivida por Marilyn. Cegado pelo desejo, ele mergulha em seus fantasmas e demora a perceber que o que realmente quer é ser amado. As situações são divertidíssimas e devem muito a eficácia a qualidade dos diálogos. Insinuante e no auge da forma, Marilyn é o motor da trama. O melhor exemplo do seu carisma é a antológica cena do vestido levantado por uma corrente de ar vinda de um buraco de aeração do metrô.C (Cassio Starling Carlos)

*****
"Crepúsculo dos Deuses é um filme imensamente cruel, com a atriz do cinema mudo (Gloria Swanson, que foi uma grandre estrela do mundo), seu mordono (Stroheim, em que foi um diretor de cinema muito mais fundamental que Billy Wilder) e o roteirista -gigolô que narra a formidável história. Mas "O Pecado Mora ao Lado" não é menos cruel. Ali está um marido que, após sete anos de casamento e com algum tédio conjugal, despacha mulher e filho de férias. Nessa situação, quem elçe encontra morando ao lado de seu apartamento? Nimguém menos que Marilym Monroe. E acalorada (pois estamos no verão). E com roupas leves. Existem um tanto enorme de crueldade nessa situação, no incômodo do marido diante da bela Marylyn. Daí vem o humor do filme, e não é pouco." (* Inácio Araujo *)[/b]

"Se não fosse a censura, seria um filme ainda maior - e melhor. Até mesmo a antológica cena da saia é curta demais." (Rodrigo Cunha)

13*1956 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
28.
Waterloo Bridge (1940)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
During World War I, believing her fiancé to be dead, a young ballerina loses her job and is forced to turn to prostitution. (108 mins.)
Director: Mervyn LeRoy
“ 13*1941 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
29.
The Masque of the Red Death (1964)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.1/10 X  
A European prince terrorizes the local peasantry while using his castle as a refuge against the "Red Death" plague that stalks the land. (89 mins.)
Director: Roger Corman
“ "Roger Corman, Vincent Price, fotografia de Nicolas Roeg, conto de Edgar Alan Poe, a morte, peste negra, castelos medievais, atmosfera lúgebre, horror gótico, direção de arte estilizada... enfim, nunca soou tão óbvio chamar um filme de obra-prima." (Daniel Dalpizzolo)

"Se foi feito mesmo com pouca grana como eram as produções de Corman, então o feito do diretor-produtor nesse filme é ainda mais notável, porque ele todo esbanja excelência do começo ao fim. Das melhores adaptações de Poe." (Vlademir Lazo)

"Esta bela adaptação ao conto de Poe é uma obra-prima repleta de grandes imagens. Sua última cena é inacreditavelmente tocante." (David Campos) ” - kaparecida445-2-230390
 
30.
Lifeboat (1944)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
Several survivors of a torpedoed ship find themselves in the same boat with one of the men who sunk it. (97 mins.)
“ UM BARCO E NOVE DESTINOS

"É o pitaco de Hitchcock na guerra: seu desafio de filmar algo difícil, todo dentro de um bote, que contém tanto cenas fantásticas (o bebê, o linchamento) quanto previsíveis (o nazista é bem óbvio o tempo todo). O balanço final é bem positivo." (Rodrigo Cunha)

"Um desafio que Hitchcock venceu ao tornar envolvente ao longo do filme essa história com personagens passada num pequeno bote salva-vidas, em que a tensão só vai aumentando com os conflitos, diferenças, esperanças, brigas, etc." (Vlademir Lazo)

''Boa parte da energia que despendemos ao ver "Um Barco e Nove Destinos" vai para a pergunta: como Hitchcock conseguiu enfiar sua imagem num filme que se passa todo num bote, em alto-mar, com os sobreviventes de um naufrágio? Bem, ele consegue e rimos com a solução. O filme, daí por diante, segue sem ser importunado por questões dessa ordem, já que estamos na Segunda Guerra e, entre os sobreviventes, há um nazista. Nem ele impedirá Um Barco... de ser um suspense descontraído." (* Inácio Araujo *)

''Se existe um mistério aí, que dizer de "Um Barco e Nove Destinos", de Hitchcock? Um navio afunda durante a Segunda Guerra e nove pessoas ocupam o bote salva-vidas. Mistério tirado do nada: haverá um traidor (pró-Alemanha) entre eles? E, pior, como fará Hitchcock para fazer surgir sua figura, no meio do oceano, numa situação como essa?'' (** Inácio Araujo **)

****
''Se existe um filme em que é intrigante descobrir como Alfred Hitchcock vai fazer sua famosa aparição é "Um Barco e Nove Destinos". Afinal, estamos no meio do oceano, num bote salva-vidas. Depois de um naufrágio, oito ocupantes do bote recolhem um alemão do mar. Não é boa coisa: disfarçado que só ele, o alemão vai complicar a vida deles e prejudicar os aliados tanto quanto possa. Mas o nosso problema mesmo será descobrir como Hitchcock aparecerá: ninguém perde por esperar. Essa é uma de suas melhores aparições, e das mais bem-humoradas também.'' (*** Inácio Araujo ***)

[green]17*1945 Oscar[/b] ” - kaparecida445-2-230390
 
31.
The Little Shop of Horrors (1960)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.3/10 X  
A clumsy young man nurtures a plant and discovers that it's carnivorous, forcing him to kill to feed it. (72 mins.)
Director: Roger Corman
“ "Roger Corman era mestre do terror, mas suas incursões cômicas não envelheceram muito bem, como essa fantasia não muito engraçada em que mal se consegue diferenciar comédia pretendida e humor involuntário." (Vlademir Lazo)

"O cinema tem obsessão de recordes numa dimensão tão maníaca quanto no esporte. Aceitemos a diferença: o esporte é feito para isso, o cinema não. A importância de um recorde de bilheteria, por exemplo, é enorme para o produtor do filme, mas bem menor para o público em geral. Que garantia nós dá um filme de grande orçamento será bom? No entanto, a toda hora deparamos com cifras que, a nós, nada dizem: tal filme custou US$ 300 milhões, ou custou R$ 8 milhões. Existe um abismo entre as duas cifras, mas é quse impossível ter a dimensão desse abismo. Roger corman é um caso curioso porque parece ter tomado como especialidade os recordes negativos. Parece que não interessa fazer o filme mais caro,mas o mais econômico. Assim chegou "Loja dos Horrores", tido como o filme mais rápido de todos os tempos. Conforme a fonte consultada, foi feito em dois ou três dias. Não há filme que sofra com tamanha pressa - este é exceção. Mas há um jovem Jack Nicholson em ação. E há sobretudo um desejo forte de superar dificuldades que, tem muito a ver com o esporte. Não é um grande filme, longe disso. Mas o importante para nós, brasileiros, muito mais dispostos a aprender a lição dos gastos inúteis do que a das economias conseguentes. Hoje nossos filmes são quase sempre feitos com equipes e gastos coilossais. Mimetizamos o espírito de grandeza de Hollywood, mas relutamos em aprender as lições de corman e do filme B em geral: usar menos dinheiro e mais imaginação. Só para não esquecer: continuamos um país em desenvolvimento ou, sem eufenismo, pobre." (* Inácio Araujo *)

"Dia desses fui ao supermercado comprar água sanitária, alvejante, sabão em pó e desentupidor de ralo (porque nenhuma casa está completa sem um bom desentupidor de ralo). No caminho até o caixa, lá estava aquele box enorme cheio de DVDs a preço de banana. Um deles era este clássico do terror, ou da comédia, tanto faz, "A Pequena Loja dos Horrores. Pobres desavisados que deixaram essa pérola ali jogada, abandonada. Sorte a minha. Feito em 1960, fotografado em preto e branco e filmado em apenas dois dias, essa realização é um dos marcos dos filmes de humor negro, ou do que mais tarde convencionou-se chamar de "terrir". Tudo isso a cargo da direção competente de Corman, experiente, com mais de 350 filmes produzidos no currículo. Partindo de um argumento bizarro com diversas situações insólitas, testemunhamos uma pequena floricultura fadada à bancarrota vislumbrar uma reviravolta em suas economias quando um funcionário desajeitado, Seymour, cria uma planta diferente. O único problema é alimentá-la, pois o cardápio é composto de gente! À medida que o apetite do vegetal monstruoso vai crescendo, crescem também os problemas. Não só o roteiro, mas também o cenário e os figurinos se assemelham muito às screwball comedys das décadas de 30 e 40. Em pouco mais de 70 minutos, há uma avalanche de piadas ligeiras e absurdas. Os personagens são outro ponto forte: uma senhora que todo dia compra flores para um funeral diferente; um sujeito que come flores; uma prostituta onipresente; um dentista sádico; e um jovem impostor com cara de maluco, interpretado por quem mais entende desse tipo de caracterização, Jack Nicholson. Mais tarde, devido ao grande sucesso, o filme virou um musical na Broadway - caminho que, normalmente, a maioria das produções faz de forma inversa. Ganhou também uma refilmagem, em 1986, com Rick Moranis no papel de Seymour e direção de Frank Oz, o cara que dirigiu o filme dos Muppets. Não se engane, prefira em preto e branco!" (Cinéfilo, eu?) ” - kaparecida445-2-230390
 
32.
After the Wedding (2006)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
A manager of an orphanage in India is sent to Copenhagen, Denmark, where he discovers a life-altering family secret. (120 mins.)
Director: Susanne Bier
“ 79*2007 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
33.
El (1953)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
A husband's suave exterior unravels after his marriage, and he unleashes his paranoid and volatile temper on his wife, which escalates to more dangerous and unpredictable tantrums. (92 mins.)
Director: Luis Buñuel
“ "Uma das razões da fama de "O Alucinado", vem do fato de Jacques Lacam considerar o caso ali descrito por Luis Bunuel como exemplar do processo de paranoia. Talvez houvesse muitas outras razões para reverenciar o filme, não fizesse ele parte da injustamente ignorada fase mexicana do grande mestre espanhol. Mas na louca história do homem que se apaixona por uma mulher e não consegue conter o ciúme infernal, o espectador reconhece-rá o gosto pelo excessivo típico do melodrama hispânico e que, mais recentemente, pode-se reencontrar em Almodóvar." (* Inácio Araujo *)

1953 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
34.
The Women (1939)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.0/10 X  
A study of the lives and romantic entanglements of various interconnected women. (133 mins.)
Director: George Cukor
 
35.
Capote (2005)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
In 1959, Truman Capote learns of the murder of a Kansas family and decides to write a book about the case. While researching for his novel In Cold Blood, Capote forms a relationship with one of the killers, Perry Smith, who is on death row. (114 mins.)
Director: Bennett Miller
“ "Capote" é um desses filmes que correm o risco de sucumbir à genialidade do próprio ator. Sim, Phillip Seymour Hoffman tem alma de coadjuvante. E a capacidade, com ela, de se transfigurar de um papel a outro: pode ser uma drag queen ou um assassino calculista, um analista da CIA ou um escritor de talento. Phillip é sempre outro, e sempre marcante - jamais coadjuvante, a rigor. Aqui, na pele de Truman Capote, os jeitos e trejeitos do escritor, sua homossexualidade tão ostensiva quanto a língua ferina, tomam a frente e quase nos esquecemos de que é de um Capote bem específico que se trata: aquele que escrevia uma obra-prima, A Sangue Frio, sobre um crime pavoroso e os homens que o praticaram." (* Inácio Araujo *)

78*2006 Oscar / 63*2006 Globo / 2005 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
36.
The Mummy (1959)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
In 1895, British archaeologists find and open the tomb of Egyptian Princess Ananka with nefarious consequences. (86 mins.)
Director: Terence Fisher
“ A MÚMIA ” - kaparecida445-2-230390
 
37.
Femme Fatale (2002)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.3/10 X  
A woman tries to straighten out her life, even as her past as a con-woman comes back to haunt her. (114 mins.)
Director: Brian De Palma
“ "O cinema, parece dizer Brian de Palma, existe para mostrar mulheres bonitas e más em situações delicadas. Basta ver "Femme Fatale". Ele começa o filme com o belo corpo de Rebecca Romijn refletido na tela de TV onde se vê Barbara Stanwick. A imagem de Rebecca duplica e replica, portanto, a de uma das grandes malvadas do cinema. O que vem depois: seu desnudamento moral. Esse é um dos aspectos marcantes do filme em que tudo parece destinado a duplicar. Será De Palma um misógino? Mas como já disse Fritz Lang: há muitas boazinhas, mas as mais interessantes, para filmes, são outras." (* Inácio Araujo *)

''O que faz um grande cineasta é que, mesmo em seus momentos de desespero, algo de maior se manifesta. No caso do Brian de Palma de "Femme Fatale'' isso acontece logo no início. Começando por uma cena na TV de Pacto de Sangue, ele nos joga numa atmosfera de filme noir, mas bem original. Durante o Festival de Cannes (ah, a depressão com o cinema...) algo acontece num banheiro que não sabemos bem se é um roubo de joia ou um ato de lesbianismo. Mas muito provavelmente ambos. O que vem depois, à moda de certo De Palma, nem importa tanto, é pouco memorável. Quase sempre, porque a cena de morte da vilã é muito forte, a frequente divisão da tela é inquietante, e Rebecca Romijn um estouro, sempre." (** Inácio Araujo **)

"Brian De Palma não tem vergonha do cinema. Sabe que é um bom lugar para mostrar garotas bonitas e não faz nenhuma economia com a beleza de Rececca Romjin-Stamos, a ambígua heróina de "Femme Fatale". Ela é uma ladra da pessada, umaladra de cinema - tanto que pratica um ousado roubo de jóias em pleno Festival de Cannes e debaixo de uma enorme vigilância. Depoisela passará por riscos não desprezíveis, mas no fim das contas gostaríamos de saber se ela passou mesmo por esses riscos, se tudo não passou de imaginação dela (ou nossa0. Se houve efetivamente história. Porque o prazer cinematográfico de De Palma passa, hoje dia, rm certa medida, por narrar com uma mão e apagar o narrado com outra. De tal modo que o que nos resta é, essencialmente, o prazer do que foi visto, do que correu sob nossos olhos. É uma espécie de marca clássica que permanece no filme como reflexão sobre o próprio cinema." (*** Inácio Araujo ***)

''De um modo ou de outro, as mulheres de Brian de Palma sempre são fatais. A de "Femme Fatale", é verdade, leva as coisas às últimas conseqüências: é bissexual, ladra e trapaceira -e cada um desses atributos é essencial para o desenrolar dessa trama que, não por acaso, começa num Festival de Cannes. Com De Palma estamos dentro do cinema, em qualquer circunstância. Aqui, é como se ele potencializasse os antigos filmes noir, fazendo de seus personagens seres não mais misteriosos, mas francamente opacos. Procuramos entrar em contato com eles, mas o contato é inviável. Algo parecido, embora de modo diferente, ocorre nos filmes de Abel Ferrara, como "Olhos de Serpente", outra boa pedida de hoje." (**** Inácio Araujo ****)

''Como "Um Corpo que Cai", de Hitchcock, "Femme Fatale" acontece sob o signo da duplicidade. Laure (Rebecca Romijn-Stamos) começa praticando um roubo de um diamante enorme, fazendo sexo, em Cannes, em pleno festival, e passando a perna nos parceiros. Depois, no entanto, haverá outra mulher. Ou antes: ela assumirá outra identidade, a de Lily. Como ela, volta para os EUA, onde se casa com um homem que se torna embaixador na França. Entre as mulheres haverá o paparazzi vivido por Antonio Banderas. E também o gesto próprio a Brian de Palma (é dele o filme) de partir a tela em dois. Tão próprio, digo, porque De Palma não apenas aprecia os duplos como que duplica cada um de seus filmes, produzindo um lado diversão e outro ferocidade, um lado de tradição e outro de inovação. Em ambos, com mão de mestre.'' (***** Inácio Araujo *****)

"Puro cinema." (Daniel Dalpizzolo)

"É uma desconstrução, da primeira à última cena, de uma figura cristalizada na mitologia do cinema policial. Como sempre, De Palma esconde uma imensa gama de leituras por trás de uma trama de sedução, mistério e violência." (Bernardo D I Brum)

"Quando me dei conta, 96 minutos já haviam passado e Rebecca Romjin jazia nua no fundo do Sena, de braços abertos, cena lindíssima. Incrivelmente, o que vem a seguir é ainda mais hipnótico, sensacional!" (Rodrigo Torres de Souza)

Um filme surpreendente de Brian De Palma, misterioso e excitante.

"Um dos diretores mais controversos do cinema está de com o thriller "Femme Fatale". Brian De Palma é um sujeito tão odiado quanto amado. Se você prestar atenção nas críticas deste seu último filme, vai perceber o porquê. Adorado por muitos, e detestado por tantos outros, "Femme Fatale" tem todos os ingredientes de um bom filme do diretor: mulheres bonitas e fatais, que alucinam os homens (O Pagamento Final), técnicas de filmagens modernas e ousadas, como tela dividida (Olhos de Serpente), ação sofisticada (Missão: Impossível) e personagens fortes (a maioria de seus filmes, mas só para citar um outro, Scarface). Este é cinema do bom! Mais do que apenas contar uma boa história, cheia de reviravoltas, segredos, bandidos (e poucos mocinhos), tensão, De Palma nos envolve visualmente nela como poucos diretores seriam capazes de fazer. Muitas pessoas acharão tal paixão pela imagem, que no filme vale tanto quanto a história, um desperdício de tempo. Estas pessoas esquecem que cinema também é isso. Prazer visual. E o prazer visual presente em Femme Fatale é dos mais requintados. Contudo, "Femme Fatale" não é um filme de arte, porém também não é puro e bobo entretenimento. É muito dos dois. É uma aula de cinema ao mesmo tempo que conta uma história altamente sensual, interessante, e tensa. Rebecca Romijn-Stamos (da refilmagem de Rollerball e de X-Men) é vista no papel mais sensual do cinema desde Diane Lane em Infidelidade. O filme esbanja sensualidade (mais para os homens) nas cenas entre a atriz e Antonio Banderas. É uma presença notável em cada frame, embora isso mais pela sua beleza do que pela sua interpretação, que não é má, porém não apresenta nada de especial também. O filme começa no Festival de Cannes, onde um grande roubo vai acontecer. Laure (Rebecca Romijn-Stamos) é a isca para seu grupo conseguir efetuar o tal roubo. O golpe dá certo, mas Laure foge com a mercadoria, traindo seus comparsas, que passam a perseguí-la a partir daí durante todo o filme. Fora de perigo, porém, ela é confundida com a filha de um casal, que passou por uma horrível experiência e quer se matar. Laure acaba assumindo a identidade da tal filha do casal (a semelhança física é estrondosa). Passam-se sete anos. Entra em cena Nicolas Bardo (Antonio Banderas), um fotógrafo que consegue tirar a foto da mulher do embaixador dos Estados Unidos na França. Ela é Laure (em sua nova identidade), já com sua vida completamente mudada. Os dois, então, acabam se envolvendo em uma história de muita tensão, erotismo e traição. Pela sinopse, é fácil se enganar e pensar que Femme Fatale é um thriller de suspense como inúmeros outros, que podem ser encontrados facilmente nas locadoras. Porém, uma enorme reviravolta perto do final do filme acaba mudando completamente seu caráter. Coisas que eram já não são mais, situações que aconteceram já não mais aconteceram. Esse é o ponto chave do filme. Tal reviravolta pode confundir e afastar o público do filme. Mas De Palma sabe o que está fazendo (ele mesmo roteirizou o filme), e se você conseguir jogar a sensação de frustração por “parecer” ter sido enganado, a partir daí o filme pode se tornar um delicioso estudo para seu cérebro de distinção de realidade e ficção. Você deverá reviver certos acontecimentos na sua mente, tentando entender o que se passa. Muita coisa é explicada, porém no final ficam muitas perguntas e dúvidas no ar. Naturalmente, as pistas estão no filme, De Palma dá várias dicas para você entender exatamente o que se passa na tela. É só raciocinar um pouco. Utilizando uma fotografia típica dos filmes de mistério antigos, com uma trilha sonora que incrivelmente se encaixa muito bem (dá tensão e emoção ao filme), Femme Fatale é, antes de tudo, um presente de De Palma aos amantes do cinema, que procuram um pouco mais do que simples entretenimento (embora como já foi falado, também seja isso). O filme também funciona como um delicioso Noir (ver matéria sobre O Falcão Maltês), com personagens interessantes mas nenhuma grande interpretação - homenageando e emprestando inúmeros elementos de filmes como Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944, dirigido por Billy Wilder), que é apresentado logo na primeira cena de Fatale. Mas se esse lance de Noir, técnicas de filmagem e homenagens dentro do filme não são pra você, tudo bem, basta saber que Femme Fatale tem uma história ótima para os amantes de um bom mistério, cenas quentes, ferventes e muito suspense. Só um porém: você não pode esperar por uma trama mastigada. Vá com o cérebro ligado. A experiência vai ser ótima.
Importante: alguns dos segredos e curiosidades (há mais) de "Femme Fatale". Só leia caso tenha visto o filme (ou não se importe em estragá-lo antes de vê-lo).
- A maior pista de que tudo que acontece logo após a cena da banheira é um sonho é o relógio. Ele, a partir daí, marca sempre a hora em que Laure adormeceu no banho: 3:33. Isso pode ser conferido mais tarde na sala de interrogatório (com Nicolas Bardo). O horário é o mesmo. Depois de minutos de conversa, o horário ainda é o mesmo. Obviamente, o tempo não existe em sonhos.
- Outra pista sobre o sonho: na primeira vez, o aquário presente na cena da garota suicida está transbordando; na vida real, não. O aquário transbordando no sonho é a interpretação da mente de Laure para a banheira escorrendo água pelo topo.
- Pouco antes de entrar na banheira, um programa de televisão questiona se você, conhecendo o futuro, viveria para mudá-lo. Laure responde que sim. E é o que acaba acontecendo no final, quando em vez de deixar a garota se suicidar, ela salva sua vida.
- Curiosidade: na passagem de avião está escrito Quinta. Esta é uma das companhias envolvidas na produção do filme.
- Uma especulação: a tomada final do filme, com a enorme foto-montagem de Bardo, simboliza o quebra-cabeças temporal que é o filme: em uma mesma cena, Laure aparece em dois momentos de tempo diferentes. Um antes dos sete anos se passarem, outro depois.
- O tema deja-vú, que acontece abertamente no filme para a personagem Laure (ela vê muitas coisas que já aconteceram duas vezes – no sonho e na vida real), é apresentado ao espectador no cartaz colocado no poste perto do bar da Igreja, onde Laure e sua amante (ou a mulher que a ajudou no golpe de Cannes) conversam.
- O filme que Laure assiste logo na primeira cena de Femme Fatale é Pacto de Sangue. Nele, você vê uma mulher como Laure será no decorrer do filme: fria, que usa os homens para seus interesses." (Alexandre Koball)

Além da teoria do gênero.

"Robert Stam, em sua Introdução à Teoria do Cinema, escreveu: A temática é o critério mais débil para o agrupamento genérico, por não levar em consideração a forma como o tema é tratado. Concordo. Logo, como definir um filme que temática e estruturalmente parece caber em um gênero ou, aparentemente, funciona como uma releitura? "Femme Fatale" (idem, 2002), obra de Brian De Palma que recebeu muitas críticas divergentes, é uma dessas produções cuja classificação é algo embaraçoso e complicado. Seu título evoca a priori o noir, mas o supera; ou seja, apesar de ter tanto em sua estrutura quanto em seus temas elementos do gênero, vai além dele e de outras vertentes cinematográficas. A única certeza é que se trata de um filme definitivo daquele que é um dos maiores, para não dizer o maior, da safra influenciada por Alfred Hitchcock. A primeira cena mostra a estonteante Laure Ash (Rebecca Romijn) assistindo a um filme noir: Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944), de Billy Wilder. A seguir, entra um homem negro no quarto e ambos falam a respeito de uma ação criminosa que será executada durante a exibição de um filme no Festival de Cannes de 2001. Trata-se do roubo dos diamantes que foram excêntrica e sensualmente transformados em uma espécie bustiê que será vestido por uma bela jovem (Rie Rasmussen). Para isso, Laure seduz a moça e, numa impressionante cena de lesbianismo, que é nada mais do que uma reprodução da cena do chuveiro do início de Vestida para Matar (Dressed to Kill, 1980), mostra o vasto leque de habilidades que lhe podem ser úteis. A ação dos ladrões eleva as qualidades de um De Palma arrojado que, contudo, não se entregou à faina exaustiva de filmes como Missão: Impossível (Mission: Impossible, 1996). Algo, porém, não dá certo no plano dos três (outro homem negro apareceu) e, para completar, Laure acaba traindo os próprios companheiros e fugindo com os diamantes. Depois de ser confundida com outra pessoa, ela se distancia do mundo do crime, conhece um homem influente e acaba casando-se com ele. Sete anos de intervalo dividem a primeira parte do filme de seu restante. Laure, que agora é Lily Watts, procura não se expor aos holofotes da imprensa, mas o sagaz Nicolas Bardo (Antonio Banderas) consegue tirar fotos suas. Os dois se aproximam e Nicolas acaba descobrindo que a mulher está elaborando um plano para extorquir 10 milhões de dólares do próprio marido. O envolvimento é perigoso e absolutamente irresistível para o fotógrafo. Nesse sentido, a personagem de Rebecca é extremamente fatal. Entretanto, De Palma usa esse envolvimento para colocar um embuste sobre as reverberações oníricas que serão devidamente encaixadas durante os momentos finais do filme. O aspecto lúdico da narrativa ata ao excepcional trabalho com a profundidade de campo o déjà-vu, palavra-título de anúncios publicitários que tomam a cidade com a imagem de Laure. Há em "Femme" Fatale um agrupamento de elementos que não se excluem, de objetos refletidos. Por conseguinte, tudo que aparece diante (ou por trás) das personagens, como os cartazes onde lemos déjà-vu e o relógio da sala de investigação onde Nicolas está depondo, que enigmaticamente marca a mesma hora do relógio que é visto sobre a banheira em que Laure tomava banho sete anos antes, prepara-nos para o final, que vai do feérico puro e mais próximo do inexplicável ao que é inexplicavelmente compreensível partindo do pressuposto onírico. Essa ligação inextricável entre componentes faz das personagens do filme faces distintas de uma mesma moeda que estão, aparentemente, condenadas ao mesmo abismo cíclico. Dessa forma, a narrativa nos faz pensar, antes do desfecho, acerca de seus elementos enquanto parte de um jogo de câmera que só capturou uma história projetada, uma trama que pertence a uma camada diegética que se infiltra naquela que já nos foi apresentada. O que De Palma fez foi mostrar-nos a duplicidade que existe em tudo que faz parte do (seu) mundo. Não é à toa que Laure e Lily sejam idênticas fisicamente, que possuam nomes iniciados com a mesma letra. Quase tudo é duplicado na trama: duas realidades; dois homens negros; duas mulheres semelhantes; duas identidades profissionais de Nicolas: o paparazzo e o fotógrafo artístico; a imagem constantemente dividida; outros dois homens próximos ao ataque efetuado pelos dois negros contra a amiga de Laure; etc. Quando Laure é jogada de uma ponte, semelhanças com Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958), de Alfred Hitchcock, não podem ser negligenciadas, sem falar da existência das duas mulheres. Entretanto, a noção de ícone primordial do diretor mostra-se bastante evidente. Em poucos minutos, Femme Fatale sai de uma referência hitchcockiana, passeia pelo próprio De Palma em Um Tiro na Noite (Blow Out, 1981) e depois volta ao ponto onde tudo começou. Consequentemente, tudo está fadado ao retorno, ao que se repete enquanto imagem. O relógio, por exemplo, é um ícone primordial, um símbolo que parece emergir passível de significações múltiplas; posteriormente, ele se torna um objeto de denúncia onírica de algo já visto (o déjà-vu). Logo, Femme Fatale se entrega enquanto filme já em seus primeiros momentos, mas, como até mesmo o próprio título parece apenas servir de componente preliminar, seu enredo só flui enquanto especulação, sonho, citação, repetição e eco. O ludismo que se estabelece entre o real e o falso é componente da publicidade do filme. Percebe-se que a mulher fatal, que a todos seduz e que faz qualquer coisa para conseguir o que quer, só age, de fato, no sonho, porque Laure acaba tornando-se uma heroína, aos moldes clássicos, e criando um novo final. O noir carrega consigo algo de trágico, algo que quase sempre acaba mal. A personagem do noir, não raro, é tomada pelo descomedimento, pelo que os gregos tragediógrafos chamariam de hybris, que é o impulso incontrolável gerador das maiores desgraças - como a morte, por exemplo. Femme Fatale bebeu do noir, mas não se limitou a ele e não seguiu sua cartilha à risca. Trata-se de um filme cuja reviravolta se aproxima do desfecho aberto e apocalíptico de um dos grandes representantes do gênero no cinema: A Morte Num Beijo (Kiss Me Deadly, 1955), de Robert Aldrich. A diferença é que na obra de De Palma existe, ao final, o dia, que é um elemento catártico e enternecedor. Assim, ele elaborou uma narrativa esteticamente valiosa que não se traiu em momento algum e que deixou bem claro que as referências que sempre foram o corpus de seu trabalho não se esvaíram, simplesmente se tornaram escorregadias. Neste filme, a união de gêneros e imagens criou através do intertexto um exercício de linguagem cinematográfica que, com toda certeza, está entre os mais brilhantes deste início de século XXI. Brian De Palma mostrou novamente que sua obra sempre se autodefine e fica à espera de múltiplas interpretações. Femme Fatale, que distribuiu seus elementos em sua primeira parte e, na segunda, os rearranjou perfeitamente no campo (meta)físico do déjà-vu, é uma obra singularmente elaborada e inclassificável que colocou o futuro no presente e que, como poucas, subverteu todas as expectativas. Este De Palma, por alguns é considerado menor, é um trabalho sincero que remonta ao conceito original de símbolo: aquilo que um dia foi dividido e em algum outro momento voltou a se unir." (David Campos)

"Não se deixe enganar pelo trailer ultra-veloz, editado de maneira quase incompreensível. O longa-metragem Femme fatale (idem, 2002) não é um exercício de montagem à maneira da MTV, mas um trabalho meticuloso de câmera, enquadramentos, ângulos e planos, típico do diretor Brian De Palma. Responsável por filmes tanto autorais quanto comerciais, como Os Intocáveis (The Untouchables, 1987) e Missão: impossível (Mission: impossible, 1996), De Palma sempre trata de maneira cuidadosa o seu material, com fé na premissa de que a estética supera em importância o lado narrativo. O diretor também costuma basear os seus thrillers em armadilhas visuais para quem os assiste, no melhor estilo as aparências enganam, como em Olhos de serpente (Snake eyes, 1998). Desse artifício, o personagem vivido por Antonio Banderas é a síntese perfeita - no papel de um paparazzo enganado, o ator sofre as ciladas da mulher do título, a ladra Laure Ash (a sensualíssima Rebecca Romjin-Stamos, escolhida devido à gravidez inesperada da titular Uma Thurman). Na trama, depois de enganar os seus comparsas e tomar para si o objeto de um roubo, um traje feito com diamantes, Laure foge para Paris e acaba confundida com uma morena recém-falecida. Sem pestanejar, a loira toma o seu lugar e se casa com um diplomata norte-americano (Peter Coyote). Porém, anos depois, graças à intromissão do fotógrafo, Laure tem seu rosto estampado na mídia - e volta a ser perseguida por seus antigos parceiros. A partir daí, prepare-se para as reviravoltas. Aliás, talvez um dos poucos problemas de "Femme Fatale" seja o desfecho, entre espelhos e atropelamentos, um tanto burlesco. Deixa a sensação de que o trecho da narrativa passado dentro do sonho é mais plausível do que aquele que se passa na realidade (como assim? sonho? calma, explicar mais estragaria surpresas, confie). Nada, porém, que tire o mérito do filme. Em meio aos seus dogmas, o diretor também faz questão de sempre reverenciar o mestre Alfred Hitchcock (1899-1980). Aqui, fica explícita a alusão a Janela indiscreta (Rear Window, 1954) e a Um Corpo que cai (Vertigo, 1958), por motivos óbvios. Até uma auto-referência pode ser encontrada no roubo da jóia, uma sequência tensa típica de Missão: impossível. Enfim, se De Palma não prima pela originalidade, ao menos sabe como filmar e criar climas, coisa que hoje em dia, em tempos velozes de videoclipe, é um dom raro. E sinceramente, o colírio das curvas de Rebecca Romjin-Stamos aliviaria até o pior dos filmes." (Marcelo Hessel) ” - kaparecida445-2-230390
 
38.
The Decameron (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.1/10 X  
An adaptation of nine stories from Boccaccio's "Decameron". (112 mins.)
“ 1971 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
39.
Death in Venice (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.5/10 X  
In this adaptation of the Thomas Mann novel, avant-garde composer Gustave Aschenbach (loosely based... (130 mins.)
“ "Há poesia, há a direção tecnicamente perfeita de Visconti, há um grande personagem principal e um bom clímax, mas a duração é um tanto quanto excessiva e os flashbacks aparentam ser dispensáveis." (Alexandre Koball)

44*1972 Oscar / 1971 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
40.
Contempt (1963)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
Screenwriter Paul Javal's marriage to his wife Camille disintegrates during movie production as she spends time with the producer. Layered conflicts between art and business ensue. (103 mins.)
Director: Jean-Luc Godard
“ "Em "O Desprezo" falam-se quatro línguas: francês, inglês, alemão e italiano. Por isso existe ali uma personagem cuja função quase única é transpor os diálogos de um para a língua do outro. Daí existir um equívoco de critério dos responsáveis pela cópia, que estréia hoje em São Paulo. Quando Jack Palance fala, em inglês, vemos o letreiro com a tradução de suas palavras para o português. Em seguida, Georgia Moll faz a tradução para o francês, e o mesmo diálogo, ou quase, volta a aparecer em português. Esse equívoco está longe de ser insignificante ou incômodo (embora possa ser alegremente superado pelo espectador). Por sorte, as palavras que Fritz Lang diz em alemão ficam sem letreiros de tradução e só se deixam compreender quando Georgia Moll as verte para o idioma do interlocutor. Criam-se então segundos de vazio. Porque "O Desprezo" é um filme sobre a incompreensão. Sobre palavras que, ditas em uma língua, nada significam. Há ali um produtor de cinema, Jeremy Prokosch (Jack Palance), que não se comunica com o seu diretor (Lang). Existe também um marido, Paul (Michel Piccoli), que não se entende com Camille, sua mulher (Brigitte Bardot). E por que não se entendem? No estúdio, Prokosch, paquera Camille e a convida para ir à sua casa. Paul consente que ela vá no carro de Jeremy e se dispõe a seguir até lá de táxi. Fim: o amor está terminado. Paul jamais entenderá por quê. Camille não lhe dirá a razão. Mas o desprezará. Enquanto isso, Lang filma. Sua concepção da "Odisséia" é, em linhas gerais, a mesma de seus filmes: o combate desigual do homem contra os deuses. Bem diferente da do produtor, empenhado em inserir na trama cenas de sexo que seduzam o espectador. E por que seria "O Desprezo" um filme de amor se, já no início, Jean-Luc Godard nos garante, citando André Bazin, que o cinema substitui o nosso olhar? Nesse caso, o cinema mostra o mundo dos nossos desejos, não o real. O cinema não pode filmar apenas a realidade objetiva, nem o desejo simplesmente. Nessa medida, "O Desprezo" é também um filme sobre o cinema e seu mundo. Talvez o mais belo jamais filmado. Mais belo e comovente até que Assim Estava Escrito. Mas não parece ser apenas no cinema que Godard pensa. Uma frase de Lumière aparece como a dizer que o homem é uma invenção sem futuro. Pois o desígnio irônico dos deuses assim o quer. Ou porque esse filme evoca uma outra mitologia, mergulhando seus personagens numa babel de linguagens perfeitas, mas incapazes de estabelecer contato entre os homens. "O Desprezo" é, como se vê, um filme muito atual." (* Inácio Araujo *)

"Paul, seu encrenqueiro, ela só quer se sentir especial, o tempo todo. Complexo!" (Alexandre Koball)

"O Desprezo" é um filme de encontros. O de Godard com BB, para começar: dois ícones da Europa pós-pós-guerra, em trajetos até então opostos: Brigitte Bardot, símbolo do cinema comercial, e Godard, símbolo do cinema-como-arte. Também encontro entre o novo e o eterno: Jack Palance, o produtor de cinema, deus do presente, e a Grécia de Homero, da Odisséia. Encontro entre o clássico e o moderno: Fritz Lang, que faz o diretor que vai filmar "A Odisséia", e Godard, que faz seu assistente. Evoca-se a possibilidade de o cinema reconstruir qualquer lugar. A corrida de Piccoli pelas ruas de Cinecittà são um momento antológico, em que Godard filma as "ruas de cinema" do estúdio e a verdade dessas ruas, que recebemos como espectadores quando vemos um filme. O cinema de Godard teve sempre, como prioridade, um aspecto documental, o desejo de captar um aspecto da atualidade. Por uma vez, seu olho parece mirar outros horizontes. Existe, primeiro, a intriga, a crise conjugal entre o roteirista (Michel Piccoli) e a atriz (Bardot). Godard a leva a sério, mas não como o cineasta clássico. É um instante que parece concerni-lo: quando BB deixa de amar o marido e passa a desprezá-lo. Não nos é explicado. O mundo é o que ele é. Podemos buscar as ressonâncias, não as causas. É o mistério da mulher, de sua decisão, de seu rosto que permanecerão para sempre perturbadores em "O Desprezo". O drama conjugal puxa todos os demais. Lá está o produtor de cinema, com sua previsível impaciência com a cultura e suas demonstrações de potência. Lá está Lang, como que ciente de sua grandeza, mas também da insuficiência dessa grandeza. E BB. E Palance." (** Inácio Araujo **)

"Parece que Godard empenha-se em trabalhar sobre um feixe de contradições amplo. Tão amplo, que o set de filmagem parece uma Babel, cheia de línguas cujas distâncias uma tradutora procura aplainar. Uma língua os une, que é o cinema. E o cinema surge como o elemento de atualidade que nunca falta a Godard. Porque existe uma diferença entre o ambiente descrito e o cinema godardiano. Aqui estão os estúdios, as câmeras pesadas, esse aparato próprio de um cinema que parece pronto para morrer: o cinema clássico. O mistério da mulher, o cinema, o amor, a aventura, o tempo, a eternidade -esses temas surgem e se desenvolvem num dos filmes em que a arte de Godard se mostra de maneira mais plena. Observemos apenas a beleza de cada enquadramento, a limpidez das cores, a disposição dos corpos no cinemascope: "O Desprezo" é um filme muito acessível, em que quem reprova no cineasta a obscuridade (como se fosse sinal de incompetência) só ganhará ao rever seus conceitos." (*** Inácio Araujo ***)

*****
''É como se em "O Desprezo" todos os mitos tivessem um encontro marcado. Primeiro BB, Brigitte Bardot, o maior mito sexual de sua época. Depois, Jean-Luc Godard, o mais provocativo cineasta de todos os tempos. Por fim, mas não por último, Fritz Lang, o grande cineasta alemão, já aposentado. Como se não bastasse, ainda existe Homero e a Odisseia, que Lang está encarregado de filmar e durante o qual terçará lanças com Jack Palance, o produtor do filme. O quadro não estaria completo sem lembrarmos os estúdios de Cinecittà, onde a filmagem acontece e onde tantos heróis das produções mitológicas italianas se encontram. E sem mencionarmos o roteirista, Michel Picolli. Pois ele é o marido de Brigitte. É ele que será desprezado. O filme mais linear de Godard. E, num espantoso cinemascope, certamente um dos mais belos filmes de todos os tempos. Não se pode perder.'' (**** Inácio Araujo ****)

"Produtor:"O que estava no roteiro não é o que está na tela!"/Fritz Lang:"É sim"/Produtor:"Não é o que está no roteiro"./Fritz Lang:"É que no roteiro está escrito. Na tela são imagens. Motionpicture, é como se chama". (Daniel Dalpizzolo)

"Reinventa um clássico literário, discute relacionamentos, apresenta o modo e conflitos de se fazer cinema, endeusa a mulher e desmascara o homem. Tudo isso em pouco mais de uma hora e meia com as mais belas imagens de Godard. E tem Fritz Lang, cara!" (Rodrigo Cunha)

"O cinema de Godard é que é uma arte sem futuro (para reescrever a famosa frase do filme). A bunda da Brigitte Bardot continua a melhor e única coisa boa do filme." (Demetrius Caesar) ” - kaparecida445-2-230390
 
41.
Dracula (1931)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
The ancient vampire Count Dracula arrives in England and begins to prey upon the virtuous young Mina. (85 mins.)
Director: Tod Browning
“ ****
''O terror é um gênero especial: aquele que mais provoca nossa imaginação, nos carrega por territórios desconhecidos, convoca ao mistério, à noite, à insegurança. E seu modelo mais perene é o ambíguo "Drácula". O rei dos vampiros fez sua estreia ainda no cinema mudo, com o nome de "Nosferatu" (1922, de F.W. Murnau), na Alemanha. Ressurgiu gloriosamente nesta versão sonora, de Tod Browning, com os olhos hipnóticos de Bela Lugosi. E luz de Karl Freund, o fotógrafo alemão preferido de Murnau. Devem-se a ele o claro-escuro arrebatador do filme. É a luz que convém ao Drácula, já que o conde é uma aparência: bela figura que usa seus poderes noturnos, alimentando-se do sangue que o mantém vivo. Essa imagem, essa aparência, não seria de certa forma o próprio cinema? Eis um dos territórios do terrível conde.'' (* Inácio Araujo *)

****
''Provavelmente uma pessoa com interesse mediano em cinema deve ter assistido a uma das dez versões do personagem Conde Drácula. São tantas, desde resgates do romance original de Bram Stoker, como fez Francis Ford Coppola em 1992, a modernices como Drácula - A História Nunca Contada, que passou no cinema em 2014. Por isso, quem ainda não conhece o filme clássico pode ver hoje "Drácula". Um expectador realmente exigente vai concluir com essas releituras posteriores não eram necessárias. Mesmo sendo aprimeira versão do vampiro no cinema - há pelo menos duas anteriores, bem vagabundas -, esta é a definitiva versão do livro. O longa de Tod Browning já carregava todos os ingredientes básicos que assustam, fotografia um tanto gótica, belos pescoços femininos e até alguma tensão sexual. O melhor é mesmo Bela Lugosi, o rosto dos filmes de terror nos anos 1920 e 1930, que consegue aqui seu grande momento.' (Thales de Menezes) ” - kaparecida445-2-230390
 
42.
Hope and Glory (1987)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
A semi-autobiographical project by John Boorman about a nine year old boy called Bill as he grows up in London during the blitz of World War 2... (113 mins.)
Director: John Boorman
“ ''Talvez a cena que melhor resume "Esperança e Glória'' seja a do menino, feliz, gritando "Obrigado, Adolf", quando as aulas na escola são suspensa por causa de um ataque aéreo nazista a Londres. Não por acaso o diretor John Boorman a retomou no seu recente Rainha e País, onde reencontraremos o mesmo menino, agora transformado em soldado. Em "Esperança e Glória" a guerra é observada, basicamente, a partir da perspectiva infantil. Mas a irreverência da observação do menino naquele momento dá bem uma ideia do ânimo antibélico de Boorman. No momento mais glorioso da Inglaterra moderna, da resistência heroica ao nazismo, ele se esquiva de exaltar o patriotismo. Com humor e humanidade se coloca bem distante do cinema britânico habitual, quer dizer, chapa-branca. Continua um filme jovem e belo.'' (* Inácio Araujo *)

60*1988 Oscar / 45*1988 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
43.
A Prairie Home Companion (2006)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
A look at what goes on backstage during the last broadcast of America's most celebrated radio show, where singing cowboys Dusty and Lefty, a country music siren, and a host of others hold court. (105 mins.)
Director: Robert Altman
“ "A Última Noite" foi um filme um tanto esnobado quando foi lançado, em 2006. As pessoas estavam um pouco cansadas de Robert Altman e seus bons filmes. Elas gostam, quase sempre de coisas insignificantes. Foi o último filme de Altman. E tudo tem um tom de despedida. Trata-se da apresentação final de um programa de rádio. Um desses que criam laços profundos entre os artistas que se apresentam. E os laços, pressente-se, estemdiam-se aos ouvintes. O tempo e a técnica, e os novos meios, levaram os ouvintes. Resta ser memorável no momento de fechar a barraca. E isso Altman soube ser, neste filme final cheio de afetos a mostra." (* Inácio Araujo *)

''Quem pensar em nostalgia, a respeito de "A Última Noite", talvez se engane, apesar das aparências. Pois aqui Robert Altman nos fala dos artistas que, pela última vez, levam ao ar um velho programa de rádio. Mas não é de nostalgia, no sentido de saudade, de desejo de retorno a um estado anterior, que se trata. É mais à melancolia que nos remete este filme: como se a própria transformação do mundo, das coisas, é que devesse nos deixar prostrados. Afinal, os artistas que ali desfilam não parecem ultrapassados: sua música nos interessa. Talvez lhes prestemos atenção por saber que é o último dia. Talvez em outra noite fossem apenas um som já ouvido demais. Agora, porém, vem aquele sentimento: nunca mais!'' (** Inácio Araujo **)

''Por algum motivo, "A Última Noite" é um filme que ficou um tanto escanteado, em meio ao brilho de outros trabalhos da fase final de Robert Altman. Com o tempo, no entanto, tornou-se um dos meus preferidos. Para começar, é o mais melancólico, com seu desfile de cantores e músicos, com seus anúncios simpáticos e aquela sensação de inevitável final que tudo transmite. Há uma era terminando, a era do rádio. Existem as conveniências de um mundo que avança, que não pode se deter por causa dos sentimentos de cada um. Mesmo a luz impecável de Edward Lachman transmite um sentimento crepuscular que torna cada presença ainda mais preciosa. E foi, aliás, o último filme de Altman." (*** Inácio Araujo ***) ” - kaparecida445-2-230390
 
44.
Doubt (2008)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.5/10 X  
A Catholic school principal questions a priest's ambiguous relationship with a troubled young student. (104 mins.)
“ "Jamais brigue com uma mulher teimosa: você não vai conseguir sair vencedor dessa batalha." (Alexandre Koball)

"Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep batendo de frente durante uma hora e meia já vale o ingresso. Parece meio idiota de se dizer, mas o filme realmente te deixa em dúvida, todo o tempo, sobre quem está certo nesse conflito." (Rodrigo Cunha)

"Apesar das boas interpretações (com as atrizes coadjuvantes superando os protagonistas) e de um texto poderoso, "Dúvida" não consegue alçar voos maiores. O diretor John P. Shanley tem sua parcela de culpa. Meryl Streep está bem, sem ser excepcional." (Regis Trigo)

"O filme demora para realmente começar e a inexperiência de Shanley na direção fica clara (como nos desnecessários planos inclinados). Por outro lado, a força das interpretações e do texto é monumental, em um magnífico duelo que carrega o espectador." (Silvio Pilau)

81*2009 Oscar / 66*2009 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
45.
My Fair Lady (1964)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
A misogynistic and snobbish phonetics professor agrees to a wager that he can take a flower girl and make her presentable in high society. (170 mins.)
Director: George Cukor
“ *****
"Bernard Shaw, Audrey Hepburn, Cecil Beaton, George Cukor, Alan Jay Lerner, Rex Harrison, André Previn. A sucessão desses grandes nomes nos créditos de "My Fair Lady" basta para atrair a atenção de qualquer um que sofra uma quedinha pelo cinema-espetáculo. Já o modo como tantas forças alcançam um complicado equilíbrio é um milagre mais raro. Filmado em 1964, numa época em que o musical estava em declínio, "My Fair Lady" usa, mas não abusa, dos números cantados. Ao longo de quase três horas, o duelo entre o refinado Professor Higgins e a rude Eliza Doolittle ilustra uma trama que no fundo aborda com ironia o que os marxistas chamam de luta de classes. Não dá para decidir se é só o gênio de Cukor movendo todos os fios ou se ele é mais um numa constelação genial, o fato é que o filme sabe ser político num gênero orientado ao escapismo, faz crítica social ao luxo em meio a cenários e figurinos luxuriantes e também diverte e encanta como se fosse puro entretenimento. Para os que ainda tiverem fôlego, um segundo disco na edição em Blue-ray traz horas e horas de extras.'' (Cassio Starling Carlos)

"Existem três filmes básicos para compreender o fascínio exercido por Audrey Hepburn em diferentes gerações: Sabrina, Bonequinha de Luxo e My Fair Lady. Este último relançado no Brasil em edição comemorativa dos 50 anos, após restauração de imagem e áudio. Audrey está encantadora como Eliza Doolittle, uma vendedora nas ruas de Londres. Rex Harrison aparece como um professor que resolve encarar o desafio de reansformar a jovem de atitude rude em uma dama sofisticada. O treinamento da moça é engraçado, mas as consequências para ambos serão bem maiores do que poderiam esperar. Um musical charmoso, de quase trés horas e ganhador de oito estatuetas no Oscar, incluindomelhor filme. " (Thales de Menezes)

37*1965 Oscar / 22*1965 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
46.
To Be or Not to Be (1983)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
A bad Polish actor is just trying to make a living when what should intrude but World War II in the form of an invasion... (107 mins.)
Director: Alan Johnson
“ 56*1984 Oscar / 41*1984 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
47.
Secret Admirer (1985)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.5/10 X  
An anonymous love letter left in Michael's locker on the last day of school wreaks havoc on his life, and the lives of everyone who come in contact with it. (90 mins.)
Director: David Greenwalt
 
48.
Carlito's Way (1993)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
A Puerto Rican former convict, just released from prison, pledges to stay away from drugs and violence despite the pressure around him and lead on to a better life outside of N.Y.C. (144 mins.)
Director: Brian De Palma
“ "O filme que melhor representa a estrutura trágica que atravessa a filmografia de De Palma é também uma das coisas mais belas e impactantes que o cinema já proporcionou. Obra-prima é pouco." (Dvid campos)

"O certo seria falar de "O Pagamento Final" a partir da cena final, daquela câmera que gira sobre o eixo e deixa o mundo de ponta-cabeça. É, em alto estilo, o resumo do filme, da tortuosa trajetória de Carlito Brigante, o gângster que volta às ruas depois de alguns anos na cadeia. Sua ideia é abandonar o universo criminal. Não será tão fácil assim. Mesmo diante de circunstâncias adversas, Brian de Palma não cede à vulgaridade. Seu Carlito não voltará ao gansgsterismo forçado por forças exteriores: existe ali algo que o atrai, quando mais não seja a imagem de um jovem rival que agora ocupa seu antigo lugar. É a uma espécie de tragédia do temperamento que De Palma nos introduz, naquele que é talvez o melhor dos seus filmes de gângster." (* Inácio Araujo *)

"A Cahiers du Cinema o elegeu como o melhor filme da década de 1990. Não chegaria a tanto, mas acredito, sim, que "O Pagamento Final" foi o último grande trabalho de De Palma." (Regis Trigo)

51*1994 Oscar / 36*1994 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
49.
Two for the Seesaw (1962)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.8/10 X  
Jerry Ryan is wandering aimlessly around New York, having given up his law career in Nebraska when his wife asked for a divorce... (119 mins.)
Director: Robert Wise
“ DOIS NA GANGORRA

35*1963 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
50.
The Breakfast Club (1985)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
Five high school students meet in Saturday detention and discover how they have a lot more in common than they thought. (97 mins.)
Director: John Hughes
“ "John Hughes conhecia os jovens de sua época como ninguém." (Rodrigo Cunha)

"Nenhum outro filme da década foi tão fundo e preciso na abordagem dos dramas que os jovens sofrem, principalmente no que tange aos estereótipos que os próprios adolescentes criam pra si. Jovem clássico e obrigatório!" (Rodrigo Torres de Souza)

"Mesmo com uma iniciativa fadada ao fracasso, é interessante a habilidade do Hughes ao evitar as ciladas e implicações de se tratar com "profundidade" os ires e vires da adolescência numa comédia colegial oitentista sem soar "esperto" ou condescendente." (Luis Henrique Boaventura)

Mais do que um filme adolescente, é um ensaio sobre as implicações da época mais complicada e intensa da vida.

"Um dos fatores mais incômodos dos filmes adolescentes é a certeza de que os estereótipos estarão sempre lá, marcando presença com afinco, comprometendo assim toda a originalidade da obra. Por outro lado, não se pode culpar roteiristas e diretores quando esse problema é questionado, já que a juventude é uma fase marcada por certas tradições, costumes e estilos, independente de sua época. Fica difícil então para um cineasta livrar-se dos clichês e ainda assim manter uma atmosfera de realismo dentro dos enredos de seus trabalhos. Por causa disso, John Hughes, uma referência no assunto, nunca se envergonhou de usar e abusar desses estereótipos em seus filmes, pois sabia que, no fundo, não passavam de verdades inegáveis. O que fez o cinema dele diferente da grande maioria de seus colegas foi a sabedoria e esperteza em usar os clichês da maneira correta, em prol de algo muito maior. Dentre toda sua filmografia, O Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985) é o que mais exemplifica essa habilidade com maior precisão. "O Clube dos Cinco" é um filme que tem já em sua sinopse uma proposta muito clara e bem definida: retratar e adentrar em todo o universo adolescente através de cinco personagens clássicos; o popular, a patricinha, a esquisita, o nerd e o rebelde. De fato, começa aqui o uso descarado dos mais óbvios clichês do sub-gênero, embora a condução que cada um ganha seja exatamente a oposta do que todos poderíamos imaginar. É nesse momento que entendemos a grande sacada do roteiro – a quebra de tais estereótipos. Hughes não é limitado ao ponto de apenas mostrar o convencional e o dedutível; ele rompe essas obviedades ao nos apresentar cinco personagens dotados de uma inesperada profundidade, que dão voz a todos aqueles que um dia já passaram por todos os perrengues que envolvem estar na condição de adolescente. Como de costume, Hughes elege os adultos como os vilões de sua história, aqueles que deixaram o coração morrer com o passar dos anos (como é explicado por um dos cinco protagonistas em dado momento da trama) e que agora invejam nos mais jovens toda aquela ambição cega típica da idade, a determinação inocente de sonhar e querer mais do que a vida pode oferecer. Dentro do ambiente escolar, o ápice dessa caracterização vilanesca se encontra na imagem do diretor. Os cinco estudantes-vítimas desse carrasco devem ficar de castigo, cada qual por um particular motivo, em pleno sábado na detenção do colégio e devem escrever uma redação de mil palavras que sejam usadas para defini-los. Esta aí a grande crueldade da punição, já que a última coisa que um adolescente seria capaz de fazer é um texto auto-definitivo. Juntos no mesmo ambiente, esses cinco tipos opostos entrarão em conflito e mostrarão aos poucos tudo o que envolve estar nessa fase tão linda, porém tão complicada de suas jornadas. A princípio, os temas que vão recorrendo na conversa entre os tais alunos giram em torno das trivialidades do cotidiano de um jovem americano de classe média como festas, namoros, escola, notas e afins. Até então o que vemos é Hughes nos apresentando os clichês de maneira cordial, até cômica, e definindo assim uma influência particular de cada um sobre o espectador – ele nos induz a julgar cada um ali com base nos estereótipos tão arraigados em nossas mentes. Mas depois, tudo vai ganhando uma abordagem um tanto mais dramática, aos poucos intensa e, finalmente, devastadora. De repente estamos diante de um círculo de pessoas se abrindo sem pudor, em uma exposição incisiva sobre suas respectivas ansiedades e desejos. Quebra-se nesse instante tudo o que pensávamos de cada um até então e sobra apenas um espelho onde é impossível não se enxergar. Independente de cada formação, de cada personalidade, de cada sexo, todos ali sofrem das mesmas dificuldades e sonham com as mesmas ilusões. O clube agora é integrado por alguém a mais: o próprio espectador – e todos são um só. Ao contrário do que possa parecer, ''O Clube dos Cinco'' não se propõe a definir a juventude, a classificar esse momento da vida; pelo contrário, ele apenas se coloca na posição de expô-la, sem manipular nem impor idéias a nós. Afinal, não há como definir tudo o que se passa na mente de um adolescente, até porque nem eles próprios o poderiam fazer. Mas o certo é que se encontra nessa fase de início da vida adulta a formação do caráter, a maneira de entender o real funcionamento das coisas; um momento para se viver de certas ilusões e para se desprender de tantas outras. É uma encruzilhada difícil e definitiva, que moldará para sempre o que seremos dali em diante. Hughes, ciente disso como ninguém mais poderia, nos apresenta um filme para ser sentido, não necessariamente desvendado. Para que não ficasse nostálgico demais, nem sentimental demais, a abordagem de temas tão delicados, Hughes acrescentou à fórmula muito humor e, principalmente, muita referência oitentista. Se por um lado essa escolha ocasiona momentos de pura cafonice, por outro acaba dando um certo charme e carinho ao seu trabalho. O resultado final é uma obra-prima tipicamente dos anos 1980, bem dosada em cima de temas que jamais perderam sua relevância, independente de sua época. Para alguns, ''O Clube dos Cinco'' é um filme pequeno, sem nada demais, até mesmo esquecível. Isso é uma pena, pois se trata de uma viagem verdadeira pelos momentos mais complicados pelos quais todos passamos e que tendemos a tentar esquecer com a chegada da vida adulta. Querendo ou não, é uma época inesquecível, seja pelas suas aventuras e descobertas, seja pelos seus traumas e incidentes. Tentar esquecer seria perda de tempo – e tempo é algo do qual não devemos nos dar ao luxo de perder." (Heitor Romero)

"Esse filme é, sem duvida, uma grande provocação à professores, pais e alunos. Não só isso, uma provação a todos aqueles que, de tanto se esconder em múltiplas máscaras, acabam perdendo a (idéia) do que verdadeiramente são. Uma tribo urbana é denominada pela Sociologia como um conjunto de comunidades de descendência comum que falam a mesma língua e possuem costumes, tradições, normas, ritos e instituições comuns. É uma organização social bem antiga em que seus membros podem comungar da mesma espécie de pacote de gosto musical, ídolos, roupas e acessórios. É uma forma de sinalizar aos outros o que se é – ou não. Pode ser também a expressão sem compromisso da preferência momentânea por uma moda ou por um determinado artista. Na maioria das tribos, os membros parecem se comunicar através de uma linguagem própria (gíria) e com gestos bem característicos. Caso não se comportem como esperado, passam a ser motivo de chacota e de perseguição. E é sobre tal imposição da sociedade, juvenil e adulta, que se trilha a narrativa do memorável O Clube dos Cinco (Breakfast Club), do cineasta americano John Hughes. Filmado na efervescência dos anos 80, a velha [e boa] sessão da tarde marcada pelo O Clube dos Cinco nos mostra uma das caracterizações educacionais de uma época não muito diferente da atual. Apesar da distância do tempo, notamos que pouca coisa mudou na ideologia juvenil de lá para cá. Não podemos desconsiderar o fato de que trata-se de um outro ambiente, ali, americano. Mas é também um drama visto por qualquer comunidade urbana (talvez até rural), quando diz respeito a terrível necessidade de aprovação que muitos de nós sentimos nesse mundo caótico em que vivemos. O filme narra o castigo de cinco estudantes indisciplinados que são punidos com a permanência de um dia inteiro no sábado, dentro da biblioteca da escola. São cinco os alunos e são cinco os tipos, cada um abissalmente diferentes um do outro. Na biblioteca, os alunos são obrigados pelo patético e carrasco diretor Mr. Vernon a fazerem uma redação sobre o o que eles são. E aqui faz-se oportuno redigir a carta escrita pelo cérebro da turma, Brian (Anthony Michael Hall): Aceitamos o fato de passarmos o Sábado no castigo por o que quer que seja que tenhamos feito errado. O que fizemos foi errado. Mas aceitamos que o Sr. É louco por nos passar uma redação descrevendo quem achamos ser. Desde quando se importa? O Sr. nos vê como quer ver. Nos termos mais simples, as definições mais convenientes. O Sr. nos vê como um cérebro, um atleta, uma louca, uma princesa e um criminoso. Certo? E assim somos introduzidos aos personagens-tipos da narrativa: o atleta Andrew (Emílio Estevez); o CDF Brian (Hall), o delinqüente e destemido John (Judd Nelson); a rainha Claire (Molly Ringwald) e a sombria Allison (Ally Sheedy, em inesquecível interpretação). No começo, tamanha diferença provocará atritos e muita confusão entre os jovens. Mas, enquanto o dia vai passando, eles vêem que, na verdade, são muito parecidos. Se formos analisar os estereótipos neste grupo, começaríamos pelo nerd Brian, que falhou em um de seus projetos científicos. Um projeto que, de acordo com ele, deveria ser o mais simples do mundo, já que consistia no simples ato de fazer funcionar um abajur ao acionar a trombeta de um elefante. Brian, que até então nunca havia fracassado em uma disciplina, tira nota zero, o que faz cair drasticamente o seu índice de rendimento escolar. A verdade é que a pressão que o mesmo sofre da família é tão grande, que Brian passa a intentar sua própria morte. Compra uma arma para dar cabo à sua vida, mas a mesma dispara dentro de seu armário. Era um sinalizador. A terceira personagem é a esquisita Allison (Sheed), que se veste toda de preto, com a meias diferentes, cabelo despenteado, cobrindo os olhos, estes, por sua vez, carregados de sombra e lápis preto. Inicialmente, não fala com ninguém, adora chamar a atenção dos demais colegas com seu jeito um tanto quanto diferente. Ao contrário dos colegas, ela não está ali para castigo. Mas sim para se entreter e diminuir o tédio que sente enquanto está em casa, na companhia de uma família que aparentemente a ignora por completo. Pelo menos é o que podemos deduzir a partir do momento em que seus pais a deixaram na escola. A quarta personagem apresentada é Claire (Ringwald), uma garota rica que se auto proclama a mais popular da escola. Convencida ao excesso, ela demora muito tempo para aceitar a punição que, para a sua infelicidade, não foi anulada pelo poder de persuasão do pai que, por sua vez, a contenta com um par de brincos de brilhantes. Claire: – Não acredito que você não possa me tirar dessa! É um absurdo eu estar aqui no Sábado. Pai: – Matar aula para fazer compras não é um crime (e oferece a filha mais presentes). Tenha um bom dia! Por fim, vemos o mais subversivo dos personagens. O criminoso Bender (Nelson), que mora com um violento pai que sempre o agride fisicamente e moralmente. Ele, logicamente, vem sem a companhia da família (já que esta o despreza demasiadamente). Ao chegar na biblioteca, começa a intimidar os presentes, inclusive o diretor. Nos primeiros minutos de detenção, os alunos tentam se manter isolados, evitando qualquer tipo de aproximação entre eles. Contudo, enquanto a manhã vai passando, eles vão passando por uma grande aventura juntos, iniciada pelas provocações do Bender, que satiriza o modelo de família perfeita do Brian, da família rica da Claire, provoca incansavelmente o nervoso Andrew. Só não mexe com a Allison porque ela realmente demora a estabelecer um contato com o grupo. Contudo, convém frisar que a análise de grupo começa a partir do momento em que Bender pára de fazer chacota da família dos colegas, e passa a representar um diálogo entre ele e seu pai, que o xinga de todas as piores maneiras, e completa com uma agressão física, marcado, para aqueles que não acreditam nele, no seu braço por uma marca de charuto: castigo que recebeu ao derramar tinta na garagem. Daí as revelações. Briam e Andrew são naturalmente incentivados a falar sobre os seus problemas, ao contrário da Claire, que precisou ser instigada pela esquisita Allison para revelar a sua virgindade, assunto temido tanto por Claire quanto pelo tímido Brian. “É como uma faca de dois gumes. Se disser que não [se disser que é virgem], é puritana; se disser que sim [que já fez sexo], é uma vadia”, provoca Allison, que para convencer a Claire de revelar sua sexualidade, mente ser ninfomaníaca. Do outro lado vemos Andrew confessar que sofre pressões negativas por parte do pai, que acha que a virilidade de um homem encontra-se na promoção de qualquer violência gratuita. Eu torturei o pobre do garoto porque pensava que meu pai me achasse bacana. Ele vivia falando de quando estava no colégio. De todas as loucuras que costumava fazer. Fiquei com a sensação de que ele estava decepcionado porque eu nunca aprontava para cima de ninguém. Então, estava sentado no vestiário, enfaixando o joelho com fita adesiva, e o Larry estava tirando a roupa perto de mim. Ele é meio magrinho, fraco, e comecei a pensar no meu pai, na postura dele, em fraqueza… quando eu vi, estava em cima do garoto, enfiando porrada, e meus amigos estavam rindo e me encorajando. E depois, quando estava na sala de Vernon, eu só conseguia pensar no pai do Larry, e no Larry tendo que ir para casa e explicar o que havia acontecido. Em sua humilhação, na puta humilhação que deve Ter sentido. Deve ter sido inacreditável. Como se pede desculpas por algo assim? Não há como. Tudo por causa de mim e meu pai. Deus, como o odeio!”, revela o envergonhado esportista n.1 da conceituada escola. Outro ponto importante que foi apresentado no filme foi em relação ao que iria acontecer na segunda-feira: afinal, o que iria acontecer quando todos se reencontrassem nos arredores da escola? Continuariam amigos ou adotariam a indiferença? A pergunta levantada pelo meigo Briam inquieta a todos. Ele, que pertencia ao clube de matemática, de latim e de física, diferentemente do clube das luluzinhas da princesa Claire; do clube dos esportistas, do robusto Andrew; ou do grupo dos marginais, do polêmico Bender; acostumara-se a ficar oculto no vai e vem das badalações colegiais, bem como Allisson (também sem amigos), que responde: se eu tivesse amigos, conversaria com você normalmente, já que os tipos de amigos que eu tivesse nunca iriam se incomodar. Claire, a única do grupo que diz que provavelmente não conversaria com ninguém, confessa haver uma diferença vergonhosa e oculta que pesa muito mais do que qualquer amizade… a aparência ainda é o mais importante. E diante tudo isso me vem a pergunta: seriam os jovens incapazes de raciocinar logicamente? Todos seus comportamentos devem ser desconsiderados porque eles ainda não alcançaram a idade madura de responder por seus atos? Sendo assim, o que nos faz crer que são os adultos mais coerentes em suas atitudes? Seria porque conseguimos ocultar o que sentimos de forma mais natural, em detrimento de um falso sorriso e aperto de mão? O que são aqueles garotos? Um reflexo do que fomos ontem, do que somos hoje e do que seremos amanhã! Seres em eterno conflito, não porque não se pode ter todas as respostas, mas porque somos forçados a agir como formigas, ignorando o que está ao nosso redor e, até mesmo, em nós mesmos! Como conclusão, gostaria de dizer que este filme mostra, sinteticamente, os tipos de personalidades de adolescentes vistos em qualquer escola, sendo ela da rede de ensino público ou privado. Talvez o quê de universal seja justificado pelo fato de que ele, na verdade, nos mostra que dentro de cada jovem há um pouco de princesa, de machão, de esquisito, de criminoso, e de nerd. Esse filme é, sem duvida, uma grande provocação à professores, pais e alunos. Não só isso, uma provação a todos aqueles que, de tanto se esconder em múltiplas máscaras, acabam perdendo a (idéia) do que verdadeiramente são. Se pudermos extrair alguma lição do filme, esta seria que as pessoas podem vir de diferentes níveis culturais e sociais, ter diferentes talentos e nacionalidades, mas não podem negar terem vivido tormento semelhante a cada adolescente visto no filme… Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais, já nos lembra a boa música! Quem é que vai dizer o contrário?!" (Cinema com Rapadura)

''Selecionado para o projeto Clássicos Cinemark, "Clube dos Cinco" entrou para a história como um dos filmes que ajudaram a definir a adolescência nos anos 1980. E, como outras obras que marcaram aquela década, tem sido alvo de um revisionismo nostálgico, que se apega a aspectos acessórios: as roupas, as músicas, o atual ostracismo dos atores (o infame onde eles foram parar?, muito popular na internet). Mas quem se dispuser a sair da frente do computador e rever o filme na tela grande terá uma surpresa. "Clube dos Cinco" não permite uma celebração fácil do passado, uma festa para se reconciliar com a juventude perdida. Poeta pop da adolescência, o diretor John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado) oferece uma visão amarga da puberdade, que não camufla o lado traumático dessa época. O cineasta constrói uma obra complexa a partir de uma estrutura simples. A trama se passa em um só dia, em um só lugar, e o número de personagens cabe nos dedos das mãos. Em uma escola secundária, alunos passam um dia de castigo, vigiados por um professor sádico, e são obrigados a escrever uma redação dizendo o que pensam de si mesmos. A princípio, eles correspondem a cinco estereótipos: o atleta (Emilio Estevez), a patricinha (Molly Ringwald), a esquisita (Ally Sheedy), o rebelde (Judd Nelson), o CDF (Anthony Michael Hall). O esforço de Hughes é o de desconstruir os tipos, fazer seus personagens – e os espectadores – compreenderem que há mais semelhanças do que diferenças entre eles. Todos eles precisam lidar com as expectativas equivocadas dos pais, a necessidade de pertencimento a seus grupos, a descoberta desajeitada da sexualidade. E cada um esconde um episódio doloroso: o abuso físico e psicológico de um pai, uma tentativa frustrada de suicídio, o sentimento de invisibilidade diante dos outros. Vista como uma época de movimento, a adolescência é tratada como um confinamento, do qual é preciso se libertar para chegar à vida adulta. Ao final, o filme lembra antes uma terapia de grupo do que um baile de formatura. Não se programe para ir a uma festa do tipo Trash 80's depois da sessão. Apesar da trilha do Simple Minds, você provavelmente não estará no clima." (Ricardo Calil) ” - kaparecida445-2-230390
 
51.
Camille (1936)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.5/10 X  
A Parisian courtesan must choose between the young man who loves her and the callous baron who wants her, even as her own health begins to fail. (109 mins.)
Director: George Cukor
“ "O roteiro fica dando saltos estranhos no tempo e Marguerite Gautier não é particularmente uma personagem pela qual deve-se torcer (sua arrogância e futilidade a tornam medíocre). Mas é um bom triângulo amoroso, agradável de se acompanhar." (Alexandre Koball)

"É a melhor versão da clássica história, com todos os elementos orquestrados de forma sofisticada pela direção do mestre George Cukor." (Vlademir Lazo)

10*1937 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
52.
The Lovers (1958)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
Saddled with a dull husband and a foolish lover, a woman has an affair with a stranger. (90 mins.)
Director: Louis Malle
“ ''Revisões empurram os filmes, não raro, para cima ou para baixo. "Os Amantes" faz parte do ciclo dedicado a Louis Malle que o canal francês vem apresentando e está na primeira categoria. Não deixam de ser interessantes algumas cenas de saia justa entre maridos, mulheres e amantes. Mas, de modo geral, a ousadia, que foi a marca desse segundo longa de Malle.'' (* Inácio Araujo *)

1958 Lion Veneza ” - kaparecida445-2-230390
 
53.
The Woman Next Door (1981)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
Two ex-lovers wind up living next door to each other with their respective spouses. Forbidden passions ensue. (106 mins.)
“ A MULHER DO LADO

'' É possível que o luminoso final de carreira de François Truffaut esteja ligado ao encontro com Fanny Ardant, sua última mulher e última atriz. Em "A Mulher do Lado" ela é a mulher casada que vai morar ao lado da cada de seu ex-amante, vivido por Gérard Depardieu, também casado. O filme conduzirá ao reencontro dos amantes (não, não é o fim da história), mas o mais interessante não é tanto isso quanto o encantamento que Truffaut confere aos personagens e à situação. É interessante, porque estamos diante de um argumento típico de Claude Chabrol (província, hipocrisias, amores clandestinos etc.), mas em Chabrol isso desemboca em crime, em mistério, em ar pesado, até em tragédia. Com Truffaut não é a ironia que comanda, mas um irrefreável desejo de viver.'' (* Inácio Araujo *)

1982 César ” - kaparecida445-2-230390
 
54.
How to Steal a Million (1966)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
Romantic comedy about a woman who must steal a statue from a Paris museum to help conceal her father's art forgeries, and the man who helps her. (123 mins.)
Director: William Wyler
“ "A química entre o cineasta William Wyler e seu casal de protagonistas garante um dos filmes de roubo mais charmosos e adoráveis do cinema. " (Heitor Romero) ” - kaparecida445-2-230390
 
55.
The Red Shoes (1948)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.3/10 X  
A young ballet dancer is torn between the man she loves and her pursuit to become a prima ballerina. (134 mins.)
“ "Powell e Pressburger passeiam entre a magia das super-produções hollywoodianas e a dureza do cinema europeu para filmarem um dos mais impressionantes e belos musicais. É lindo, é trágico, é de deixar o queixo lá embaixo por mais de 2 horas." (Daniel Dalpizzolo)

21*1949 Oscar / 06*1949 Globo / 1948 Lion Veneza ” - kaparecida445-2-230390
 
56.
The French Connection (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
A pair of NYC cops in the Narcotics Bureau stumble onto a drug smuggling job with a French connection. (104 mins.)
“ "O que seria do detetive Popeye Doyle sem seu chapeuzinho? Popeye é o herói de "Operação França". Quem vir o filme agora poderá achar que aquele chapeuzinho foi moda. Ledo engano. Nunca o vi em outra cabeça que não a de Gene Hackman, intérprete de Popeye. Todos sabemos que "Operação França" é um policial sobre combate a traficantes de entorpecentes. E que o filme é marcante, por exemplo, pelas seqüências notáveis de perseguição, dessas que só o diretor William Friedkin parece capaz de conceber. Mas o que mais fica presente (para mim, em todo caso) é o chapéu de corpo e aba redondos, que não se contenta em parecer desajeitado na cabeça que o veste. Ela torna o corpo inteiro um inconveniente, uma coisa em descompasso com o mundo. Às vezes se pensa que o difícil em cinema é ter grandes idéias. Não é. Achar essas pequenas coisas é que dá vida aos filmes e os mantém vivos por décadas, como, aliás, neste caso." (* Inácio Araujo *)

''É sempre um prazer e um aprendizado de cinema voltar a "Operação França", pela ambientação, pela fotografia seca, pela força que se percebe a cada plano da direção de William Friedkin. Ali estão Popeye Doyle (Gene Hackman) e seu rival, Alain Charnier (Fernando Rey). O primeiro, impulsivo, descontrolado por vezes. Note-se a obra-prima que é seu chapéu: basta olhá-lo para ver um homem simplório. O segundo, grande traficante, friamente perverso, sofisticado. O argumento tem um quê convencional, é verdade. Mas o filme aos poucos desvia-se, em parte pela caracterização dos dois inimigos: são como o positivo e o negativo de uma situação. Conhecem-se muito bem, pois são como gêmeos. Também vale mencionar o trabalho de Owen Roizman, diretor de fotografia sempre a serviço dos filmes que faz.'' (** Inácio Araujo **)

44*1972 Oscar / 29*1972 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
57.
King Lear (1987)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.7/10 X  
Everything returns to normal after Chernobyl. That is, everything but art. Most of the great works are lost... (90 mins.)
Director: Jean-Luc Godard
“ "Uma salada mista de cinema, literatura, ficção científica e revolta política que só poderia ter saído da mente de Godard. Infelizmente a mistura não deu certo e mesmo com o elenco curioso o filme não passa de uma aberração desnecessária." (Heitor Romero) ” - kaparecida445-2-230390
 
58.
Home Alone (1990)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.5/10 X  
An eight-year-old trouble-maker must protect his home from a pair of burglars when he is accidentally left home alone by his family during Christmas vacation. (103 mins.)
Director: Chris Columbus
“ "Com a proximidade do Natal, volta a cena "Esqueceram de Mim", um dos mais persistentes sucessos do período. O plot é a calhar: na confusão na saída de férias uma grande família esquece o pequeno Kevin em casa. O fantasma infantil de ser esquecido pelos adultos age aqui com desenvoltura. Mas, mais ainda, importa que essa situação de terror acaba se convertendo em chance para o menino usar sua imaginação ao combater dois ladrões que tentavam roubar a casa. O filme de Chris Columbus foi, no mais, o grande impulsionador da carreira precoce de Macaulay Culkin, que prosseguiu com o mais euforizante (para crianças) Esqueceram de Mim 2. A ele será o caso de voltar. (* Inácio Araujo *)

"Lá disserta-se a respeito da fantasia infantil de se ver livre da tutela dos pais. É verdade que há uma contrapartida, pois o jovem esquecido terá de enfrentar perigos. Mas terá a oportunidade de usar sua imaginação para defender-se. Hoje, esses filmes são clássicos infantis." (** Inácio Araujo **)

"Continua como o melhor dos filmes reprisados na televisão, em época de Natal, junto com Gremlins." (Heitor Romero)

"Comédia inocente (ainda que a criança seja muito endiabrada!) e muito engraçada! Quase toda criança à época quis um dia ser Kevin McCallister." (Rodrigo Torres de Souza)

63*1991 Oscar / 48*1991 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
59.
Stand by Me (1986)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
After the death of a friend, a writer recounts a boyhood journey to find the body of a missing boy. (89 mins.)
Director: Rob Reiner
“ "Sem ser um filme de Natal, "Conta Comigo" não deixa de ser um bom filme para a época. Corria a metade dos anos 1980, o cinema ainda não era limitado aos grandes lançamentos (embora eles já começassem a predominar), de maneira que era perfeitamente possível fazer um filme de orçamento médio e não ser escorraçada das salas. E Rob Reiner foi feliz ao narrar a história dos quatro adolescentes que, tendo um amigo desaparecido, se põem a procurar seu corpo. A história original é do escritor Stephen King, mas não se trata de um filme de terror. Ou não de todo. Isso é, tudo na adolescência tem uma parte de terror (e outra de encanto, a coisa é meio simétrica mesmo). Procurar um corpo tem algo de sinistro, em particular quando há uma gangue do lado oposto. Mas a ênfase fica na aventura - a aventura da amizade sobre tudo - e em tudo o que para esses jovens é descoberta do mundo." (* Inácio Araujo *)

"Excelente filme, com River Phoenix mostrando que poderia ser bom ator desde adolescente. Talvez a melhor coisa que o cinema produziu a partir da obra de Stephen King (o que não é pouca coisa!)." (Demetrius Caesar)

"No I won't be afraid, no I won't be afraid. Just as long as you stand, stand by me." (Heitor Romero)

"É - afinal de contas - uma busca abstrata, isto é, uma busca pelo amadurecimento, pelo reconhecimento e enriquecimento interior, algo pouco visto de forma pelo menos interessante no cinema dirigido a crianças e adolescentes." (David Campos)

"Conta Comigo" parte de um conto de Stephen King, mas não como os outros, os que conhecemos. Aqui existe um grupo de quatro amigos que buscam um corpo sumido nas imediações." (** Inácio Araujo **)

O essencial, porém, neste filme de Rob Reiner, é tanto a busca quanto a solidariedade que se estabelece entre os amigos.

Foi um belo momento em que o cinema juvenil (estávamos em 1986) pareceu tão adulto quanto costumam ser os adolescentes. Uma pena que Rob Reiner não tenha, na sequência, feito outros filmes tão marcantes


Em meio à baixa qualidade dos filmes do gênero de hoje em dia, essa obra-prima dos anos 80 é o mais perto que podemos chegar de sermos crianças novamente.

''Há algum tempo que venho falando dos grandes clássicos da Sessão da Tarde. Nada mais justo do que, em uma matéria deste inacabável especial, eu falar sobre um dos grandes nomes dessa geração: ''Conta Comigo'' é muito mais do que um filme sobre amizade; é também um complexo retrato dos jovens que, por mais que os anos passem, sempre serão os mesmos. Uma das provas disso é que o filme se passa em 1959, mas sua mensagem pode ser captada por qualquer um que tenha tido uma boa infância e sabe da saudade que bate de cada coisa que fizemos nessa fase tão especial de nossas vidas. A história é baseada em um conto de Stephen King (The Body) e é também a sua obra mais pessoal: tudo remete claramente a uma fase de sua vida; seu irmão morto em um acidente de carro, o fato de o personagem principal ser um escritor famoso quando velho e diversas outras metalinguagens pessoais. Na trama, quatro jovens amigos ficam sabendo do paradeiro de um cadáver de um jovem desaparecido a poucos quilômetros de onde moram e, visando serem vistos como heróis por todos na pequena cidade, decidem achar o cadáver e fazer dele a ponte para o sucesso noticiário. Só que o filme é, assim como a viagem dos meninos, uma grande jornada de aprendizado. Ao longo dos acontecimentos, questionamos diversos pontos de nossas vidas pelo olhar ingênuo e sincero dos personagens. Um grande exemplo disso é quando Gordie (Wil Wheaton) e Chris (River Phoenix) estão conversando sobre futuro e como os pais de Gordie não dão valor aos talentos do filho. Com certeza, para as crianças que assistirem a essa cena, será uma bela lição sobre futuro; e para os pais um belo soco na consciência para olhar para seus pequenos e ver se eles estão agindo certo com eles. Nessa mesma cena há um contraste interessantíssimo, pois enquanto Gordie e Chris conversam sobre algo sério, Teddy (Corey Feldman) e Vern (Jerry O’Connell) estão discutindo sobre uma possível luta entre o Superman e o Supermouse (E por que eles dois não podem lutar? É simples; um é de verdade, o outro é um desenho). Outro ponto interessante de se ressaltar o espírito de ser criança, que pode ser uma importantíssima lição para os jovens precoces de hoje, é quando um dos personagens faz uma linda menção ao fato de ser criança, já que ele vai viver apenas uma vez essa fase em sua vida. E é isso mesmo, fazer coisas simples, com pouco dinheiro, mas que rendam milhares e milhares de histórias e saudades no futuro. Um dos grandes trunfos do filme é nos fazer sentir saudade de quando éramos crianças, de quando não tínhamos preocupações e como era gostoso simplesmente descobrir tudo, exatamente como seus personagens na história. Contrastando com esse espírito de ser jovem e aproveitar cada momento dessa fase há a personificação de uma geração: no começo do filme, somos apresentados aos personagens enquanto eles fumam, jogam baralho e falam sobre coisas de gente grande. A pressa em crescer sempre foi uma das características dos jovens, mas ao traçar esse paralelismo, o filme ganha força principalmente ao provar a ingenuidade dos garotos no final, quando eles encontram o corpo (não estou estragando nenhuma surpresa, afinal, uma das primeiras frases do filme diz que eles realmente encontraram o corpo). Agora um dos meus pontos preferidos no longa é sua mensagem final. A importância da amizade geralmente só é encontrada quando essa deixa de existir. E encontrar amizades sinceras, como as que temos quando jovens, fica cada vez mais difícil. O modo como isso é passado é altamente tocante, com situações que colocam as amizades a prova, com um forte fator ao seu favor: é praticamente impossível não se identificar com qualquer uma delas. Mesmo que não tenhamos vivido algo parecido, a força de nos sentir crianças como os personagens dá ao longa uma vida universal, fantástica e profundamente tocante. O roteiro é aparentemente simples, com as coisas simplesmente acontecendo na tela, sem dar muitas brechas para raciocinarmos sobre o que está acontecendo. Mas, ao contrário de diversas outras produções diretas, essa característica acaba se tornando uma virtude em meio à mensagem que se deseja alcançar: é melhor passá-la de modo claro e deixar que cada um vista a carapuça do que colocar tudo no ar, tirando o impacto da mensagem. Só que os personagens são bem mais complexos do que meras crianças. Mesmo com tudo sendo dito na tela, fica impossível não sentir cada vida quando descobrimos tudo o que aconteceu com os jovens, seus detalhados passados, seus sofrimentos e, principalmente, a angústia desesperada de se tornarem alguém na vida. A mensagem não é vista claramente no filme, e sim sentida, pois no final, ao invés de simplesmente lermos a ‘moral da história’, ficamos pensando em tudo o que aconteceu e vemos que tudo é infinitamente mais complexo do que pode parecer à primeira vista. É um leque de sentimentos que se abre infinitamente enquanto pensamos na (aparente) simples história que acabamos de presenciar. Outro ponto forte a favor do longa é de não poupar ninguém de nada. As crianças viajaram atrás de um corpo, certo? Pois bem, para a mensagem ficar bem clara e impactante, nada mais justo do que o corpo aparecer em um grande close na tela. Assim como as crianças, ficamos chocados ao perceber que, ao invés de um caminho para a fama, aquela viagem serviu mais para um caminho de consciência, de um crescimento forçado pela situação. Ao invés da consagração, há a humanização. Não há graça como pensávamos, e a seqüência nos traz de forma violenta de volta à realidade sobre a morte, do modo inesperado como ela pode acontecer e, principalmente, o quanto nos sentimos aliviados de estarmos vivos. Todos mudam com a viagem, principalmente nós, que estamos assistindo-a. Em meio à deslumbrantes paisagens e uma poderosa trilha sonora, vemos alguns rostos bastantes conhecidos de filmes da época e alguns mais famosos ainda nos dias de hoje em início de carreira. Corey Feldman saiu diretamente de um outro filme infantil importante, Os Goonies, para Conta Comigo, e River Phoenix viveu alguns anos depois o jovem Indiana Jones em Indiana Jones e a Última Cruzada, alguns anos antes de falecer de overdose por causa de seu problema com as drogas, com apenas vinte e três anos de vida, nos braços do irmão hoje famoso Joaquin Phoenix (é meio prozac ver, no filme, o garoto falar tanto sobre futuro e pensar que o ator, morto no longa apenas velho, falecer em uma idade tão jovem na vida real). Um dos destaques do elenco é Kiefer Sutherland, hoje bem mais conhecido como o valentão Jack Bauer da série 24 Horas. Aqui é apenas um dos seus vários papéis que comprovam a fama de bad boy do astro, que dizem que se confirma na vida real. Outro que tem uma participação um pouco menos perceptível é John Cusack, astro de filmes como O Júri e Identidade, fazendo o falecido irmão de Gordie. Com bem mais destaque, porém, temos um Richard Dreyfuss já bastante famoso depois de participar de duas obras-primas de Steven Spielberg (Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau) fazendo apenas uma pequena participação como Gordie adulto, mas em uma seqüência importante fechando a mensagem da trama - quando ele brinca com seus filhos fora do escritório, o ciclo da infância voltou mais uma vez ao início. Sempre haverão crianças, e suas infâncias sempre serão únicas. Por fim, temos uma lição de vida incrivelmente bem filmada, completada perfeitamente pelas belas imagens e seqüências muito bem dirigidas (a do trem, apesar de óbvia, é maravilhosa e uma das marcas do filme). Um road movie não tão road assim, as mensagens são fortes o suficiente para marcar não apenas uma boa sessão de cinema, mas também para serem usadas como lição de vida por muitas e muitas gerações de jovens por aí. Duvido que alguém não sinta saudades de sua época de infância logo após o final da exibição. Em meio à baixa qualidade dos filmes do gênero de hoje em dia, essa obra-prima dos anos 80 é o mais perto que podemos chegar de sermos crianças novamente." (Rodrigo Cunha)

59*1987 Oscar / 44*1987 Globo

Top 250#177 ” - kaparecida445-2-230390
 
60.
Scenes from a Mall (1991)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.3/10 X  
On their 16th anniversary, a married couple's trip to a Beverly Hills mall becomes the stage for personal revelations and deceptions. (89 mins.)
Director: Paul Mazursky
“ "Woody Allen já engessado." (Demetrius Caesar) ” - kaparecida445-2-230390
 
61.
Jules and Jim (1962)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
Decades of a love triangle concerning two friends and an impulsive woman. (105 mins.)
“ "Talvez o melhor filme de François Truffaut, "Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois" condensa bem o espirito da nouvelle vague francesa. Nele estão liberdade, o amor livre (sobretudo pelo cinema) e uma visão franca sobre o mundo e a vida." (Paulo santos Lima) ” - kaparecida445-2-230390
 
62.
The Tenant (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
A bureaucrat rents a Paris apartment where he finds himself drawn into a rabbit hole of dangerous paranoia. (126 mins.)
Director: Roman Polanski
“ "Polanski novamente versa sobre as fronteiras da sanidade em mais uma obra de profundo viés psicológico, ainda que aquém de outros de seus trabalhos. Mesmo assim, é um belo filme, que abraça a bizarrice e o pesadelo - sem contar um bem-vindo humor negro." (Silvio Pilau)

"Um terror de classe, atmosférico e muito bem planejado. O ambiente urbano, sufocante e vertiginoso colabora com Polanski e sua câmera, em um retrato perturbador e demente do homem moderno." (Heitor Romero)

1976 Palma de Cannes / 1977 César ” - kaparecida445-2-230390
 
63.
Two-Lane Blacktop (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
A story of two men drag-racing across the U.S. in a primer grey '55 Chevy. Dennis Wilson is the mechanic, James Taylor is the driver. (102 mins.)
Director: Monte Hellman
“ ''Entre meados dos anos 1960 e o final dos 70 ocorreu no cinema americano o que muitos historiadores consideram um hiato, dentro do qual os grandes estúdios cederam aos humores e estilos de jovens diretores. É a chamada Nova Hollywood, representada aqui numa coleção com seis filmes essenciais para entendermos o período. "Corrida Sem Fim'', de Monte Hellman, é obrigatório para entendermos esse momento do cinema americano. Dois aventureiros, interpretados pelos músicos Dennis Wilson (dos Beach Boys) e James Taylor, viajam por estradas americanas conquistando mulheres e apostando corridas. Monte Hellman dizia que seu filme é verdadeiramente transgressor, porque em Easy Rider, de Dennis Hopper, os motoqueiros lidam com gente preconceituosa, enquanto os corredores de Hellman lutam contra o sistema, a sociedade capitalista. Igualmente obrigatório é A Outra Face da Violência, de John Flynn. Tem roteiro de Paul Schrader e cenas violentíssimas, que ilustram bem o clima barra pesada da sociedade americana nos anos 1970 (o filme foi realizado em 1977, mas a história se passa em 1973). Os combatentes da Guerra do Vietnã não encontravam mais lugar entre os seus. Viviam num limbo da sociedade, mesmo sendo recebidos como heróis. Circunstâncias os levam a repetir, em solo caseiro, a violência que viveram nas selvas asiáticas. Procura Insaciável é o primeiro longa americano do tcheco Milos Forman. Fala do conflito de gerações na época dos hippies, de maneira semelhante, ainda que mais cômica, a de Joe, o grande e violento filme de John G. Avildsen. O momento máximo de "Procura Insaciável" é o encontro na Sociedade dos Pais de Filhos Fugitivos, dentro do qual um usuário ensina todos os pais presentes a apreciarem um baseado. Robert Altman já era um veterano da televisão e vinha do grande sucesso de M.A.S.H. quando realizou Voar é Com os Pássaros. Nesse filme insano e ambientado em Houston, cheio de reviravoltas e esquisitices, encontramos um ornitólogo que vai aos poucos se transformando num pássaro, um jovem que quer voar, uma jovem cleptomaníaca, um superdetetive de São Francisco entre outros doidões. Procura Insaciável, "Corrida Sem Fim" e, principalmente, Voar É Com os Pássaros são exemplos perfeitos do que o crítico Robin Wood chamou de textos incoerentes. Ou seja, filmes completamente abertos, que exigem do espectador um outro comprometimento. Do outro lado temos o excelente Essa Pequena é uma Parada, em que Peter Bogdanovich homenageia as comédias malucas dos anos 1930 e seu maior ídolo, Howard Hawks. No balanço entre tradição e invenção que baseou a Nova Hollywood, podemos dizer que o filme de Bogdanovich está mais para a tradição. Mas seria equivocado não observar o que ele tem de invenção. Em uma coleção identificada com um cinema mais autoral e ousado, essa diversão inconsequente tende a ser subestimada. Mas trata-se de um excelente modelo de uma faceta muito cara aos diretores da Nova Hollywood: o cinema que faz alusão à sua própria história. Fechando a coleção, O Comboio do Medo, de William Friedkin, é a inspirada refilmagem de O Salário do Medo, clássico francês de Henri-Georges Clouzot. Roy Scheider deve atravessar uma região selvagem com um caminhão lotado de nitroglicerina. Friedkin foi sábio o suficiente para evitar os erros do original, acrescentando um tanto de crueza e loucura nessa aventura." (Sergio Alpendre)

"Pode-se pensar em Sem Destino, em que os amigos druzavam os EUA em motos. Mas "Corrida sem Fim" é um filme muito mais interessante. Ali, os persoinagens sem nome -Piloto e Mecânico - ao mesmo tempo em que cruzam o país disputam corridas de automóvel. São movidos pela paixão por automóveis, sem dúvida, mas, mais que isso, pelo desejo de estar na estrada. Nesse sentido, o titulo brasieiro desse filme de Monte Hellman é perfeito: eles correm antes de tudo porque não tem a onde chegar. Se os heróis de Sem Destino carregavam um desejo de constestação, estes nem isso. Limitam-se a ocupar, silenciosamente, as estradas e seus corpos. Não é todo dia que se pode ver uma obra original como essa." (* Inácio A raujo *)

"Um puta retrato da juventude dos anos hippies: vazia e sem rumo, e certamente imprevisível." (Alexandre Koball)

"Quase dá para sentir o cheiro da gasolina, do asfalto queimado, do vazio estético e metafórico e do desinteresse pelo futuro." (Rodrigo Cunha) ” - kaparecida445-2-230390
 
64.
Cloak and Dagger (1946)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.6/10 X  
In WW2, the Allies race against time to persuade two nuclear scientists working for the Germans to switch sides. (106 mins.)
Director: Fritz Lang
“ O GRANDE SEGREDO

"Os cientistas podem ter um ar inofensivo, mas suas criações costumam ser bem poderosas. Esse paradoxo encontra-se exposto na inconsolável figura do doutor Polda de "O Grande Segredo". Ele é refém dos nazistas, para quem é forçado a trabalhar, em busca da arma invencível (a bomba atômica) que Adolf Hitler tanto buscava. Para enfrentá-lo, os americanos transformam um outro cientista em espião, que deve invadir o terreno inimigo e tentar resgatá-lo. Esta certo que o espião é Gary Cooper, alguém nada indefeso. E o filme, se não é um Fritz Lang maior, traz uma das mais belas lutas (seguida de morte) já filmadas pelo cinema americano." (* Inácio Araujo *) ” - kaparecida445-2-230390
 
65.
West Side Story (1961)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
Two youngsters from rival New York City gangs fall in love, but tensions between their respective friends build toward tragedy. (152 mins.)
“ "Para que um romance musical funcione, ele precisa imergir o espectador totalmente em sua magia. Desse modo, suas falhas técnicas já não importam tanto. Surpreende que uma obra de tamanho status, não consiga ao menos cumprir tais pedidos de seu gênero." (Junior Souza)

34*1962 Oscar / 34*1962 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
66.
The Libertine (2004)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.4/10 X  
The story of John Wilmot, a.k.a. the Earl of Rochester, a 17th century poet who famously drank and debauched his way to an early grave, only to earn posthumous critical acclaim for his life's work. (114 mins.)
 
67.
The Last Picture Show (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
In 1951, a group of high schoolers come of age in a bleak, isolated, atrophied West Texas town that is slowly dying, both culturally and economically. (118 mins.)
“ "Estamos em Anarene, pequena cidade do Texas, EUA, na virada dos anos 50, e o cinema local prepara-se para sua última sessão. O cinema está acabando. O cinema como grande diversão, capaz de encher salas com mil lugares, em todo caso. Peter Bogdanovich pode até lamentá-lo, mas esse não é, por incrível que pareça, o ponto memorável de "A Última Sessão de Cinema". Mesmo porque Anarene também parece estar prestes a ser dizimada. E Anarene é o centro do mundo. Porque o centro do mundo é o lugar onde estamos, fazemos amizade, amamos e sofremos. O mundo são as pessoas que conhecemos e que se tornam referência. Tanto mais se estamos crescendo, como a garotada do filme. Tanto mais se experiências profundas vão acontecer, indiferentes à indiferença do universo por Anarene. Um filme delicado, doce, amargo." (* Inácio Araujo *)

"Para um adolescente do começo dos anos 50, segundo o diretor Peter Bogdanovich, o mundo se restrigia a três coias: garotas, esportes e cinema. Assim é de imaginar o que acontece quando se sabe que, numa pequena cidade do Texas, o cinema vai fechar e acontecerá "A Última Sessão de Cinema". Bogdanovich descreve o evento como quase o fim do mundo. E de certa forma era mesmo o fim do mundo. A última guerra limpa já tinha acabado, o mundo do cinema já estava acabando também. Esse mundo que tinha o cinema por centro. Não por acaso, o filme foi feito em preto-e-branco (em 1971 isso já era raro), num preto-e-branco crispado, amargo como essa obra-prima desencantada." (** Inácio Araujo **)

"A Última Sessão de Cinema" sugere mais do que o filme propõe. Parece que vamos ver o fim do cinema. Mas Peter Bogdanovich nos mostra o fim de um cinema numa cidadezinha.
O que será que este título queria dizer efetivamente? Com aquele cinema de fim de mundo que acabava, de certa forma acabava o cinema inteiro. E é neste sentimento de prostração que o filme nos deixa. É claro que Bogdanovich pensava nas duas coisas: no fim de um cinema em 1950 e no fim de um modo de ser do mundo, aquele que o cinema comandou, que durou até 1960 e que nos 70 agonizava. Essa estranha melancolia que o filme transmite vem também do preto-e-branco e, diabo, a cada dia se acentua -isto é, a idéia se torna mais verdadeira."
(*** Inácio Araujo ***)

"O filme que botou Bogdanovich no mapa é um melancólico 'coming of age', no qual as descobertas de um grupo de jovens vêm acompanhadas de desilusões e perdas. Muito bem filmado e com ótimas atuações, ainda que um pouco cansativo." (Silvio Pilau)

44*1972 Oscar / 29*1972 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
68.
Drugstore Cowboy (1989)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
A pharmacy-robbing dope fiend and his crew pop pills and evade the law. (102 mins.)
“ ''O humor que existe em "Drugstore Cowboy" vem do drama: é, afinal, de um grupo de drogados especializado em assaltar farmácias que trata esse filme de Gus Van Sant. E o risco que correm vem do vício pelos produtos que se abrigam nas farmácias. Ao mesmo tempo, esse risco os diverte. A aflição produz o humor, que está na base do drama: os gêneros se completam em vez de se repelirem.'' (* Inácio Araujo *)

*****
''Em dado momento, "Drugstore Cowboy" invade a seara dos grandes filmes: é quando um dos grupos de viciados morre e é preciso que seu corpo seja removido. Seguem-se decisões insensatas - não só por efeito das drogas como porque nessas circunstâncias as decisões são sempre um pouco assim (ver: Um Retrato de Mulher). Mas esse é o toim, de todo modo, do filme que projetou Gus van Sant - e que permanece, cá entre nós, como seu melhor trabalho. Trata-se de seguir um grupo de drogados dos anos 1970, que se abastece, basicamente, assaltando farmácias. Um grupo nômade, já se pode adivinhar. Tratando de um assunto crítico, Van Sant soube ser leve, bem-humorado e profundo na observação do grupo, de sua época e de seus hábitos. E soube mostrar o prazer e o horror do uso de certas substâncias proporciona.'' (** Inácio Araujo **)

''Antes de ganhar destaque com Garotas de Programa, G~enio Indomável e Milk - A Voz da Igualdade, entre mais de 30 filmes, o diretor Gus Van Sant mostrou neste Drugstore Cowboy seu talento para narrativas com desajustados. Matt Dillon, ma época uma espécie de bad boy oficial em Hollywood, interpreta Bob, o lider de um grupo de jovens viciados que assalta farmácias para garantir o estoque próprio. O filme, quase noir e carregado de filosofia barata, tem cenas de um cinismo ímpar e a participação do escritor William S. Burroughs. Chamá-lo de cult ainda é pouco para um filme tão delirante." (Thales de Menezes}

1990 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
69.
Who's Afraid of Virginia Woolf? (1966)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
A bitter, aging couple, with the help of alcohol, use a young couple to fuel anguish and emotional pain towards each other. (131 mins.)
Director: Mike Nichols
“ "Cruel, intenso, dramático, inteligente. Excelentes diálogos, atuações memoráveis, direção precisa. Uma interpretação nada agradável ou otimista sobre a natureza destrutiva dos relacionamentos e as desilusões provocadas pela vida. Grande, grande filme." (Silvio Pilau)

"Um hino à crueldade, ao sadismo, à destruição da vítima por meio de palavras e ações, tendo a boca como principal arma de ataque. Apela sempre - e excessivamente - para os exageros (tanto os atores quanto as situações), mas sai ileso de boa parte deles." (Junior Souza)

"Mike Nichols aproveita o que há de melhor nos exageros dramáticos típicos do cinema da velha Hollywood e adiciona um toque vanguardista em seus movimentos de câmera, potencializando o efeito dos belos diálogos e salientando as grandes atuações do elenco." (Heitor Romero)

39*1967 Oscar / 24*1967 Globo

Top 250#204 ” - kaparecida445-2-230390
 
70.
Un soir, un train (1968)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.2/10 X  
Mathias is a Belgian linguist, living with French theatre producer Anne. After a quarrel about moral questions... (86 mins.)
Director: André Delvaux
“ LAÇOS ETERNOS ” - kaparecida445-2-230390
 
71.
The Desperate Hours (1955)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
Glen, Hal and Sam are three escaped convicts who move in on and terrorize a suburban household. (112 mins.)
Director: William Wyler
 
72.
Vera Cruz (1954)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.1/10 X  
During the Mexican Rebellion of 1866, an unsavory group of American adventurers are hired by the forces of Emporer Maximilian to escort a countess to Vera Cruz. (94 mins.)
Director: Robert Aldrich
“ "Aldrich é o pai do western spaghetti." (Daniel Dalpizzolo)

"A investida do controverso e amoral Aldrich no western pavimentou de forma muito apropriada o caminho entre o faroeste clássico de Ford e Hawks e os filmes revisionistas de Leone e Peckinpah." (Bernardo D I Brum)

"Vera Cruz". Aliás, não é uma segunda opção: o faroeste de Robert Aldrich (1954) é uma obra-prima completa. Estamos no México, 1866, e dois aventureiros chegam ao país em vista de se aproveitar da rebelião contra o imperador Maximiliano. Gary Cooper e Burt Lancaster poderão estar de um lado ou de outro. Estarão onde está o dinheiro, a maior parte do tempo. E estarão num faroeste violento e preciso, precursor do que faria Peckimpah uns 15 anos depois." (* Inácio Araujo *)

''André Bazin já dizia, o western é o cinema americano por excelência. Como muitos sabem, buscava retratar a conquista do Oeste dos Estados Unidos durante o período de colonização, seu domínio sobre os povos que estavam lá antes. Em sua origem, era um cinema patriota, que glorificava os feitos norte-americanos, sem se importar muito com visões tridimensionais das histórias que estavam sendo contadas. O americano era o bom, quem não era representava o mal. E pelos anos 60, diretores começaram a virar o gênero de cabeça para baixo. Gigantes como Peckinpah e Leone escolheram essa vertente cinematográfica como principal forma de expressão. Personagens cada vez mais violentos, egoístas, passando por cima de qualquer um para obter sucesso. Mas se antes Nicholas Ray já havia ousado ao colocar duas protagonistas femininas em um western em “Johnny Guitar”, um espaço deve ser reservado para falar desse “Vera Cruz”, do também gigante Robert Aldrich, pouco lembrado pelo grande público. Logo nas primeiras cenas já percebemos uma forte característica do western, um plano aberto, mostrando apenas um homem, como se estivesse sendo engolido pela natureza que está em volta. Descobrimos depois, que esse é Trane, o clássico herói americano. Lutou na Guerra da Secessão, pelo sul, saiu derrotado, e sai por aí em busca de novas oportunidades. Suas roupas são de cores claras, talvez representando sua inocência nesse novo mundo que vamos conhecer através das lentes de Aldrich. E não poderíamos esperar outra coisa desse diretor, que é conhecido por seu cinema furioso, que não tem pudor em inflamar cada plano de seus filmes (assista A Morte Num Beijo se ficar com alguma dúvida). Ele se depara com um mundo diferente. Ele se envolve com outro mercenário, Joe Erin. Joe já entende como a engrenagem está funcionando. É o oposto de Trane, nota-se também pela sua roupa, dominada pelo preto, contrastando com o figurino de Trane. Ele já conhece as artimanhas necessárias para sobreviver naquela algazarra, e sabe que o modo mais seguro de passar pro tudo é ligando apenas para si mesmo. Forma alianças que não significam nada, pois sabe que vai ignorá-las ao sinal do menor perigo. Eles partem em busca de algum trabalho, o que se mostra como uma oportunidade ideal para Trane ir se familiarizando com as novas diretrizes da sociedade. É como uma passagem de bastão, do protagonista do western clássico, imortalizado por diretores como John Ford (que mais tarde também participaria da desconstrução do gênero) para o novo e inescrupuloso, mas talvez mais fiel à realidade.
Mesmo tendo esse lado reflexivo sobre o gênero, deve-se ter em mente uma coisa: o filme é divertido ao extremo. Se você não quer saber como era o western antes ou depois, não se preocupe, porque Aldrich garante a atenção do expectador mais desatento com violência desenfreada (que foi considerada chocante na época), personagens amorais que beneficiam o surgimento de reviravoltas inesperadas, tiros, explosões, e tudo mais. Aldrich mostra um talento preciso ao capturar tudo isso, a ação é sempre mostrada com enquadramentos bem feitos, deixando nada passar. E mesmo que a mensagem que fica seja pessimista (no meio de tanta sujeira, traição, desonestidade, violência e outras coisas mais), Aldrich não deixa de mostrar que o tal típico herói americano é obsoleto e deve desfazer de algumas amarras se quiser ter forças nessa ordem nova. Trane só acha afeto, algo que não é passageiro para se agarrar, em uma, olhe só, mexicana. Mexicanos que até hoje sofrem muito preconceito dos americanos mais conservadores. Aqui vemos um pontapé de várias das idéias que Aldrich abordaria posteriormente em sua obra, como a violência e a ganância do homem, e usa o gênero mais querido dos americanos para tal fim. Não é uma obra-prima, mas deveria ser mais lembrada." (Augusto Cesar) ” - kaparecida445-2-230390
 
73.
Pickup on South Street (1953)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
A pickpocket unwittingly lifts a message destined for enemy agents and becomes a target for a Communist spy ring. (80 mins.)
Director: Samuel Fuller
“ ''Crimes, armas, mulheres fatais e heróis sem nenhum caráter. Juntem-se a isso as obscuridades predominantes nas tramas e na fotografia e te-se o que se convencionou chamar de filmenoir. O termo foi cunhado pela crítica francesa quando se deparou, no fim da Segunda Guerra, com um punhado de títulos que vinham sendo produzidos pelos americanos, mas não tinham chegado a Europa sob o domínio do nazifascimos. Mais que recorrência de temas e tratamentos, a distinção alcançada pelo noir deve-se ao fato de aqueles filmes projetaram uma imagem brutal e realista da sociedade americana, funcionarem como questionamento do otimista sonho americano até então predominante nas produções de Hollywood. A reunião de seis obras realizadas no período áureo desse subgênero do policial pérolas ainda pouco conhecidas e permite medir a influência de sua estética e de sua temática. Produzidos entre 1947 e 1955, eles pertencem ao período chamado clássicos do noir, quevai do ínicio dos anos 1940 até cerca de 1959 e foi seguido por distintas ondas de neo-noir que, desde adécada de 60, ressurgiram na forma de homenagens e pastiches. Na ordem cronológicas, "Fuga do Passado" abbre o pacote. Com a assinatura de Jacques Tourneur, é considerado um dos títulos essenciais do gênero, por causa da ênfase maior em atmosfera do que na ação e no conflito entre um homem bom, uma mulher irresistível e um chefão impiedoso. O uso de um longo flashback é outra estratégia narrativa peculiar. Aqui, a fatalidade distorce as escolhas e o teor pessimista se sobrepõe, anunciando os protagonistas sombrios do cinema americano dos anos 70 e dasséries de TV comtemporâneas. A complexidade moral é outro diferencial do noir, com personagens de múltiplas camadas servindo de filtro entre o espectador e a história. O caráter de Pat, narrador de Entre Dois Fogos, mistura o positivo e o negativo, a personagem pode aparecer frágil ou antipática. Em oposição a ela, a boazinha Ann também pode assumir diversas faces. O contrastado preto e branco da fotografia de John Alton dá ao diretor Anthony mann a oportunidade de demonstra como, em meio as sombras, torna-se difícil distinguir o bem e o mal. Esse tipo de cisão de moral e oportunidade de examinar a oscilação de caráter são temas que garantem a riqueza do noir, como pode se conferir em Passos da Noite e O Cúmplice das Sombras. Dirigidos respectivamente por Otto Preminger e Joseph Losey, esses títulos revelam o noir como nicho de liberdade estilística e de crítica social. Em ambos, o personagem central é um policial cujos métodos todos os colocam muito mais do lado do crime do que da lei. Mesmo que sofram punições, isso pouco disfarça a vocação desses diretores para revelar ascontradições entre ideias e pragmatismo. Sanuel Fuller e Robert Aldrich assinam as duas obras-primas do noir que completam o pacote. Anjo do Mal, dirigido pelo primeiro em 1953, A Morte num Beijo, realizado pelo segundo em 1955, que também expande os limites aceitáveis da representação da violência. Neles, a Guerra Fria, a paranoia anticomunista e a ameaça nuclear substituem como forças abstratas a noção mais concreta do crime e transformam o noir num campo de experimentações narrativas, onde a desobediência do código organizado do cinema clássico e a representação de uma ordem que mais parece um caos confirman o papel do filme noir no advento do cinema moderno.'' (Cassio Starling Carlos)

26*1954 Oscar / 1953 Lion Veneza ” - kaparecida445-2-230390
 
74.
While the City Sleeps (1956)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.0/10 X  
A serial killer has been killing beautiful women in New York, and the new owner of a media company offers a high ranking job to the 1st administrator who can get the earliest scoops on the case. (100 mins.)
Director: Fritz Lang
“ "Uma grandiosa obra-prima sobre as relações humanas (especialmente as que acontecem "quando a cidade dorme"), as relações pessoais em ambientes profissionais, a ganância e sede de poder e também a muitas vezes difícil tarefa de ter de lidar consigo mesmo." (Daniel Dalpizzolo)

"Perde-se tempo demais com o romance do casal central, mas mesmo assim é dos melhores flmes de Fritz Lang na América, uma crítica ainda bem atual sobre as relações interpessoais predatórias e a influência da mídia na violência urbana (no caso, as HQs)." (Regis Trigo)

"Neste belo filme noir de 1956, um serial kiler aterroriza as mulheres de Nova York. Ao mesmo tempo, a morte de um magnata da mídia provoca uma disputa, não menos cruel, pelo comando de suas empresas. um dos últimos filmes de Fritz Lang, "No Silêncio da Cidade" é outro dos fascinantes painéis sobre o poder. O tom irônico da cena final, deslumbrantemente encenada, só reforça a desilusão que marca toda a carreira do diretor. (Marco Rodrigo Almeida)

''Filmes que mostram com perfeição o cinema da crueldade de Fritz Lang. Realizados nos EUA em meados dos anos 1950, são frutos de um diretor que atingia maturidade invejável, sem necessidade de grandes orçamentos e astros. "No Silêncio de uma Cidade'' e Suplício de uma Alma são seus dois últimos filmes americanos, ambos com Dana Andrews como ator principal. É interessante notar a diferença entre eles e os dois primeiros em Hollywood, Fúria e Vive-se uma Só Vez. Antes, personagens vítimas das circunstâncias representavam contra a pena de morte; 20 anos depois, o ciclo americano se fecha, com jornalistas e promotores manipulando fatos e pessoas para fins duvidosos. O retrato da América deixa de ser esperançoso, torna-se cínico e pessimista, algo já perceptível em ''Desejo Humano''. À maneira de Hitchcock, Lang manipula o público, jogando informações desencontradas e com a parca hombridade de caráter de seus personagens para fazer com que refletem apenas o lado torto das pessoas e das coisas. ''No Silêncio de uma Cidade'' mostra jornalistas às turras pelo cargo criado pelo mimado herdeiro de uma empresa de comunicação, tendo como possibilidade de triunfo a descoberta de um assassino em série que aterroriza Nova York (e que o espectador conhece já na primeira sequência). Num e noutro, como no admirável Desejo Humano, temos a dura face da humanidade traduzida sem verniz e com ''mise-en-scène'' impecável."(Sergio Alpendre)

Um filme deve criticar alguma coisa.
Fritz Lang.

"Se eu quiser mandar uma mensagem, eu chamo a Western Union": Lang considera simply stupid a fórmula favorita de Samuel Goldwyn. Mas era justamente por suas pretensas mensagens que seus filmes eram criticados. Se nos colocamos do ponto de vista de sua moral, eles não deixam de realizar seu objetivo e se voltam contra o humanismo que formava a base de seu engajamento. Aqui ainda: não é o abuso dos meios de comunicação que é o objeto da crítica, mas sua simples utilização. Os dois últimos filmes que Fritz Lang fez nos Estados Unidos trabalham no sentido da concretização de uma idéia de mundo e de cinema, no discernimento e utilização cirúrgica de um mestre veterano em sua arte. Em ambos, Lang trabalha com seu material de predileção: essa abstração muito real em seus resultados chamada conjunto da sociedade. Daí a natureza de seus filmes, e do problema que geralmente alguns têm com eles. Quando Fritz Lang frisa a importância da crítica num filme, quando o autor de M critica o posicionamento de Samuel Goldwyn por não acreditar nas mensagens que um filme pode trazer, o que está em jogo não é – como muitas vezes pode parecer quando se trata de colocar a "mensagem" no terreno do por que fazer filmes – o estudo de um pequeno erro ou distúrbio no seio de uma sociedade que periga envenená-la, e como fazer para extirpar-lhe o veneno, mas antes o testemunho de uma sociedade em que o envenenamento é a moeda do cotidiano, aquilo partilhado a cada "bom dia" dado ao pé da escada, as víboras apenas esperando um momento de pouca atenção para saltar sobre a presa. Tratando-se de Lang, na década de 50, estamos longe do idealismo romântico de Vive-se uma Só Vez, em que os inocentes Henry Fonda e Sylvia Sidney precisavam fugir de um mundo vicioso que os persegue sem dar-lhes chance de explicação. Logo a ficção paranóica, terreno por excelência devido a Alfred Hitchcock, vai interessando cada vez menos a Lang. Seus heróis dos últimos filmes americanos não são nada virtuosos, muito pelo contrário. Todos expõem irresponsavelmente uma mulher ao perigo, por vezes até ocasionando um fim terrível: Glenn Ford manipulando Gloria Graheme para concretizar sua vingança em Os Corruptos (1953), Richard Conte submetendo Anne Baxter em A Gardênia Azul (1953), Dana Andrews fazendo de Sally Forrest sua isca para achar o assassino em "No SIlêncio de uma Cidade" ou comprometendo seu noivado em Suplício de uma Alma para entrar numa experiência que lhe evitará um problema e ainda possivelmente fará dele uma estrela da literatura. Nenhum deles pode ser uma fonte total de identificação com o espectador sem criar alguns problemas morais – é no tratamento desses problemas que Lang aí insere sua crítica. Não aquela que estamos acostumados a ver nos filmes políticos que nos identificam ao mocinho positivo e que fala que os errados são um eles fantasmático (os corruptos, os mafiosos, as grandes corporações), mas uma crítica ao nós que se identifica com o personagem e não tem como não repudiar certas ações dele. Criticar é perspectivar. Daí uma certa dificuldade em se assistir aos filmes de Fritz Lang. Tudo parece muito ressecado, sobretudo nos últimos filmes. O espectador tem dificuldade para se instalar no filme, a catarse é sugerida mas jamais consegue se realizar a contento. É importante notar que esse dado vai surgindo à medida que Lang, como um diretor que nos Estados Unidos dificilmente teve a chance de realizar projetos mais pessoais, precisa inserir sua personalidade nos filmes a despeito do roteiro, dos atores e da produção lhe serem alheios. Nasce daí um humor muito particular, referido por Serge Daney na mania de acabar certos filmes de uma maneira meio ridícula, porque o próprio dos filmes e do mecanismo impetrado por Lang não permitiria, a propriamente dizer, um fim1. É esse o caso do começo de Suplício de uma Alma, um filme tão depurado, tão destituído de artifícios ficcionalizantes (distrações) que parece apenas uma leitura de roteiro (assim evocado na crítica de Jacques Rivette, A Mão, para os Cahiers du Cinéma quando do lançamento francês do filme2). É que em Fritz Lang, mesmo quando há personagens com quem se identificar, o ponto-de-vista decisivo não está ancorado à visão do personagem, mas ao mecanismo das ações e das reações que fazem com que cada personagem se comporte de tal maneira ou tal outra. Em No Silêncio de uma Cidade, a questão central não é o distúrbio provocado por um serial killer que mata mulheres porque tem um problema não resolvido com a mãe, mas o sensacionalismo de uma empresa jornalística ávida por vender mais exemplares às expensas do pânico instaurado na sociedade. Um é pontual: basta capturar o assassino para fazer tudo voltar à normalidade. Mas Lang, como em M, foca no endêmico: o problema não é a irrupção de um problema, um fato narrativo, mas um status quo que existe na sociedade e que mostra suas garras em momentos chave, colocando a irrupção como bode expiatório. E, para o endêmico, não há propriamente fim, mas uma lenta persistência monótona, um crime social bastante identificado com a dívida infinita kafkiana em sua forma. Da mesma forma, Suplício de uma Alma não é apenas um filme contra a pena de morte – um tema muito caro a Lang –, mas também um tratado sobre a inocência impossível, sobre a empáfia da inocência, sobre a partilha da culpa. Todo filme de Fritz Lang, ou quase, é a reatualização de um cenário de disseminação do mal através de um meio fechado, numa topologia muito particular: uma cúpula, os comandados, e aqueles que recebem os efeitos (as vítimas e os mocinhos da fita). Cena matricial dos Mabuse ou de Os Espiões, ela irá se repetir por toda a obra norte-americana de Fritz Lang, mas com inversão de papéis. Agora não se trata mais de uma organização criminosa que opera o complô através do esquema cúpula-bando-sociedade, mas segmentos constituídos da sociedade, instituições: segredos de um cônjuge (O Segredo da Porta Cerrada, Suplício de uma Alma), segredos no ambiente de trabalho (No Silêncio de uma Cidade), segredos que montam um teatrinho social (ainda Suplício), segredos que põem em risco a vida de quem não tem nada com isso (ainda Suplício, ainda Silêncio). Cúpula em No Silêncio de uma Cidade formada pelo chefão, difundida através da luta pelo poder de três editores-chefes (bando) de partes diferentes de uma mesma empresa jornalística, e a secreção do veneno é disseminada para os outros funcionários e para o seio da sociedade através dessa luta. Cúpulas em Suplício de uma Alma que decidem o teatro (Dana Andrews e Sidney Blackmer), mas também do promotor que abusa do seu poder não para promover a justiça, mas para se promover como candidato político (Philip Bourneuf). A disseminação aí só afeta diretamente os mais próximos, mas se pensarmos em toda encenação feita com a sociedade para provar uma tese (mesmo que válida), existe também aí um veneno que é secretado pelas autoridades (um grande editor, um grande promotor, um lutando contra o outro). Quando alguém, algum dia, conseguir dar conta tanto plástica quanto especulativamente do significado desses reenquadramentos que Fritz Lang opera em seus filmes, em que o plano conjunto se desloca para plano médio e como que captura – e é exatamente a palavra nesse caso – os personagens, diminuindo o espaço em que eles podem se deslocar, esse alguém vai decifrar de forma completa toda a arte de Fritz Lang. Porque a minúcia das linhas de composição (sempre associada a sua origem como arquiteto), a depuração da trama a suas necessidades básicas, um desapego a tudo que é prescindível, a impossibilidade do herói positivo, etc., tudo isso serve justamente para inscrever seus personagens num mundo e numa visão-de-mundo sem saída. Criticar, para Fritz Lang, é elucidar e trazer para o claro o sem saída do mundo (menos um pessimismo do que um perspectivismo: identificar o mal inerente ao mundo é ao mesmo tempo desenhar a melhor maneira de lidar com ele), e não apresentar uma realidade que pode voltar a se tornar agradável porque identificamos onde o mal está e como é possível nos livrarmos dele (ficções sobre a política, geralmente). Impiedoso, ele tira a nossa paz de espírito para melhor poder fazer operar nosso próprio senso de distância. Achávamos que tudo sairia bem, que o herói inocente conseguiria se safar de seu joguinho perpetrado de forma astuciosa? Haverá complicações que porão em jogo a inocência do rapaz. Achávamos que a prisão do criminoso colocaria um fim à avidez da imprensa? A coisa não é tão simples assim... Fritz Lang é o único diretor do mundo que consegue provar uma tese (a falibilidade do princípio da reasonable doubt para colocar alguém no corredor da morte) e ao mesmo tempo provar a culpabilidade partilhada, e logo a impossibilidade da inocência. Não é porque o filme tem uma reviravolta em seu final que a contestação da pena de morte está menos provada. Da mesma forma, em No Silêncio de uma Cidade, a culpabilidade do maníaco não é bode expiatório para o mal constitutivo e reproduzido, a manipulação da opinião pública inerente ao jornalismo (não é a entrada de alguém "ético" que vai fazer a diferença, Lang sabe isso muito bem; a posição que se ocupa é que faz a ética, não o bom-mocismo). A esse respeito, a cena inicial de No Silêncio de uma Cidade, um dos inícios mais belos de toda a história do cinema, tem muito a dizer. Uma câmera que inicia seu movimento, sai do plano objetivo para o subjetivo do assassino, e capta por último um grito de mulher diretamente para o espectador, menos pedindo que ele o ajude (ela está olhando para o algoz) do que fazendo-o atentar para o que está em vias de acontecer (sua morte, o horror extremo da existência, o sem saída de Lang). Lang malvadinho, que faz de sua câmera o ponto-de-vista do vilão? Não exatamente. O propósito é sobretudo curto-circuitar o papel do espectador e estabelecer de forma imediata uma relação com o perigo, tornar incômoda uma situação que tinha tudo para apresentar de forma voyeurística mulheres sendo assassinadas. A opção de Fritz Lang, sempre que lhe é permitido, é fazer do filme de narrativa clássica uma chance para provocar uma perturbação sobre a natureza humana e sobre como determinadas instituições lidam com o código e a aceitação da sociedade para continuar envenenando-a aos poucos. Se saímos do objetivo para o subjetivo nesse plano tão extraordinário, é porque o ponto-de-vista não deve nem começar com o subjetivo (o que concluiria num sadismo ontológico da câmera, algo que não tem nada a ver com a estética de Lang: está mais para David Fincher), nem ser apenas objetivo (isso não iria inserir ativamente o espectador no crime). É nesse sentido, aí sim, é que podemos falar de Lang crítico. Qual seria o filme mais languiano feito após a morte de Lang? Eles Vivem? Olhos de Serpente? Ambos?" (Ruy Gardnier) ” - kaparecida445-2-230390
 
75.
The Man Who Loved Women (1977)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.5/10 X  
Bertrand Morane's burial is attended by all the women the forty-year-old engineer loved. We then flash back to Bertrand's life and love affairs... (120 mins.)
“ ''Entre tantos homens que odeiam as mulheres, no cinema e fora dele, vale a pena chamar para a exceção: "O Homem que Amava as Mulheres". Sendo François Truffaut o autor do filme, trata-se de algo autobiográfico em vários aspectos. Mas é também um filme feito para Charles Denner, que em 1963 foi até um Barba Azul no filme de Claude Chabrol. Desta vez ele está longe de incinerar as garotas. Ele as adora. Seus modos, afetações, andares, sorrisos, lábios, beleza, feiúra etc. Ele não ama uma mulher, ama o feminino.'' (* Inácio Araujo *)

1977 Urso de Ouro / 1978 César ” - kaparecida445-2-230390
 
76.
Parenti serpenti (1992)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
Like every year, everyone is going back to the ancestral family's home for the Christmas holidays. But this time... (105 mins.)
Director: Mario Monicelli
 
77.
The Prophecy (1995)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.6/10 X  
The angel Gabriel comes to Earth to collect a soul which will end the stalemated war in Heaven, and only a former priest and a little girl can stop him. (98 mins.)
Director: Gregory Widen
 
78.
Tales of Ordinary Madness (1981)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.9/10 X  
Poet/lecturer Charles Serking awakens from his alcoholic haze long enough to take a bus back to L.A. and plunge into an orgy of drink and sexual depravity. (101 mins.)
Director: Marco Ferreri
 
79.
Bedazzled (1967)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.0/10 X  
A hapless loser sells his soul to the Devil in exchange for seven wishes, but has trouble winning over the girl of his dreams. (103 mins.)
Director: Stanley Donen
“ "Peter Cook gênio (melhor diabo do cinema, disparado), ajudando Dudley Moore o tempo todo só para sacaneá-lo logo em seguida, ambos com uma grande química em cena. Chega a ser insano e ainda tem Raquel Welch de lingerie como brinde." (Vlademir Lazo) ” - kaparecida445-2-230390
 
80.
Autumn Sonata (1978)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.3/10 X  
A married daughter who longs for her mother's love gets visited by the latter, a successful concert pianist. (99 mins.)
Director: Ingmar Bergman
“ "Personagens depressivos preenchem esse filme curto, de diálogos pesados e com Liv Ullmann em um de seus melhores momentos - fica a um passo do overacting, mas se sai magistralmente bem." (Alexandre Koball)

"Brilhantemente interpretado e de texto muito bem elaborado, prova como o tempo pode exponenciar os sentimentos, seja pelo bem ou pelo mal, não importando as aparências." (Rodrigo Cunha)

51*1979 Oscar / 36*1979 Globo / 1979 César ” - kaparecida445-2-230390
 
81.
Small Change (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
In the town of Thiers, summer of 1976, teachers and parents give their children skills, love, and attention... (104 mins.)
“ 34*1977 Globo / 1976 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
82.
The Conversation (1974)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
A paranoid, secretive surveillance expert has a crisis of conscience when he suspects that a couple he is spying on will be murdered. (113 mins.)
“ ''Nos anos do Vietnã e imediatamente seguintes, a conspiração era uma presença familiar. Está em filmes maiores, como o Blow Out - Um Tiro na Noite, de Brian de Palma, ou "A Conversação", de Francis F. Coppola. Atestam a devastação moral da América naquele momento. Mas podemos observar "A Conversação" a partir do presente, de nossos dias. Trata-se de um filme centrado em um espião eletrônico, alguém que usa a melhor tecnologia para captar o que alguém tem a dizer. A tecnologia vertiginosa de que se serve ali Gene Hackman anuncia um futuro em que tudo aquilo se tornaria banal: nenhuma tecnologia de controle social hoje nos parece espantosa. A espionagem e assemelhados tornaram-se item do cotidiano.'' (* Inácio Araujo *)

*****
''É incrível a frequêcia com os personagens de Francis Coppola são atormentados. Assim é com os Corleones, com Tetro, com Rusty James, paranão falar de Drácrula. Assim também é com "Conversação", o torturado profissional capaz de gravar qualquer conversa sigilosa, e que sabe bem o que elas podem representar para suas vítimas. Sim, Coppola é capaz de criar um otimista, mas algo torna personagens como Caul mais marcantes. E certas sequências de escutas continuam fascinantes hoje, quando qualquer um é capaz de gravar conversa reservada.'' (** Inácio Araujo **)

****
''Não faz muito tempo que a gente falou de "A Conversação", mas o tema de Coppola, aqui, é incontornável. O que significa ser um especialista em escuta (no filme, o ator Gene Hackman é bem mais que um reles grampeador). É essa questão, na forma de um problema de consciência: o que significa invadir a vida dos outros? Que consequências pode trazer para outros a atividade meramente profissional?'' (*** Inácio Araujo ***)

"O trabalho psicológico em cima do personagem de Hackman é genial: tensão bem construída a todo instante, história que mantém o interesse e o final, espetacular, resume e justifica toda a neurose que vimos nas duas horas anteriores." (Rodrigo Cunha)

"Talvez não tão comercialmente poderoso como os filmes da década de 1970, mas com certeza um trabalho espetacular que está no mesmo nível, ou até acima, de muitos de seus contemporâneos mais famosos. Um dos poucos filmes que beiram a perfeição." (Heitor Romero)

"Após o sucesso estrondoso de O Poderoso Chefão, Coppola tem total liberdade pra construir essa obra autoral. Narrativa lenta, mas muito interessante, direção impecável e, principalmente, uma minuciosa construção de seu protagonista. Gene Hackman agradece." (Rodrigues Torres de Souza)

"Não tão bom quanto os dois primeiros Chefões, mas tão estético-narrativamente inventivo quanto - talvez até mais." (Bernardo D I Brum)

47*1975 Oscar / 31*1975 Globo / 1974 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
83.
Strayed (2003)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.6/10 X  
Emmanuelle Béart stars as a widowed schoolteacher who flees Nazi-occupied Paris with her children. A teenaged boy comes to their rescue by leading them into the forest -- their best shot at survival. (95 mins.)
“ ANJO DA GUERRA

2003 Palma de Cannes / 2004 César ” - kaparecida445-2-230390
 
84.
American Pie (1999)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.0/10 X  
Four teenage boys enter a pact to lose their virginity by prom night. (95 mins.)
Director: Paul Weitz
 
85.
The American Friend (1977)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
Tom Ripley, who deals in forged art, suggests a picture framer he knows would make a good hit man. (125 mins.)
Director: Wim Wenders
“ 1977 Palma de Cannes / 1978 César ” - kaparecida445-2-230390
 
86.
Palermo Shooting (2008)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.3/10 X  
After the wild life-style of a famous young German photographer almost gets him killed, he goes to Palermo, Sicily to take a break. Can the beautiful city and a beautiful local woman help him calm himself down? (124 mins.)
Director: Wim Wenders
“ 2008 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
87.
Day for Night (1973)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.1/10 X  
A committed film director struggles to complete his movie while coping with a myriad of crises, personal and professional, among the cast and crew. (115 mins.)
“ ''Não é justo dizer que "A Noite Americana" causou a ruptura entre seu autor, François Truffaut, e Jean-Luc Godard. A amizade vinha mal bem antes deste filme de 1973. A Noite foi só um pretexto para Godard enviar uma carta desaforada a Truffaut, que respondeu com outra ainda mais violenta. Nunca mais se falaram. Eram, com efeito, dois temperamentos bem distintos. Truffaut mais clássico, Godard mais inquieto. E, com efeito, a história de uma filmagem, com seus percalços, encantos, amores e dúvidas, tem algo de um tanto fetichista em relação ao próprio cinema. Truffaut, afinal, era assim: amava o cinema tal qual era, com seu lado de fascínio e ilusão. Godard era o seu oposto.'' (* Inácio Araujo *)

''Pode causar alguma decepção que os três filmes da coleção A Arte de François Truffaut não estejam entre os mais festejados por críticos e cinéfilos. Afinal, Atirem no Pianista foi um tremendo fracasso em sua época; ''A Noite Americana'' foi mal visto por Godard, e muitos foram no embalo; e De Repente num Domingo é claramente um divertimento sem grandes pretensões. Estamos distantes, então, da série com Antoine Doinel, que começa com o muito amado Os Incompreendidos, ou de Jules e Jim. Mas seria equivocado subestimar os encantos do Truffaut menos celebrado. Sua carreira é repleta de longas menos ambiciosos, mas ele nunca errou, de fato. Sempre há algo de sublime em seus filmes, até mesmo no mais fraco que realizou, A Sereia do Mississipi. Atirem no Pianista é um dos maiores modelos da Nouvelle Vague e é o grande filme da coleção. É a materialização cinematográfica de diversos dos preceitos que os jovens turcos (sobretudo Truffaut, Godard, Rivette e Rohmer) defendiam quando eram críticos da revista Cahiers du Cinéma. É uma história de gangster totalmente incomum, baseada em livro de David Goodis, com Charles Aznavour como um pianista que se envolve com assassinos. Incomum e, vale dizer, formidável. Uma das maiores injustiças daquele período. A Noite Americana não é a bobagem que apregoam os godardianos. Truffaut sempre foi romanesco. Logo, sua versão de como é fazer um filme, a vida do cinema se misturando com a vida pessoal, é extremamente romantizada e apaixonada, o que ainda contrariava a turminha que defendia sempre um cinema de intervenção política. Estávamos em 1973, e os efeitos de maio de 1968, embora mais fracos, ainda se faziam presentes na sociedade parisiense. Daí a resistência de alguns a este belo filme, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. De Repente num Domingo data de uma outra época. O filme é de 1983, e praticamente serve de veículo para sua esposa, a atriz Fanny Ardant (que já tinha feito com Truffaut o soberbo A Mulher do Lado). Ela é a secretária do agente imobiliário Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant), que está sendo acusado do assassinato da esposa e do amante. Como ele está foragido, é ela que busca provar sua inocência. A inspiração hitchcockiana é evidente, a do noir também; graças a elas, Truffaut, em seu último filme, realiza um belíssimo exercício em preto e branco." (Sergio Alpendre)

46*1974 Oscar / 31*1974 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
88.
The Hustler (1961)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.0/10 X  
An up-and-coming pool player plays a long-time champion in a single high-stakes match. (134 mins.)
Director: Robert Rossen
“ "Logo na abertura de "Desafio à Corrupção", Eddie Felson (Paul Newman) entra num bilhar disposto a desafiar Minnesota Fats (Jackie Gleason) e provar que é o rei da sinuca. Esse duelo, no entanto, não será a dois. Existem ainda Bert Gordon (George C. Scott), o apostador, aquele que sabe ver dentro de um homem, e, mais, que um campeão não se faz apenas de habilidade. E ainda Sarah (Piper Laurie), a garota de Eddie, que o acompanha, que deseja vê-lo numa vida normal, longe desses desafios. Mas como? Nesta obra-prima de Robert Rossen o sentido da vida de Eddie é demonstrar sua superioridade. Lição do filme: ser o melhor implica dores atrozes, perdas que a vitória apenas pode, talvez, mitigar." (* Inácio Araujo *)

"Um melodrama pós-noir com acessórios metafísicos". A definição de Jonathan Rosenbaum soa perfeita para "Desafio à Corrupção". Sim, há dor em toda parte no filme que Robert Rossen fez em 1961. Está personificada, de certo modo, em Eddie Felson, o jogador de bilhar vivido por Paul Newman.
Talentoso e arrogante, Felson terá de trilhar um caminho de dores se quiser, um dia, vencer. Isso deve ter a ver com a trajetória de Rossen, ex-lutador de boxe, depois membro do PC, depois jovem diretor brilhante, depois banido pela caça às bruxas. E, por fim, delator. Um árduo percurso, ninguém duvidará. E dessa queda final Rossen demorará a se levantar. Só nos anos 60, já no fim da vida, fará filmes brilhantes novamente: "Desafio à Corrupção" (originalmente em scope; o que acontecerá aqui?) e, em 1964, "Lilith"." (** Inácio Araujo **)

34*1962 Oscar / 19*1962 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
89.
How Green Was My Valley (1941)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.8/10 X  
At the turn of the century in a Welsh mining village, the Morgans, he stern, she gentle, raise coal-mining sons and hope their youngest will find a better life. (118 mins.)
Director: John Ford
“ 14*1942 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
90.
The Taking of Pelham One Two Three (1974)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
In New York, armed men hijack a subway car and demand a ransom for the passengers. Even if it's paid, how could they get away? (104 mins.)
Director: Joseph Sargent
“ "Passados vários anos do seu lançamento, é natural que o filme tenha envelhecido no ritmo. Mas o talentoso diretor Joseph Sargent soube captar o caos urbano e paranóico da cidade de NY dos anos 70. Bem melhor que a refilmagem de 2009." (Regis Trigo) ” - kaparecida445-2-230390
 
91.
The Hudsucker Proxy (1994)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
A naive business graduate is installed as president of a manufacturing company as part of a stock scam. (111 mins.)
Director: Joel Coen
 
92.
Caché (2005)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
A married couple is terrorized by a series of surveillance videotapes left on their front porch. (117 mins.)
Director: Michael Haneke
“ 2005 Palma de Cannes / 1995 César ” - kaparecida445-2-230390
 
93.
Paper Moon (1973)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.2/10 X  
During the Great Depression, a con man finds himself saddled with a young girl who may or may not be his daughter, and the two forge an unlikely partnership. (102 mins.)
“ 46*1974 Oscar / 31*1974 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
94.
Ginger and Fred (1986)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
Amelia and Pippo are reunited after several decades to perform their old music-hall act (imitating Fred... (125 mins.)
“ "Fellini voltando para um cinema mais convencional e menos pirado. Apesar de conter o costumeiro conjunto de personagens bizarros, Ginger e Fred é uma obra singela sobre a carreira de dois artistas chegando ao fim." (Heitor Romero)

*****
''Ginger e Fred" não são Ginger Rogers e Fred Astaire, os famosos dançarinos que formaram nos anos 1930 uma dupla mitológica. São Marcelo Mastroanni e Giulieta Masina, dupla não menos célebre do cinema moderno (e filliniano em especial). Seus personagens ganhavam a vida imitando a dupla americana. Agora, idosos, são chamados para um programa de TV. Neste magnífico Fellini temos um pouco de tudo: o cinema, sua mitologia, a decadência e substituição pela TV, as celebridades sem aura tomando o lugar das estrelas e seus duplos. E depois existe a televisão, passando como trator sobre a fantasia para chegar ao shown. Inútil dizer: Fellini que sempre viveu a fantasia, pôde aceitar levá-la ao cinema. Mas é como se a televisão e seu mundo fossem degradação demais: o pessimismo, a tristeza, são evidendes.'' (* Inácio Araujo *)

44*1987 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
95.
Murder by Death (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.4/10 X  
Five famous literary detective characters and their sidekicks are invited to a bizarre mansion to solve an even stranger mystery. (94 mins.)
Director: Robert Moore
“ 34*1977 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
96.
The Time Machine (1960)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
A man's vision for a utopian society is disillusioned when travelling forward into time reveals a dark and dangerous society. (103 mins.)
Director: George Pal
“ 33*1961 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
97.
Meet John Doe (1941)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.7/10 X  
A man needing money agrees to impersonate a nonexistent person who said he'd be committing suicide as a protest, and a political movement begins. (122 mins.)
Director: Frank Capra
“ "Ainda que a maioria de seus filmes tenha envelhecido, Frank Capra foi um dos primeiros diretores a ter senso do espetáculo cinematográfico. "Adorável Vagabundo" é a prova disso." (Regis Trigo)

14*1942 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
98.
Ugly, Dirty and Bad (1976)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.9/10 X  
Four generations of a family live crowded together in a cardboard shantytown shack in the squalor of inner-city Rome... (115 mins.)
Director: Ettore Scola
“ ''Em nossos tempos hiperpoliticamente corretos, um filme como "Feios, Sujos e Malvados", realizado por Ettore Scola em 1976, dificilmente sairia do papel. Seu retrato de uma família amontoada num casebre numa favela de Roma desafia todas as normas e ainda acumula os "ismos" mais negativos: machista, racista, sexista, mostra que os pobres nascem ruins e morrem piores, todo mundo só pensa em comer o fígado do outro e não aparece nenhum personagem rico ou bem-sucedido para fazer papel de vilão. Nessa família que combina tragédia shakespeariana e comédia italiana, a penca de filhos, noras e netos sobrevive como sanguessuga do patriarca Giacinto Mazzatella e tem como única meta na vida eliminá-lo para pôr a mão no dinheiro que ele tem escondido. As crianças da comunidade são filmadas por meio de grades como se fossem animais selvagens trancados em jaulas. As mulheres são representadas como propriedades, abusadas sexualmente, exploradas e maltratadas por quaisquer motivos. Scola insere o filme na tradição italiana das histórias de famílias, com uma profusão de tipos exagerados, cada um representando o pior da espécie humana. Nenhum deles ganha função de vítima, nem mesmo o pai, que descreve a fauna como se vivesse num zoológico. Por que insistir tanto numa representação contrária ao que a maioria do público de ontem e hoje quer ver? Segundo Scola, o cinema perde a função política particular quando sua mensagem é muito clara, muito ideológica. Vejo ''Feios, Sujos e Malvados'' como uma forma particular de cinema político: a provocação. Uma breve sequência de sonho revela que, lá como cá, sair da miséria e ascender implica entrar na sociedade de consumo, adquirir bens de última geração e viver com o pescoço enfiado na forca dos juros. Com essa fábula imoral, Scola atualiza a crítica que o poeta-cineasta Pier Paolo Pasolini vinha fazendo desde a década anterior à sociedade de consumo como a mais eficiente força corrosiva do caráter humano em todas as etapas históricas do capitalismo." (Cassio Starling Carlos)

1976 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
99.
Le courage d'aimer (2005)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.9/10 X  
A picture of humankind in Paris: singers, shows, social gatherings, businessmen, nightclub barmen, bums, shoppers. (103 mins.)
Director: Claude Lelouch
 
100.
An Education (2009)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
A coming-of-age story about a teenage girl in 1960s suburban London, and how her life changes with the arrival of a playboy nearly twice her age. (100 mins.)
Director: Lone Scherfig
“ "Direção de Lone Scherfig e atuações são competentes, bem como o roteiro, que só deveu um pouco mais de ousadia para que o filme fosse mais contundente." (Alexandre Koball)

"O tema da descoberta da feminilidade - no caso, por uma adolescente britânica nos anos 60 - é tratado de forma sóbria, correta, mas um pouco previsível. Carey Mulligan está muito bem, mas Alfred Molina e Peter Sarsgaard também não ficam nada atrás." (Regis Trigo)

"Mais do que propor uma reflexão sobre o sexismo no início dos anos 60, o filme oferece uma história de romance bastante sólida, ainda que jamais empolgue totalmente. Carey Mulligan, por outro lado, está apaixonante." (Silvio Pilau)

"A história é relativamente previsível - fica a impressão de que já vimos aquilo outras vezes -, mas a direção de Lone Scherfig confere elegância à narrativa e Carey Mulligan brilha com intensidade." (Emilio Franco Jr)

82*2010 Oscar / 67*2010 Globo ” - kaparecida445-2-230390