FILMES NOTA 01

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1.
The New Daughter (2009)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.3/10 X  
A single father moves his two children to rural South Carolina, only to watch his daughter exhibit increasingly strange behavior. (108 mins.)
Director: Luis Berdejo
“ POSSUÍDA ” - kaparecida445-2-230390
 
2.
All the Brothers Were Valiant (1953)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.4/10 X  
In the South Pacific islands, two brothers, one good and one bad, fight over the same girl and over a bag of pearls. (95 mins.)
Director: Richard Thorpe
“ 26*1954 Oscar ” - kaparecida445-2-230390
 
3.
Wonderland (1999)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.2/10 X  
There's little wonder in the working-class lives of Bill, Eileen, and their three grown daughters. They're lonely Londoners... (108 mins.)
“ ENCONTROS E DESENCONTROS

1999 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
4.
Fair Game (1995)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 4.1/10 X  
Max Kirkpatrick is a cop who protects Kate McQuean, a civil law attorney, from a renegade KGB team out to terminate her. (91 mins.)
Director: Andrew Sipes
“ "Cindy Crawford era musa, mas não ao ponto de segurar um filme como protagonista, e colocá-la como centro de uma produção de ação que não tinha nada a ver com o seu estilo só a tornou mais inócua na sua efêmera carreira no cinema." (Vlademir Lazo) ” - kaparecida445-2-230390
 
5.
Afterwards (2008)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.9/10 X  
Nathan, a brilliant New York lawyer who leads a life of professional success, but his private life is pretty dismal since he divorced Claire... (104 mins.)
Director: Gilles Bourdos
“ DEPOIS DE PARTIR ” - kaparecida445-2-230390
 
6.
The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (1989)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
The wife of an abusive criminal finds solace in the arms of a kind regular guest in her husbands restaurant. (124 mins.)
Director: Peter Greenaway
“ A obra prima do inglês Greenaway passa-se num restaurante e enfoca as ambíguas relações entre os personagens do titulo. Isso permite ao cineasta tratar de temas como o amor, vingança e cobiça, culminando num banquete antropofágico. Antes disso, a fusão de tecnologias já propôs outro tipo de canibalismo - estético -, com cenários estilizados. Música e fotografia são excepcionais, mas se você não aprecia o experimentalismo do autor não há de ser este filme a fazê-lo mudar de opinião." (Luis Carlos Marten) ” - kaparecida445-2-230390
 
7.
Death at a Funeral (2010)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.6/10 X  
A funeral ceremony turns into a debacle of exposed family secrets and misplaced bodies. (92 mins.)
Director: Neil LaBute
“ "Humor negro e escatológico, situações absurdas e constrangedoras, tamanho do elenco, tudo num limite jamais ultrapassado. Talvez a nota mude quando assistir ao original, mas o 7 é cabível a essa comédia, boa e eficaz, se analisada de forma independente." (Rodrigo Torres de Souza) ” - kaparecida445-2-230390
 
8.
Halloween II (2009)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 4.9/10 X  
Laurie Strode struggles to come to terms with her brother Michael's deadly return to Haddonfield, Illinois; meanwhile, Michael prepares for another reunion with his sister. (105 mins.)
Director: Rob Zombie
 
9.
The Lovely Bones (2009)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.7/10 X  
Centers on a young girl who has been murdered and watches over her family - and her killer - from purgatory. She must weigh her desire for vengeance against her desire for her family to heal. (135 mins.)
Director: Peter Jackson
“ "Peter Jackson concebe um thriller sólido, com seus elementos fantasiosos tradicionais. Talvez um tanto convencional demais para a carreira do diretor, só que isso não torna o filme pior, apenas menos brilhante." (Alexandre Koball)

"Por muito menos que isso pessoas já foram presas, torturadas, etc." (Daniel Dalpizzolo)

"Não achei que o filme se perdeu após a morte da menina: é um filme muito bonito e triste, ainda que tenha problemas de ritmo e excesso de CGs. O maior problema está mesmo no final, terrível de ruim." (Rodrigo Cunha)

"O filme resiste bem até a morte da protagonista. Após esse evento, como não há propriamente uma história pra contar, Jackson reduz sua obra à caça de um serial-killer. A mão pesada do diretor também não combina com a delicadeza que o tema exigia." (Regis Trigo)

"Após um excelente primeiro ato, Jackson se perde na falta de objetividade, com um filme que não sabe para onde vai. Algumas cenas são belíssimas, mas é tudo sem propósito dentro da trama e vazio, inclusive para os próprios personagens. Uma decepção." (Silvio Pilau)

"O que lhe falta em inteligência, sobra em inutilidade." (Junior Souza)

"Peter Jackson tenta, mas não consegue fazer filmes intensos. Se já tinha dado errado com a Trilogia do Anel, ele nem deveria ter se atrevido com esse drama raso. Mas duvido que isso o impeça de tentar de novo futuramente (que pena!)." (Heitor Romero)

"Alguém explica? Pois eu não sei porque o filme teve, pelo menos, 100 minutos a mais do que o necessário. Em que sua trama baseia-se? Até que alguém me faça um belo esclarecimento, meu adjetivo sobre a obra será "medonha"." (Rodrigo Torres de Souza)

82*2010 Oscar / 67*2010 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
10.
The 41-Year-Old Virgin Who Knocked Up Sarah Marshall and Felt Superbad About It (2010 Video)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 2.7/10 X  
Follows Andy, who needs to hook up with a hottie, pronto, because he hasn't had sex in... well, forever... (82 mins.)
Director: Craig Moss
“ O VIRGEM AOS 41 ANOS ” - kaparecida445-2-230390
 
11.
The Room (2006)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 3.2/10 X  
When a strange door appears in a troubled family's house, they will have to face their darkest secrets. (80 mins.)
Director: Giles Daoust
 
12.
Conan the Barbarian (2011)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.2/10 X  
A vengeful barbarian warrior sets off to get his revenge on the evil warlord who attacked his village and murdered his father when he was a boy. (113 mins.)
Director: Marcus Nispel
 
13.
Tamara Drewe (2010)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.2/10 X  
A young newspaper writer returns to her hometown in the English countryside, where her childhood home is being prepped for sale. (107 mins.)
Director: Stephen Frears
“ "A convergência entre HQ e cinema não dá só em filmes de herós que escondem o vazio de ideias sob camadas de decibéis. A demonstração de que o encontro pode ser divertido e, ao mesmo tempo, inteligente vem pelas mãos de Stephen Freas, nessa adaptação de Tamara Drewe, graphic novel de Posy Simmonds, por sua vez inspirada no romance Longe Desse Insensato Mundo, de Thomas Hardy. Em vez de heroína com superpoderes, a protagonista é uma jornalista que semeia paixões, traições e intrigas quando decide retomar a bucólica região rural onde nasceu. Freas, como de hábito, acrescenta ao já satírico original de Simmonds um humor que corrói nossos vícios contemporãneos, Dos cenários ao elenco, o filme propõe paralelismos entre HQ e cinema, mas não se limita a produzir um equivalente. O diálogo com características específicas da linguagem gráfica, como a divisão espacial e o uso de vinhetas, aproxima as duas artes em soluções muito mais inventivas que o mero copiar e colar." (Cássio Starling Carlos)

''Quem gosta de cinema e de HQ pode reabilitar a crença na fecundidade nas duas artes, quase sempre desperdiçada quando os poderes de super-heróis desaparecem em filmes pífios. ''O Retorno de Tamara'', adaptação feita pelo habilidoso Stephen Freas de uma célebre graphic novel britânica, faz uso de enquadramentos e da composição de espaços que evidenciam o parentesco e a complementariedade dos dois meios. A felicidade, porém, não se limita aos aspectos gráficos. A veia satírica da HQ de Possy Simmonds encontra na ironia de Frears uma perfeita cumplicidade quando se trata de demolir nosso vício contemporãneo de achar que dá para tapar vazio com excesso." (Cassio Starling Carlos) ” - kaparecida445-2-230390
 
14.
Exorcist: The Beginning (2004)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.1/10 X  
Years before Father Lancaster Merrin helped save Regan MacNeil's soul, he first encounters the demon Pazuzu in East Africa. This is the tale of Father Merrin's initial battle with Pazuzu and the rediscovery of his faith. (114 mins.)
Director: Renny Harlin
 
15.
The Mountain Men (1980)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.4/10 X  
A pair of grizzled frontiersmen fight Indians, guzzle liquor, and steal squaws in their search for a legendary valley 'so full of beaver that they jump right into your traps' in this fanciful adventure. (102 mins.)
Director: Richard Lang
 
16.
American Psycho (2000)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.6/10 X  
A wealthy New York investment banking executive hides his alternate psychopathic ego from his co-workers and friends as he delves deeper into his violent, hedonistic fantasies. (102 mins.)
Director: Mary Harron
“ "A ganância, a vida pelas aparências e os sentimentos anestesiados dos Estados Unidos dos anos 80 em uma sétira afiada e precisa, que dosa bem humor, violência e cinismo - ainda que a cineasta não saiba encerrar o filme. Bale está impressionante."(Silvio Pilau)

"Um dos melhores personagens da década passada, esquizofrênico, narcisista, hedonista, viciado, preconceituoso, fútil, representa severa e fina crítica ao capitalismo e antecipa um perfil que se tornaria mais conhecido a partir de 2008." (Rodrigo Torres de Souza)

"Patrick Bateman (Christian Bale) é rico, jovem, bonito, bem vestido e educado. Freqüenta as altas rodas da sociedade, namora uma perua fastidiosa (Reese Witherspoon) e necessita veemente - assim como seus coleguinhas- de reservas nos restaurantes chiquérrimos de NY e de possuir o mais bonito e luxuoso... cartão de visita (o que rende uma das cenas mais hilárias do filme). Tudo como manda o american way of life. E é aí que a história degringola. Para preencher o vazio causado pelo individualismo exacerbado dos anos 80, nosso mocinho encontra uma simples solução: matar. Eu tenho todas as características de um ser humano. Mas nenhuma única emoção identificável, exceto ganância e aversão, revela o Calvin Klein boy. Ao deixar cair sua máscara de sanidade, o yuppie se revela um serial killer higiênico, frio e competente. Cremes esfoliantes, bronzeamentos artificiais, ternos da alta costura, 1000 abdominais diários e um apartamento luxuoso dividem o cenário com ferramentas típicas de um filme B: facões, machados, revólveres, serra elétrica e -acreditem- disparador de pregos. Em meio a banhos de sangue, a reação do público é, no mínimo, inusitada. Não se sinta culpado se você começar a rir em cenas como a que Bateman faz um memorável discurso tentando justificar a carreira solo de Phil Collins, enquanto um pobre mortal aguarda inocentemente no sofá para ser a próxima vítima. O cinema inteiro vai a baixo! É isso mesmo. Se você reparar bem, vai ver que "Psicopata Americano" pode ser uma comédia: Eu assisti com minha mãe, ela estava chorando de tanto rir! Que alívio! disse Bale. Humor negro utilizado de forma inteligente, crítica e perspicaz: "Grande parte do filme é uma sátira social... É menos violento que Coração Valente, isso eu posso te afirmar, declara a diretora Mary Harron. O que acontece em "Psicopata Americano" (American Psycho) - assim como ocorreu em Clube da Luta - é que as pessoas tendem a julgar um filme sem se aprofundar nele. Curiosamente, a violência gratuita nos cinemas não causa tanta polêmica. Mas, se ela traz consigo uma reflexão, uma crítica à sociedade, muitas vezes é ignorada. Ambos os filmes vêm a nós como um alerta, um aviso do que o consumismo desenfreado pode acarretar na mente de um ser humano. A imagem do sonho americano sendo dilacerada. O fato da adaptação do polêmico livro de Bret Easton Ellis para o cinema ser bem menos violenta que a obra original (Harron não perde tempo para mostrar os efeitos físicos dos assassinatos de Bateman) não foi suficiente para acalmar a Motion Picture Association of America - órgão que rege a censura dos filmes ianques - que invocou com uma cena de ménage à trois do assassino com duas prostitutas (e o pior é que a cena é muito mais engraçado do que picante). Violência pode, mas sexo é inconcebível! "Psicopata Americano" é um milk-shake de sarcasmo e ironia com cobertura de violência. Um sabor exótico e original que você não pode deixar de experimentar. Apesar da difícil digestão..." (Clarice Saliby) ” - kaparecida445-2-230390
 
17.
Splice (2009)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.8/10 X  
Genetic engineers Clive Nicoli and Elsa Kast hope to achieve fame by successfully splicing together the DNA of different animals to create new hybrid animals for medical use. (104 mins.)
Director: Vincenzo Natali
“ ''Fui eu que não notei ou foi agora, na TV, que o "Spider", de David Cronenberg, ganhou o subtítulo de Desafie Sua Mente? De todo modo, não faz sentido. Spider é um homem que sofre, cuja vida configura uma teia intrincada em que cujos fios deve se sustentar. Quem entende o Homem-Aranha e seu drama está, portanto, em condições de compreender "Spider" -não de gostar, necessariamente. O certo é que esse tipo de expediente (títulos ou subtítulos enganosos) é uma tradição no mercado exibidor brasileiro e, se tende a enganar uns tantos espectadores, ao menos levará para dentro do cinema (ou TV) alguém capaz de se enturmar nas loucuras de Cronenberg, estranhas sempre, às vezes quase indecifráveis, mas nunca pernósticas." (* Inácio Araujo *) ” - kaparecida445-2-230390
 
18.
Black Bread (2010)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.0/10 X  
In the harsh post-war years' Catalan countryside, Andreu, a child that belongs to the losing side, finds... (108 mins.)
“ PÃO NEGRO ” - kaparecida445-2-230390
 
19.
Last Days (2005)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.8/10 X  
A Seattle-set rock n' roll drama about a musician whose life and career are reminiscent to those of Kurt Cobain. (97 mins.)
Director: Gus Van Sant
“ ÚLTIMOS DIAS

2005 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
20.
The Life Aquatic with Steve Zissou (2004)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 7.3/10 X  
With a plan to exact revenge on a mythical shark that killed his partner, oceanographer Steve Zissou rallies a crew that includes his estranged wife, a journalist, and a man who may or may not be his son. (119 mins.)
Director: Wes Anderson
“ "Estranhamente puro e belo em sua própria realidade. Anderson destila seu humor sutil para criar personagens de um mundo irônico que, se não chega a empolgar, é sempre original. Talvez mereça mais de uma visita para ser apreciado." (Sivio Pilau)

Uma quase obra-prima, com humor e parte visual bastante originais. Mais um com a marca Wes Anderson de qualidade.

"Wes Anderson sempre foi um diretor conhecido por seu humor refinado e altamente irônico. Definitivamente, não ousa tentar atingir as massas. Seus filmes são muito sofisticados e por isso ele é considerado extravagante. Não que a massa não entende extravagância, apenas não a aprecia da mesma forma que aprecia o corriqueiro. O que é uma pena. Este seu último lançamento, A Vida Marinha com Steve Zissou, possui todos os elementos que trouxeram fama ao diretor, e posso dizer que, ao lado de Os Excêntricos Tenenbaums, é seu melhor filme. O mais original deles também, o que quer dizer muita coisa. O humor áspero e seco rege a história do documentarista e oceanógrafo Steve Zissou, em mais uma parceria do diretor com Bill Murray, em outro grande desempenho do ator, que consegue entender como ninguém o estilo deslocado de Anderson. Zissou está em final de carreira [aparentemente] porque ninguém mais liga para seus filmes. Em seu último trabalho, seu grande parceiro foi comido pelo que ele acredita ser um grande tubarão Jaguar, e ele resolve que seu próximo documentário será sobre a caça a esse terrível predador dos mares. Mas ele terá que lidar com orçamento apertado, a aparição de um filho que não conhecia, e até com um lacaio do banco, que está financiando parte do projeto. Esse amontoado de personagens (só citei parte deles, há uma gama muito maior) traz uma diversidade quase sem igual de riqueza ao filme, pois mesmo com tamanha suruba fílmica, o roteiro multi-faceta é centrado no desenvolvimento dos personagens, enquanto inúmeras situações bizarras ocorrem com eles. Então espere conhecer a fundo Steve, seu filho (Owen Wilson também novamente em um filme do diretor) e as pessoas que o cercam, pois além da jornada através dos mares o roteiro proporciona uma jornada através do interior desses personagens, de forma bastante sensível, fazendo qualquer espectador mais atento se importar com eles. Os diálogos entre pai e filho trazem sempre informações novas, e mesmo em cenas cômicas aprendemos a conhecer melhor os personagens, o que é algo extraordinariamente raro no cinema atual, embora não seja nenhuma novidade no cinema de Wes Anderson. E, independentemente do bom trato para com seus personagens, o filme também funciona de forma muito eficiente como uma comédia. Na realidade, possivelmente até melhor. Como já foi comentado, não é humor popular, o filme possui diálogos irônicos e secos, e personagens e elementos até repugnantes, como um cão de três (!) patas que passa a conviver, a partir de uma invasão pirata (!) ao navio da equipe do documentário, com a tripulação. O roteiro não poupa o espectador de situações aparentemente sem fundamento, o que dá a muitas cenas (na realidade, a maioria delas) uma percepção no mínimo estranha, e isso até os críticos mais acirrados do filme deveriam reconhecer. Toda essa estranheza é, no mínimo, original, e essa originalidade pode ser bem vista dependendo do condicionamento do espectador (o que, na realidade, acontece com a maioria dos filmes: não é um crítico que definirá se o filme é ruim ou bom, e sim o condicionamento dos seus respectivos espectadores). Mas, ainda assim, posso garantir: há um punhado – na realidade muito mais do que isso – de cenas muito engraçadas. Apenas o humor não é o comum ou o usual. A direção de Anderson progride a cada trabalho para um nível técnico perto da perfeição. Com fotografia belíssima e utilização de recursos fantasiosos, como animação stop-motion para peixes e espécimes inventadas pelo roteiro, Vida Marítima é um prazer visual, embora em um primeiro momento possa aparentar ser um trabalho ordinário nesse sentido. A montagem também ficou bem esperta, pois conseguiram solucionar o problema de filmar em um barco razoavelmente pequeno, cheio de salas pequenas, de forma bastante original: fazendo um recorte lateral, exibindo-o, em muitos momentos, como uma casinha de bonecas. Isso trouxe uma dinâmica bastante interessante a várias cenas, com planos bastante originais e divertidos. Destaca-se também a trilha sonora, o que, mais uma vez, não pode ser novidade para quem já conhece o trabalho do diretor. Há várias interferências musicais em português promovidas pelo personagem do ator brasileiro Seu Jorge, que ganhou o papel graças ao fato de Anderson ter apreciado seu trabalho em Cidade de Deus. Essas músicas são adaptações do trabalho de David Bowie e, juntamente com o restante da trilha sonora, criam um clima melancólico ao filme, mas nem sempre negativo, é bom deixar claro. É tudo questão de clima: quem estiver se sentindo dentro do filme, integrado de coração ao enredo, verá isso como fator positivo; quem estiver aborrecido e achar todo o non-sense um tédio, vai ter a impressão de que a trilha sonora melancólica só está afastando ainda mais a diversão. Em meu caso, funcionou perfeitamente: a música combina muito bem com o estilo do filme. Vida Marinha não é uma obra-prima, mas também não fica muito longe disso. Você poderá tanto achá-lo um dos melhores filmes que já terá visto quanto uma das maiores porcarias. Para quem gosta do diretor, é recomendação certa; para quem gosta de comédias diferenciadas, é recomendação com ressalvas (esse filme pode passar um pouco dos limites); para quem gosta do humor simples e tosco, é recomendação proibitiva. Ficam dados os avisos." (Alexandre Koball)

Como cineasta, Steve Zissou (Bill Murray) é um ótimo oceanógrafo. Os filmes que registram as suas expedições no mar já não fazem o mesmo sucesso de antes. Pessoas o hostilizam na première no Festival de Locarno, riem na coletiva de imprensa. A segunda parte da série que mostra a caçada ao mítico tubarão-jaguar, peixe que ninguém conhece mas ele diz ter comido o seu melhor amigo no episódio um, periga não sair por falta de dinheiro. Eu achei a primeira parte muito artificial, diz a repórter Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett), convidada ao navio Bellafonte para fazer a matéria de capa que pode atrair investidores e salvar a carreira do decadente protagonista de "A vida marinha com Steve Zissou" (2004). Ele não gosta, mas Jane tem razão. Tudo nos pretensos documentários do oceanógrafo é ensaiado. Não há naturalidade. Zissou se apóia no leme como se recitasse Shakespeare. Os enquadramentos ultra-formais parecem aquelas molduras de fotos de pescarias. Cinema para falar de cinema, pelo que se vê. Seria só uma porção de metalinguagem se o diretor Wes Anderson não começasse a brincar, aí, com a sua própria carreira. Pois é justamente como um esteticista que Anderson é julgado, principalmente por Três é demais e Os Excêntricos Tenenbaums, respectivamente segundo e terceiro filme de sua carreira. Acusam-no, como a Zissou, de artificializar situações, de caricaturar personagens sem alma. Os enquadramentos simétricos de Tenenbaums são idênticos aos dos filmes do marinheiro. O cineasta, portanto, tem nele o seu alter-ego. As ações do personagem de Murray - o primeiro protagonista do ator depois de coadjuvar para Anderson nos dois anteriores citados - devem ser interpretadas como uma declaração de princípios do diretor e, em última análise, como uma resposta aos seus críticos. A boa notícia é que Anderson pode até declarar seus princípios, mas não perde a piada. A vida marinha potencializa, para o bem ou para o mal, todas as impurezas até hoje apontadas na antologia de Anderson. As situações forçadas são mais forçadas ainda, com direito a tiroteio tosco de festim com piratas filipinos. O esteticismo se desdobra em psicodelismo de cardumes multicoloridos criados em stop-motion. As caricaturas são muito mais caricatas, usam sunga Speedo listrada, tênis Adidas e gorro vermelho. A trilha sonora, que já se sobrepunha à trama, agora tem canto cativo com versões de David Bowie em português no violão de Seu Jorge. Em resumo, é a caçada de Moby Dick a bordo do Yellow submarine guiado por Afonso Brazza. Onde quer que passe as pessoas dizem que A vida marinha é um filme difícil. Por quê? Não é nenhum iraniano com planos longos e tempos mortos. Não é um Godard de trás pra frente. É difícil, isso sim, na medida em que se tenta encontrar significados profundos nessa metalinguagem. O apego de Zissou por um memorialismo afetivo, a busca por um filho, sua carência de amor, seria reflexo do medo de Anderson de ser criticado. Mas não é essa, aparentemente, a intenção do diretor. Ele gosta de fazer rir, não de ser analisado. Entende-se, portanto, que essa overdose de Anderson a cada segundo é seu pedido para que não seja levado muito a sério. Só alguém que goza de si mesmo colocaria uma orca fazendo piruetas no fundo de uma tensa cena dramática. Ele e Zissou desejam - como Fellini, que adorava uma cenografia megalomaníaca com pedestais, elefantes e multidões - dar vida às imagens oníricas de suas imaginações assim que alguém queira pagar por elas. Basicamente. Por isso mesmo é que Zissou, em sua última fala, sentado no chão com o seu baseado, diz: Isto é uma aventura. Os filmes de Anderson sempre tiveram problemas de catalogação, transitando entre o drama e a comédia sem estacionar em nenhum. Não se preocupe com rótulos, diz ele nas entrelinhas. Aceitar A vida marinha - aliás, qualquer um dos seus filmes anteriores - apenas como um despretensioso mergulho nonsense pode melhorar a experiência do público." (Marcelo Hessel)

2004 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
21.
Red Riding Hood (2011)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.4/10 X  
Set in a medieval village that is haunted by a werewolf, a young girl falls for an orphaned woodcutter, much to her family's displeasure. (100 mins.)
“ "Eu ri do lobo. A única coisa que salva são os cenários bem fotografados, algo que a limitada Catherine Hardwicke demonstra fazer bem desde 'Crepúsculo'." (Rodrigo Cunha)

"Desses filmes que não valem muitas palavras." (Josiane K)

Transição fracassada.

Da literatura à teledramaturgia, o tom investigativo adotado por uma narrativa sempre fora uma grande isca de públicos, de modo que o famoso recurso do “quem matou” conseguia, muitas vezes, atiçar a curiosidade do consumidor daquele produto, seja ele um leitor ou um espectador. Aguardando os mesmos resultados, Catherine Hardwicke se vale deste artifício para sustentar e conduzir sua versão para o famigerado conto de fadas Chapeuzinho Vermelho. Contudo, a cineasta se mostra totalmente perdida em seu apelo incessante para fórmulas sempre óbvias, limitadas e imaturas. No caso de "A Garota da Capa Vermelha" (Red Riding Hood, 2011), o roteiro escrito por David Johnson pretende guiar a curiosidade da platéia ao entregar-se completamente ao mistério existente por trás da identidade do Lobo, visando adornar esse segredo através de um nítido revestimento de horror. Não se contentando com a obviedade dessa proposta, Hardwicke consegue sabotar ainda mais a narrativa ao lançar a mão de uma direção preguiçosa, de movimentações evidentes e táticas fadadas ao fracasso. O que dizer de uma câmera serelepe que sempre tira o foco do(a) culpado(a)? Logicamente, a intenção predominante é a de trazer o impacto acompanhado da constatação de que a criatura é a pessoa que jamais aguçaria quaisquer suspeitas. E o erro reside justamente aí, no fato de tanto a diretora quanto o roteirista confiarem realmente na astúcia desse pensamento, que com isso estarão a um passo adiante da sagacidade do espectador, quando na verdade estão somente denunciando as próprias fraquezas de seu trabalho. A dependência desse mistério é tamanha que o filme adiciona naquele meio uma espécie de triângulo amoroso (que compreende Amanda Seyfried, Shiloh Fernandes e Max Irons), onde a desconfiança colocará à prova o sentimento dos envolvidos. Com isso, Hardwicke se arruína de vez no auto-plágio que comete, quando os elementos que envolvem o núcleo romântico da produção nos transportam diretamente ao seu trabalho em Crepúsculo (Twilight, 2008); o que, visto o considerável sucesso da adaptação do livro de Stephenie Meyer, delata seus interesses inteiramente comerciais. Talvez tenha sido isso que a levou a acreditar que com esta sua transposição, ela estaria dando ao clássico literário uma face mais madura, mais forte, mais intensa. Não obstante disso, a trama altera a idade dos personagens (elemento utilizado pelo recente Alice no País das Maravilhas [Alice in Wonderland, 2010], de Tim Burton), transformando a criança protagonista da obra literária numa adolescente de hormônios em combustão. Isso nos leva a um grave erro de análise por parte dos responsáveis da produção, que parecem não compreender que estão adaptando não uma fábula infantil, mas um conto dotado de mensagens tácitas e insinuações implícitas. Na verdade, parte do fracasso dessa transposição de Chapeuzinho Vermelho para um universo mais “adulto” se culpa à infantilidade do texto (paradoxo? Não. Inaptidão) ao implantar a estória no campo do absurdo - um elefante de metal utilizado como método de tortura! -, perdendo de vez quaisquer parafusos que lhe restavam. Se a imaginação já é claramente escassa no que toca a narrativa, o mesmo se aplica aos quesitos plásticos da obra, que abraça de vez a artificialidade, em cenários exagerados que buscam remeter ao ambiente tradicional dos velhos contos de horror. E esse é um elemento que realmente não encontra reflexo na narrativa, seja pelas tentativas inférteis de dar vida a um clima de tensão, ou pelo desperdício de um ator como Gary Oldman, que encontra-se na pele de um sacerdote inquisidor mergulhado em estereótipos e detentor de uma importância questionável dentro da estória. Tudo faz parte do engodo que Hardwicke pretende montar em seu filme, comprometendo a trama já desgastada ao incluir figuras e eventos destoantes do que seria cabível apresentar, apenas em nome do marketing e do chamariz de públicos. Objetivos esses que, naturalmente, falham diante de pretensões vazias e incompetência exacerbada." (Junior Souza)

“Quem tem medo de filme ruim, filme ruim, filme ruim? O que faz um filme ser diferente do outro é como ele é pensando. Vou explicar melhor. Existem filmes que são sérios e outros que são descontraídos que não tem a intenção de passar algo mais elaborado, posso usar um exemplo o filme À prova da morte ou o mais recente Fúria sobre rodas, nesses casos você se diverte dos exageros e das brincadeiras que muitas vezes os diretores querem fazer. O ruim acontece quando você assiste a um filme que quer ser sério, e esses exageros e algumas piadas se tornam bizarras, um novo exemplo disso que estreia nos cinemas do Brasil é esse A garota da capa vermelha, eles fazem um filme que tem como base a história de Chapeuzinho Vermelho escrito pelos irmãos Grimm, atualizando e dando um ar mais sensual a essa história, mas os diálogos e o próprio roteiro ficam muito a baixo da proposta. Catherine Hardwicke a mesma diretoria de Crepúsculo mais uma vez usa uma linguagem meio erótica para contar a história, e transforma esse clássico infantil em uma versão meio cópia de seu filme mais famoso o que também é algo que não soa pelo menos para mim muito interessante. Gosto de diretores que possuem uma identidade, mas nesse caso a sua identidade não é das mais marcantes. Outro erro sério é o roteiro que é cansativo, só se torna mais interessante no 3º ato quando ainda consegue criar um ar de suspense em torno do verdadeiro lobo. Mas os diálogos são tão ruins que se tornam uma tortura no decorrer do longa. Mas não só de erros o filme é feito, a direção de arte é o grande destaque, a restituição de época e do universo do conto é extremamente bem realizada, por esse ponto o filme valeria o ingresso. O Ccine não recomenda essa tentativa de atualizar um clássico infantil. Se você é um dos curiosos eu indicaria assistir por DVD ou Blu-ray, então fica a dica."( Kadu Silva) ” - kaparecida445-2-230390
 
22.
Your Highness (2011)
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When Prince Fabious's bride is kidnapped, he goes on a quest to rescue her... accompanied by his lazy useless brother Thadeous. (102 mins.)
“ ''Lá pelas tantas, o coitado do espectador só espera a entrada em cena da oscarizada Natalie Portman para decidir se insiste ou desiste das piadas murchas da comédia ''Sua Alteza?''. Depois de afundar nas bilheterias americanas, o lançamento diretamente em DVD indica que nem a distribuidora pôs fé na bomba. Pudera! Desde o projeto, nada parece promissor: parodiar o imaginário de games como Dungeons & Dragons inserindo humor grosseiro e escatológico que, supostamente, diverte o público adolescente. No final, tentar dar um upgrade com batalha cheia de efeitos especiais. O prestigiado diretor David Gordon Green reuniu a dupla James Franco e Danny NcBride, que até teve graça em Segurando as Pontas, seu longa anterior. Mas dessa vez o filme bate tanto quanto um baseado que não acende.'' (Cassio Starling Carlos)

"Eu sempre falo sobre paródias, não é verdade? Quem acompanha minhas críticas sabem que temos dois tipos básicos: aquelas paródias bobas, que só querem fazer piadas do máximo de filmes possíveis e aquelas inteligentes, que além de esculhambar com os clichês, conta uma história e surpreende em seu nível de qualidade. Pois preparem-se, está chegando uma das melhores paródias que eu já assisti em toda a minha vida. Com vocês, "Sua Alteza"! A história segue dois irmãos, Thadeous e Fabious, que têm que se unir para livrar uma donzela de uma terrível profecia. O problema é que Thadeous nunca participou de uma missão e não entende nada de luta. No meio de sua jornada, ele terá que aprender a se comportar como um homem e ajudar seu irmão a resgatar sua noiva. Mas como toda jornada, o caminho está repleto de traidores, criaturas sobrenaturais, aprendizado e muitas mortes. Quem curte? Eu estou até agora descontrolado, não consigo parar de rir. Não, eu não estou enfeitiçado pela magia Disney e nem estou chapado. É tudo culpa deste filme! Vocês não imaginam como ele é engraçado. Já no começo somos brindados com um prólogo bem interessante, que mostra perfeitamente o que esperar ao longo do filme. Na cena, temos um mago tentando sacrificar uma jovem e quando ele está no meio de seu discurso, é atingido por uma flecha. Logo dá para perceber a quebra de clichês, mostrando que o filme irá surpreender a todo o momento. E não é para menos, temos muitas reviravoltas e situações hilárias. Os personagens são muito carismáticos. Desde o mimado Thadeous, que é meio egoísta no começo, mas consegue recuperar a simpatia do público na segunda metade, até o seu irmão, que é o símbolo do clichê, com suas frases prontas. É muito engraçado as situações que expõem sua homossexualidade. Afinal, quem pode dizer que foi molestado por um mago anão alienígena (!!)? O lado do mal também ganhar um personagem de peso. O vilão é um dos melhores personagens, com suas frases sobre sexo. As cenas entre ele e a sua prisioneira são ótimas. "Se a sua vagina funcionar tão bem quanto a minha mão, vou ficar numa boa", solta o mago depois que a donzela levanta uma questão sobre o seu pênis. E não fiquem chocados com isso, temos cenas muito piores. Dentre a principal delas, temos um personagem que é estuprado pelo Minotauro. Eu consegui rir e ficar chocado ao mesmo tempo! E o Thadeous tentando arrancar minha lembrança do Minotauro? Ah, o presentinho traz várias piadas incríveis. E não fique pensando que não há violência no filme só por ele ser engraçado. Muito pelo contrário, temos mais cenas sangrentas do que em muito filme de terror que se preze. Destaco a cena da criatura-dedo, que faz muitas vítimas, uma delas usando ácido (a Python mandou oi). E o melhor, é neste momento que a personagem da Natalie Portman se revela no filme, em uma cena de tirar o fôlego. Para quem gosta de filmes engraçadinhos que não têm medo do que o espectador pensa e os choca em todos os momentos, este filme é indicado para você. Mas se você é puritano, quer ver um filme com a família, nem chegue perto desta baixaria. A maioria das piadas envolve sexo e temos algumas cenas realmente chocantes (no sentido sexual). Nada explícito, mas eu não exibiria isso numa igreja. Vocês gostam de paródias? Então assistam logo, porque Sua Alteza é uma ótima pedida." (Nefferson Ribeiro) ” - kaparecida445-2-230390
 
23.
Weekend (1967)
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A supposedly idyllic week-end trip to the countryside turns into a never-ending nightmare of traffic jams... (105 mins.)
Director: Jean-Luc Godard
“ WEEKEND A FRANCESA

"Paródia deliciosa da sociedade francesa, diminuída por intermináveis e aborrecidos (e extremamente vazios e óbvios) discursos políticos." (Alexandre Koball)

"Uma das últimas obras tocantes de Godard. Embora já apresente características esquerdistas, que seriam marcas regitradas dali pra frente em sua carreira, sua força maior ainda se encontra na beleza do cinema vanguardista da nouvelle vague." (Heitor Romero)

"Absurdo cortazariano, Godard, caos... O Filme!" (David Campos)

Uma viagem interminável. Planos sequência enfáticos. A balbúrdia de Godard." (Marcelo Leme)

"Nos anos 60, parecia fazer sentido que "Week-end" fosse chamado de "Week-end à Francesa". Afinal, aqui ainda não tínhamos entrado na era do turismo de massa e a idéia de um filme em que se passa a maior parte do tempo em congestionamentos de estrada parecia mais do que tudo um exotismo. Bem, ao menos para nós a idéia hoje soa bastante familiar - até demais. Godard encara o tema com, até onde vai a memória, certo cinismo.A ver, os letreiros finais. Fim do filme, diz o primeiro. Fim do cinema, diz o segundo. Talvez seja um tanto apocalíptico, mas a civilização do automóvel e, por conseguinte, do lazer de fim de semana variado, se não foi o fim do cinema, foi, em todo caso, o fim de uma idéia do cinema. Depois veio o blockbuster." (* Inácio Araujo *)

“Weekend à Francesa” (Weekend, França, 1967) tornou-se conhecido por cinéfilos do mundo inteiro por causa de um plano-seqüência espetacular. Antes mesmo de Jean-Luc Godard completar a obra, revistas do mundo inteiro comentavam o longo travelling lateral, em que a câmera acompanhava um congestionamento de aproximadamente 300 metros, sem cortes, percorrendo toda uma auto-estrada francesa. Godard precisou de uma autorização especial do governo francês para enfileirar 100 automóveis e filmar a tal cena. Ela impressiona mesmo, mas é o motivo errado para chamar a atenção das pessoas, já que o filme é um dos mais políticos e radicais da carreira do diretor mais iconoclasta da história do cinema. Na época do lançamento, Godard era o cineasta-referência de todos os demais cineastas, o homem que estava revolucionando a linguagem clássica dos filmes. Ele criara uma nova técnica de edição (o jump cut – cortes que rasgavam a continuidade espaço-temporal dentro das cenas de modo radical), inseria a metalinguagem e empurrava as fronteiras do cinema narrativo. Com “Weekend à Francesa”, Godard não apenas se inseria dentro do contexto dos protestos estudantis que culminariam com os eventos em maio de 1968, em Paris, mas também rompia de vez com as narrativas convencionais, criando uma alegoria alucinada que anunciava o apocalipse (causado, é claro, pelos hábitos consumistas do capitalismo) e o retorno do ser humano à barbárie. No início, o filme até tenta manter uma unidade narrativa mais próxima do convencional. A história acompanha um casal, Roland (Jean Yanne) e Corinne (Mireille Darc), tendo uma longa e explícita conversa a respeito de sexo extraconjugal. Eles decidem pegar o carro e viajar até a casa dos pais dela, mas a viagem nunca chegará até o final – porque Godard decide transformá-la numa metáfora para o fim da civilização como a conhecemos, devido aos hábitos consumistas gerados pela educação capitalista. Aí o filme vira um road movie aloprado, repleto de carros incendiados, cadáveres jogados na estrada, figuras históricas redivivas e terroristas canibais. Parece loucura? E é. Na época do lançamento original, quando os filmes de Godard lotavam cinemas em todo o mundo com jovens ávidos por transgressão, “Weekend à Francesa” provocou verdadeiros pandemônios. O desbunde comportamental visto na telona freqüentemente ultrapassava a fronteira da ficção, sendo reproduzido na platéia de forma quase literal: gritarias, tumultos e cenas de violência se espalharam pelas salas de projeção como um rastro de pólvora (não por acaso, a revista Premiere elegeu “Weekend à Francesa” um dos filmes mais perigosos de todos os tempos). Tudo isso impulsionou Godard ainda mais rumo ao experimentalismo radical, uma trilha que levaria ao isolamento quase completo em meados dos anos 1970. O longa-metragem em si é extremamente bem filmado, com um trabalho maravilhoso do grande Raul Coutard, o fotógrafo que colaborou com Godard durante toda a primeira fase da carreira do mestre francês. Além do travelling pioneiro, há pelo menos mais um plano-seqüência fenomenal, em que a câmera traça um giro de 360 graus em torno de uma cena fulminante, na qual um pianista que dá carona ao casal discursa sobre a importância de Mozart para a música contemporânea. No roteiro, Godard vira uma metralhadora giratória disparando em todas as direções, pontuando o filme com impropérios metalingüísticos (que filme podre! Tudo o que encontramos é gente doida!, diz Roland em certo momento) e diatribes dirigidas a tudo e a todos (Estou aqui para informar o fim da era da linguagem e o início da era das extravagâncias, especialmente no cinema, vocifera outro personagem). É uma influência-chave para Clube da Luta (1999). Cinema agressivo, engajado e esparrento." (Rodrigo Carreiro)

"Na época, muitos consideraram o fim-de-semana de Weekend o canto do cisne, o limite total da sintaxe godardiana. Limite este que o próprio não tardou a transpor. Mas estes que consideraram tais limites, em verdade, já não suportavam À bout de souffle. Falo desta instituição que se arrasta: a "crítica cinematográfica". Falo pela boca destes muitos críticos. Pois não se puseram a rir com as estripulias de um casal de gente indiferente, burgeoise de verão. E os carros? Os jornais da época fizeram o marketing: "o maior travelling da história do cinema, cerca de 300m; Godard recebe o aval do governo francês para enfileirar cem carros". Para quê? Os carros ou a marca dos carros, ou o consumo das marcas de carros, ou a civilização que consome marcas de carros e os queima ao léu. José Lino Grünewald, um dos poucos que enxergaram longe na época, coloca os carros de Weekend em posição privilegiada na estrutura do filme. O carro é o signo que, transposto, nos conduz às nem sempre óbvias, porém fecundas, críticas de Godard à violência. Violência dos parâmetros burgueses que atribuem à vida o valor total da moeda, dos bens de consumo e do conforto. Violência asseptizada pela mídia, cuja redenção via Godard (ou melhor, via cinema), se dá por um banho de sangue, carnes e carros queimados, numa improvável visão do apocalipse. Curiosamente, o impagável canibalismo tardio, como paroxismo do afã moderno, não ultrapassa em deboche, um dos momentos de memorável destruição. O único arrependimento do casal, quando eles queimam um filósofo e se admiram: "não estamos indo longe demais?" Godard ri e mais uma vez joga o script fora, sem perder de vista que, trinta anos depois, Weekend portaria a mesma força crítica." (Bernardo Oliveira)

O apocalipse de Godard.

"Weekend à Francesa" marca a transição de Jean-Luc Godard de sua participação na Nouvelle Vague para a fase posterior, de veia marxista. Foi lançado um ano antes do emblemático maio de 68, e com este filme Godard provocaria, mais uma vez, reações diversas nos espectadores. Causou polêmica com suas observações sobre o mundo, impressionou por sua ousadia e transgressão formal e também pelos experimentos técnicos insanos. Para filmar o plano-sequência que percorre através de um travelling longuíssimo um engarrafamento de mais de cem automóveis, pelo qual o filme geralmente é lembrado, Godard precisou da autorização do governo francês para fechar uma rodovia – e o resultado dessa empreitada, além de seu primor estético, também sintetiza muito desse grande filme. Encontramos aqui um mundo em colapso. Antes de qualquer coisa, Godard nos lança em direção ao colapso dos relacionamentos humanos. Logo nos primeiros minutos, um casal sentado à cama conversa sobre sexo. A mulher, em um contra-luz belíssimo, relata ao marido algumas experiências sexuais suas durante uma viagem. Trepei com fulano, trepei com ciclano e sua mulher, trepei e trepei. O marido a ouve com a maior frieza do mundo. Posteriormente, durante a viagem que dá forma à trama, compreendemos o por que. Todos, em Weekend à Francesa, trepam e trepam e falam de suas trepadas de uma forma tão impessoal e desestimulante que, ao final do filme, o sexo soa como uma ação robótica. É sintomático. Godard transformou-se em símbolo da geração francesa dos anos 60, e não foi por qualquer bobagem. Se observarmos seu cinema cronologicamente, pode-se notar as transformações pelas quais a juventude francesa passava, pouco a pouco, até chegar ao fatídico movimento estudantil de maio de 68. O Demônio das Onze Horas (Pierrot le Fou, 1965) insinuava que só se poderia ignorar as amarras sociais vivendo por um amor intenso, pois a liberdade em si, um desejo de todos à época, era impossível de ser conquistada sem ser de outra forma que não a retratada na trágica e poética cena final. Era pura utopia. Mais tarde, em A Chinesa (La Chinoese, 1968), com o mundo quase explodindo e seu cinema consciente desta impossibilidade, Godard filmaria uma fuga às avessas: sem a sonhada liberdade, a juventude procurava refúgio nos livros, na política, na militância marxista. Assim voltamos a Weekend à Francesa e ao casal do início, nossos protagonistas, integrantes de um mundo onde o valor das coisas materiais muitas vezes supera o das pessoas. Ambos partem em uma viagem por rodovias cheias de signos do caos. Carros incendiados, colisões fechando o trânsito, corpos ensanguentados e vestidos com roupas multicoloridas estirados no asfalto, cadáveres que nem mesmo chocam diante de tanta frieza. O automóvel, símbolo do poder ocidental e um dos principais desejos de consumo até os dias de hoje, é utilizado por Godard para dar forma ao seu apocalipse social, que, claro, é pintado através dos exageros do consumismo e do capitalismo predatório. A atmosfera do filme se controi diante de um suposto casamento muito louco entre o cinema de George Romero, com seus filmes de zumbis, e o mestre surrealista Luis Buñuel, e suas observações sobre os costumes burgueses. Os personagens de Godard vagam pelas estradas da França numa viagem que, por mais que se ande, jamais encerra. O asfalto parece uma esteira. Ambos rodam, rodam e não saem do lugar, topando com tipos e situações absolutamente nonsenses. “Que filme ruim, tudo o que fazemos é encontrar gente doida” fala o protagonista em um momento do filme, num daqueles jogos metalinguísticos que Godard adorava. Nessa sensação de aprisionamento narrativo, percebemos que Weekend à Francesa também não deixa de representar uma auto-colisão do cinema de Godard. É sua experiência limítrofe, a arte posta à prova, o cinema implodindo em nossa frente de forma quase apoteótica - até que, em certo momento, enquanto os personagens fazem uma curva em alta velocidade, a película literalmente se rasga em fragmentos. Toda a inquietude do mundo se volta a "Weekend à Francesa" neste momento. A partir daí o filme de Godard perde o fôlego; fica estático. Nem mesmo corre no lugar. Se não sabíamos onde tudo aquilo iria chegar, ou se enfim chegaria a algum lugar, agora temos certeza: vai ficar ali, parado. A colisão dos homens consigo mesmos e com o mundo ganha contornos ainda maiores, desesperadores. Não por nada o filme, que abre com a conversa de um casal sobre sexo, encerra com canibalismo, com a mulher comendo os restos do marido como se comesse uma chuleta de porco. Os homens regressam à boçalidade, vivem em florestas, se alimentam uns dos outros. Bem-vindos às ruínas sociais de Godard. Em meio a isso, o diretor insere quantias muito maiores de discursos de esquerda do que em qualquer outro de seus filmes anteriores (em muitos momentos defendendo o marxismo com inventividade narrativa e formal, ao contrário de seus filmes posteriores, onde tudo viraria panfletagem) e vai, aos poucos, analisando os problemas do mundo. Era um prenúncio da fase marxista e da parceria com o grupo de cinema tcheco Dziga Vertov. Era o fim daquele Godard que tanto nos fez rir em Uma Mulher é uma Mulher (Une Femme est une Femme, 1961), que tanto subverteu fórmulas clássicas em Alphaville (idem, 1965) ou Bande à Part (idem, 1964), que tanto amou o cinema em O Desprezo (Le Mépris, 1963). Em "Weekend à Francesa", Godard desiste da Nouvelle Vague em tempo real e se declara um militante do mundo." (Daniel Dalpizzolo)

1967 Urso de Ouro ” - kaparecida445-2-230390
 
24.
The Young One (1960)
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A jazz musician seeks refuge from a lynch mob on a remote island, where he meets a hostile game warden and the young object of his attentions. (95 mins.)
Director: Luis Buñuel
“ "Este é o único filme dirigido por Buñuel nos Estados Unidos. Dizem os críticos que este não é um dos seus melhores filmes, mas sem dúvida trata-se de uma história forte, onde uma pobre menina órfã (Kay Meersman) desprovida dos cuidados do avô recém-falecido terá que conviver com o vizinho Sr. Miller (Zachary Scott). A menina é tratada de maneira rude, até que chega o dia em que ela é violada pelo homem que deveria zelar por sua integridade física. Este mesmo senhor decide sair da ilha por um dia para tratar do destino da garota e de resolver outros assuntos. É nesse dia que aparece Traver (Bernie Hamilton) um fugitivo que decide refugiar-se na ilha a tempo de consertar o seu barco para continuar sua fuga. Ele conta com a ajuda da menina. Mas quando Sr. Miller traz um outro conhecido seu e o Reverendo, a vida de Traver corre perigo, principalmente por ele ser negro e ter em suas costas a acusação de estuprador. Traver conta em detalhes o ocorrido ao Religioso e porque o povo da cidade quer linchá-lo, devido a uma mulher branca acusá-lo de estuprador. O Reverendo acredita na história de Traver, mas a vida dele corre perigo na ilha. O discurso racista é muito forte na fala das personagens. Contudo Buñuel quando falava deste filme não queria explorar o racismo entre as personagens, dizia que não era a sua intenção, dizia que aquilo era fruto de diferenças sociais. Não havia personagens ali que fossem totalmente maus ou totalmente bons", segundo o diretor. A primeira atriz selecionada abandonou o projeto, Luis Buñuel ficou então com a inexperiência de Kay Meersman, que não importava em melhorar a sua atuação. Sobre ela ele chegou a comentar: A atriz não era proifissional e ter que dirigi-la foi para mim um pesadelo. Apesar dos ensaios, a garota era completamente inútil. Só estava no filme pela vontade dos pais e em minha filmagem parecia totalmente alérgica ao cinema. Sem dúvida, o resultado é muito natural." (Sala de Cinema)

1960Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
25.
Aguirre, the Wrath of God (1972)
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In the 16th century, the ruthless and insane Don Lope de Aguirre leads a Spanish expedition in search of El Dorado. (93 mins.)
Director: Werner Herzog
“ "Foi a partir de "Aguirre, a Cólera dos Deuses" que o mundo conheceu Werner Herzog, o diretor, e Klaus Kinski, o ator. Uma filmagem na Amazônia a partir da aventura do espanhol que buscou, ali, o Eldorado. Que sonhou com ele até o delírio e a loucura. Foi uma filmagem difícil, que quase não chega ao fim (assim como a aventura de Aguirre). Para que terminasse, Herzog precisou ameaçar Kinski, que pretendia desertar, com uma carabina. Mas certas coisas valem a pena. Kinski confere ao papel, com seu olhar insano, uma intensidade única. O resto entra na conta da selva, da natureza selvagem, indiferente aos sonhos, e da beleza da mexicana Helena Rojo. Resumindo: uma obra-prima." (* Inácio Araujo *)

''Que estranha semana, esta: já passou pela insânia da guerra, pela loucura amorosa e hoje dedica seu melhor a "Aguirre, a Cólera dos Deuses". Dá até para escolher o tipo de loucura que acomete o conquistador espanhol em sua viagem à Amazônia, tal como vista por Werner Herzog em seu filme de 1972.
Loucura metafísica, loucura induzida pelos deuses a alguém que querem destruir, loucura de ambição? Pode-se pensar nisso tudo e, ainda, na loucura que estampa o rosto de Klaus Kinski, o magnífico Aguirre do filme. É, mais do que de ouro, de desassossego que se trata. É isso que irradiam os olhos desse que Herzog chamou de "meu melhor inimigo". O horário é horrível, mas vale a pena gravar: é filme precioso." (** Inácio Araujo **)

''Um filme de guerra em que nada parece acontecer. O que talvez fosse algo antagônico e impraticável no cinema se tornou uma obra-prima. Um clássico. Aguirre, der Zorn Gottes, um dos grandes filmes da carreira do respeitado e premiado diretor alemão Werner Herzog, conta a história de muitas guerras em um único episódio. O que assistimos, de forma contemplativa, muitas vezes, é o combate de diferentes tipos de civilizações e, mais do que isso, do homem contra a Natureza, contra sua própria soberba e ganância. Nesta produção sobram os efeitos especiais e as câmeras velozes em busca de ação. O que importa é a angústia do tempo que não passa e a certeza de que a busca pelo poder e pela riqueza não valem nada em muitos lugares do mundo – talvez, no mundo inteiro. Herzog nos apresenta aqui uma obra corajosa que continua impactante mesmo 37 anos depois de seu lançamento nos cinemas. Depois de terem sido invadidos e terem seus recursos usurpados pelos colonizadores espanhóis, os incas criaram a lenda do Reino do Eldorado, um local repleto de ouro e riquezas. Segundo os créditos iniciais do filme, ele conta, baseado no diário do frei Gaspar de Carvajal (Del Negro), o que aconteceu com a primeira expedição espanhola que buscou o Eldorado, em 1560. Liderados por Gonzalo Pizarro (Alejandro Repulles), os espanhóis cruzaram os Andes peruanos e adentraram na floresta atrás da lenda inca. Sentindo-se em uma encruzilhada na floresta, o grupo se dividiu. Uma parte ficou acampada e a outra seguiu a procura do Eldorado. No seu caminho, o grupo de exploradores deve enfrentar a resistência dos índios, as forças da Natureza e a própria divisão interna. A primeira idéia que vem a cabeça de qualquer pessoa que assiste a este filme é: O que aqueles espanhóis faziam ali? Como eles pensavam em ter êxito se vestindo daquela forma, carregando canhões e seguindo com seu modo de vida em um local tão oposto ao que eles estavam acostumados? Incrível o retrato irônico daquela expedição valente e pioneira a partir dos primeiros minutos do filme. Mérito, sem dúvida, do roteirista e diretor Werner Herzog, merecidamente considerado um dos grandes nomes do cinema alemão de todos os tempos. Seguindo a tradição documental, Herzog nos conta uma história de semi-ficção de maneira naturalista. Não existe pressa na narrativa. Para nossa sorte. Acredito que poucos filmes mostram de maneira tão destacada a batalha entre o homem e a Natureza em uma guerra – sim, porque a invasão espanhola foi uma guerra contra os nativos indígenas. Talvez apenas Apocalipse Now (filmado posteriormente, em 1979) foi tão evidente nesta contraposição entre estas forças – a humana e a da Natureza, esta segunda sempre na mira de ser “domada” pelos primeiros. Aguirre, der Zorn Gottes deixa claro, sem pressa, que não existe a possibilidade do homem vencer a Natureza – ainda mais quando ele segue a sua própria, ou seja, quando se deixa levar pela ganância, pela ambição e por seu instinto assassino. Todas estas últimas características assumidas pelo protagonista, Don Lope de Aguirre (o arrepiante Klaus Kinski). Interessante o título original do filme, que considera Aguirre como o personagem que incorpora a “cólera dos deuses”. Esta leitura sobre ele não deve ser vista apenas pelo comentário de um dos indígenas que cruza o caminho da expedição e que afirma que eles esperavam, um dia, a chegada dos “filhos do Sol” que viriam trazendo perigo. A referência é muito anterior. Nos leva até o mito de Prometeu e à tradição literária que nos acompanha desde a época de Homero. Fazendo um paralelo entre Prometeu e Aguirre, percebemos que o personagem de Klaus Kinski seria aquele que profanou o sagrado, que ousou roubar o que era essencial para a vida e que, até seu ato, era dado sem a necessidade do roubo. Acredito que não existe paralelo mais bonito e lírico com os abusos que foram feitos na América Latina por portugueses e espanhóis e que, infelizmente, ainda é repetido hoje em diferentes nações através das guerras que continuam com esses atos de roubo e de escravização da vida humana – sagrada, por sua vez. Como bem explica este texto sobre Prometeu, a cólera dos deuses se manifestou através de Pandora, que trouxe para a humanidade, que até então vivia em um “mundo sem doenças ou sofrimentos” (imagem que a História tem dos nativos da América), uma série de malefícios. Como aconteceu com titã Prometeu, Aguirre ficou preso em seu próprio sofrimento – depois de perder a filha, interpretada por uma jovenzinha Natassja Kinski, impossível de ser identificada. Tecnicamente, o filme é muito bem feito para a sua época. Especialmente pelos desafios que a equipe deve ter enfrentado no Peru, onde o filme foi rodado. Entre as locações pelas quais a equipe passou estão a cidade de Cuzco, a cordilheira dos Andes, o vale de Urubamba, os rios Huallage e Nanay e os territórios de Aguaruna e Lauramarca. Imersos naquela realidade pitoresca, Werner Herzog e o diretor de fotografia Thomas Mauch fizeram um trabalho exemplar de captura do cenário – que se transforma em um elemento fundamental da narrativa. Acompanhando as cenas magistralmente planejadas, temos a trilha sonora precisa na função de intensificar o drama daquela expedição assinada por Popol Vuh. Klaus Kinski, que se tornaria um dos atores preferidos de Herzog, está perfeitamente assustador neste filme. Seu olhar perdido, estático em um horizonte dourado construído por sua imaginação, arrepia. Cada vez que o ator aparece mudo em cena, nos preparamos para mais algum ato de traição. Nos preparamos para o pior. É como se fosse a calmaria antes da tempestade que chega para dizimar o que aparece pela frente. Em busca de poder, Aguirre não tem medida para sua loucura. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Ao lado de Kinski, destaco a atuação do jovem Ruy Guerra como Don Pedro de Ursua, o homem para quem foi confiada a expedição espanhola e que acabou sendo traído por Aguirre. Para mim foi uma surpresa ler o nome de Ruy Guerra, diretor moçambicano que acabou se radicando no Brasil, nos créditos principais deste filme. O grande Ruy Guerra, ex-marido de Leila Diniz e de Claudia Ohana e diretor de clássicos como Os Cafajestes, Ópera do Malandro e Estorvo, está ali, entre os grandes nomes deste filme. Além dos dois atores citados, vale comentar a interpretação sensível de Helena Rojo como Inez, a fiel companheira de Don Pedro de Ursua que não abandona o marido mesmo quando sua morte é inevitável. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A sua personagem, aliás, é a responsável por uma das cenas mais bonitas do filme – quando ela sai andando para a floresta, em uma espécie de suicídio. Faz parte do elenco ainda Peter Berling como Don Fernando de Guzman, usado como bode-expiatório de Aguirre; Daniel Ades como Perucho; Edward Roland como Okello; e Cecilia Rivera como Flores." (Critica Nonsense da 7*Arte)

''A abertura de Aguirre é impressionante. De início, a câmera de Herzog capta umas formas minúsculas marchando por um penhasco coberto de nuvens. Um close-up revela, aos poucos, que essa “trilha de formiga” é na verdade uma caravana do século XVI, serpenteando pelos Andes. O cenário vertiginoso e a música, grandiosa e melancólica, parecem anunciar o destino trágico dos aventureiros europeus, prestes a serem engolidos pela natureza selvagem do Novo Mundo. O cenário de Aguirre é familiar – a história de conquistadores espanhóis que se embrenham no meio da selva amazônica à procura da El Dorado, dizimando civilizações inteiras no processo. A expedição acaba condenada pela cobiça e loucura de Don Lope de Aguirre (Klaus Kinski), que elimina qualquer um que fique no caminho da conquista da lendária cidade de ouro. É difícil não ser afetado pelo clima incrivelmente desolador do filme; não dá pra afastar a sensação de que o Todo Poderoso abandonou Aguirre para morrer pelos seus pecados, sozinho, esquecido nas entranhas do Amazonas. Entre seus triunfos, "Aguirre, a Cólera dos Deuses" foi eleito como um dos cem melhores filmes já feitos pela revista Time, e exerceu forte influência sobre Apocalypse Now (1979) de Francis Ford Coppola. Aguirre foi a primeira colaboração entre Werner Herzog com Klaus Kinksi, a quem Herzog também dirigiu em Nosferatu, o Vampiro da Noite (1978) e Fitzcarraldo (1982), outro marco do cinema alemão. A relação de amor e o ódio entre os dois é lendária, rendendo até um documentário, Meu Melhor Inimigo (1999), do próprio Herzog. Herzog estabeleceu desde o final dos anos 1960 uma colaboração com o Popol Vuh, o primeiro grupo alemão a usar o famoso sintetizador Moog, no disco Affenstunde (1970). Dentro da kosmische musik alemã, os discos do Popol Vuh são notáveis por misturar os sons espaciais de sintetizadores com instrumentos acústicos – tipo violões, cítaras e os mais variados tipos de percussão. Alguns críticos apontam o Popol Vuh como um dos projetos musicais decisivos para a criação do new age. Vocês sabem: Yanni, Enya, Enigma, Loreen McKennitt, Kitaro... Aguirre, o tema de abertura do filme, é conduzido por um pulso eletrônico e um coro angelical, supostamente produzido por um Mellotron, um dos primeiros teclados a trabalhar com samples. “Aguirre” contém em si o prenúncio da tragédia; ela traduz com precisão a dimensão sublime e ao mesmo tempo fatalista da história. “Flöte” registra a flauta de pã tocada por um nativo peruano, logo depois que Aguirre lidera o motim. A faixa título recebe um segundo tratamento mais adiante, dessa vez com uma combinação violão + guitarra que lembra as melhores jams do Led Zeppelin. O restante da trilha é confusa na seleção de faixas. O álbum inclui músicas inéditas gravadas entre 1972-1974, e até coisas de outros discos. É o caso de Morgengruß II, uma versão quase idêntica à de uma música do Einsjäger und Siebenjäger (1974). A versão atual de Aguirre, devidamente remasterizada e relançada, vem de bônus com Spirit of Peace 1-3, três meditações sonoras sob piano solo gravadas uma década depois de Aguirre. Werner Herzog sempre reclamou que a qualidade da música dos filmes que produziu nunca foi reconhecida, e a grandeza musical do seu amigo Florian Fricke, do Popol Vuh, foi injustamente ignorada. Numa tímida tentativa de reparar esse erro, fiz questão de escrever essa resenha de hoje. Uma grande música para um grande filme, digo a vocês. O Cinema Detalhado não disponibiliza links pra download. Se quiserem ouvir a trilha, mandem uma mensagem pra mim que eu a envio via e-mail. Obrigado." (Cinema Detalhado)

"Aguirre é um desses filmes em que Werner Herzog condensa de forma sublime o melhor do seu cinema – e desse mistério que é a construção de um filme. Temos já, mesmo se tratando de um filme na primeira década de sua carreira, uma temática ao qual o diretor alemão voltará recorrentemente ao longo da sua obra: o poder da natureza em disputa com a potência do homem, a força esmagadora do ambiente contra o desejo de conquista desenfreado do ser humano. Nessa expedição colonialista do século XVI, Herzog coloca em relação o ser humano como uma força de racionalidade, ou pelo menos, racionalizante (mesmo que de abstrações, ambições e delírios) e a natureza como o incomensurável e inconquistável (as águas do rio que não se deixam navegar, a espessura da floresta impenetrável, o nevoeiro que não permite enxergar e as montanhas ingremes dificilmente escaladas). Nesse sentido, o diretor coloca em questão esse que foi um dos grandes projetos da modernidade (e do seu cinema): a natureza como essa força intangível a ser superada pelo ser humano – e que as grandes navegações, já traziam em seu germe. Uma superação quase nunca possível e, ainda assim, almejada. É assim que encontramos a expedição liderada pelo conquistador espanhol Gonzalo Pizarro em busca de Eldorado, a lendária cidade de ouro no Peru. A grandiosidade da empreitada esbarra em diversos problemas estruturais do grupo em plena floresta amazônica do século XVI. Nobres, soldados, escravos, um padre e duas mulheres são uma comitiva pesada demais para conseguirem avançar no terreno desconhecido e inóspito. A densidade da floresta toma conta dos planos. A umidade do rio turbulento engole as cenas. Os longos planos de espera e contemplação diante daquele ambiente exuberante materializam a impotência daqueles homens e mulheres frente à natureza e ao seu destino. Diante da impossibilidade de seguir nessas condições, o grupo se divide em uma comitiva de cerca de 40 homens. Mas o subgrupo chefiado por Don Pedro Urzúa logo é tomado de ataque por Dom Lope de Aguirre. A loucura da missão materializa-se então na loucura de Aguirre, interpretado genialmente por Klaus Kinski. Esse filme marca, aliás, a primeira parceria conturbada entre o ator e o diretor – que ainda farão juntos Nosferatu (1979), Fitzcarraldo (1982), entre outros filmes do cineasta. Seguimos então nessa expedição rumo ao nada – rumo à loucura. Loucura de Aguirre, de Herzog, de Kinski, da expedição, da natureza e do filme. Aos poucos, os movimentos aberrantes da câmera tornam-se comuns – em uma espécie de contaminação de humores. Da calmaria entediante com seus longos planos, a câmera também enlouquece, se desequilibra, dança. A cena da cabeça cortada que canta até dez nos instala definitivamente na insanidade que indiscerne os planos do filme – trata-se da loucura de quem, afinal Mas a loucura que obceca Herzog estava também na própria estrutura daquele grupo: nobremente protocolar em plena terra de ninguém. Eu solenemente tomo posse dessas terras, seis vezes maior do que a Espanha – declara Don Fernando de Guzmán ao se tornar rei da terra imaginária de Eldorado, em um momento em que o grupo está de fato perdido. Nesse ponto, o homem como potência racionalizante já perdeu a batalha contra o incomensurável. Estamos no terreno da pura abstração materializada em um quase realismo fantástico – mas na austeridade do cinema de Herzog. Afinal, o que é um trono senão madeira coberta de veludo? Como manter o protocolo aristocrata em uma terra sem leis – ou submetida fortemente as leis da natureza? Qual a validade de um julgamento do qual já se sabe a sentença? Ou de uma insurreição que leva do nada à coisa alguma? É o banheiro improvisado dentro da balsa, ela também já improvisada, que ressalta não a civilidade do humano, mas o absurdo de suas crenças, culturas e, sobretudo, dos seus códigos. São as mãos e bocas esfomeadas que precisam esperar o rei de terra alguma se alimentar para devorarem loucamente os seus restos. Como se contaminado pela umidade do cenário, aos poucos o filme se transforma. Os longos planos silenciosos mais do que a espera passam a representar um medo invisível, uma inevitabilidade da catástrofe final que se prolonga arrastadamente. A mesma circularidade do caminho torna-se a da câmera. Na disputa entre poder e potência, os homens são completamente esmagados, em um processo gradativo de engolimento. Realidade e ilusão, por fim, se misturam, pois já não há ponto de vista neutro e não enlouquecido." (Kenia Freitas)

1972 César ” - kaparecida445-2-230390
 
26.
Machine Gun Preacher (2011)
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Sam Childers is a former drug-dealing biker tough guy who found God and became a crusader for hundreds of Sudanese children who've been forced to become soldiers. (129 mins.)
Director: Marc Forster
“ "Butler consegue dar força às cenas de ação e a mensagem religiosa é facilmente dizimada pelas metralhadoras, ainda bem. A mensagem é muito forte e contundente e, embora o filme não tenha presença para mudar a cabeça de ninguém, passa seu recado muito bem." (Alexandre Koball)

"O começo é bastante apressado e, ocasionalmente, Forster derrapa nos clichês e no sentimentalismo, mas é difícil ficar imune à força da história e ao sempre interessante protagonista. Mesmo longe de genial, é um filme que cumpre bem o que promete." (Silvio Pilau)

"Melodrama puro, chato até o pastor pegar a metralhadora (um tanto absurdo e contraditório, diga-se), mas, entre outras ressalvas, propõe reflexões pertinentes, sobre solidariedade, extremismo religioso e combate à violência... com mais violência." (Rodrigo Torres de Souza)

Rambo da geração neoconservadora prega que todo ato é válido se você simplesmente acredita nele.

''Uma crítica que se fazia ao primeiro Tropa de Elite é que era um filme tão averso à teoria - o negócio de Capitão Nascimento é partir logo para a prática - que termina moral e politicamente difuso. ''Redenção'' (Machine Gun Preacher) sofre deste e de outros problemas. O drama do diretor Marc Forster (007 - Quantum of Solace, Em Busca da Terra do Nunca) conta a história real de Sam Childers, interiorano dos EUA que, depois de sair da cadeia, encontrou Cristo, largou as drogas e o crime e, influenciado por um missionário católico, partiu para a África. Em 30 anos, Childers construiu um orfanato para vítimas da guerra civil no Sudão e ganhou o apelido de "pastor da metralhadora". Críticos de Childers - como uma médica sem fronteiras que aparece no filme - enxergam nele um mercenário que responde a bala, como seus inimigos, os radicais sudaneses, aos conflitos da região. Falar de paz em uma sala é perda de tempo, diz Childers (Gerard Butler) no filme a um dos políticos do Sudão. O que soa apenas como uma reação pragmática à passividade da diplomacia no fundo revela a incapacidade do personagem de enxergar contextos e de colocar suas ações em perspectiva. Na interpretação imprecisa de Butler - o escocês está longe de passar credibilidade como um caipira motoqueiro - e na condução omissa de Forster, Childers se esvazia e se infantiliza. Logo nos primeiros embates de Childers com a realidade, ao sair da prisão, o que nos chama a atenção é a sua surpresa diante do óbvio: ele injeta heroína de noite e, na manhã seguinte, olha-se no espelho com choque, como se nunca tivesse passado por uma ressaca. Ao mesmo tempo, as elipses que o roteirista Jason Keller impõe ao filme tiram de Childers suas etapas de aprendizado, a assimilação do erro - ele passa por uma experiência, qualquer experiência, e em seguida reage em direção oposta. Ao chocar-se com as drogas, por exemplo, larga-as logo depois. Não há um processo, uma reflexão no filme sobre essas experiências. Fica claro, a certa altura, que essa opção de descomplicar o mundo é feita para encampar a visão simplista do pastor Childers - que diz em sua igreja que tudo é uma questão de ação, que tudo que você precisa é abrir a porta e deixar Jesus entrar. Daí a perplexidade do personagem diante de revezes, como na cena em que ele mata uma criança africana durante uma caçada aos radicais e, só então, o filme questiona as motivações de Childers. Não se engane com questões inseridas ao longo do filme para satisfazer uma suposta abrangência. Como em Tropa de Elite, elas existem ali para "compor um painel complexo" (o amigo largado nos EUA, o comentário sobre o capitalismo), mas se perdem na cacofonia moral de Redenção. Quando o verdadeiro Childers aparece nos créditos finais defendendo seus atos - Se você perdesse o seu filho e eu o trouxesse de volta, importaria como eu trago? - e a foto do inimigo sudanês é exposta em retrato (só falta o letreiro procura-se embaixo), fica claro que o filme corrobora mais com o caçador-de-recompensas do que com o abnegado humanitário. É possível que Childers seja muito mais complexo na vida real, mas no filme ele representa a miopia geopolítica e a indevida apropriação religiosa dos anos Bush: agir como se seus atos se justificassem, certos ou errados, porque Childers acredita nesses atos." (Marcelo Hessel)

69*2012 Globo ” - kaparecida445-2-230390
 
27.
Andrei Rublev (1966)
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The life, times and afflictions of the fifteenth-century Russian iconographer. (205 mins.)
“ “Não sou um artista de salão, nem cabe a mim manter o público feliz. Os Animais e a Realidade. Frequentemente Tarkovski procurava definir a autenticidade que buscava na tela como a ilusão da realidade. Robert Bird sugere que essa aspiração é impossível ou pouco sábia e dá o exemplo dos reality shows tipo Big Brother, cuja intenção de captar a vida como ela é criaria na verdade uma sensação de que as atitudes naturais são forçadas ou ensaiadas. Talvez alguns dos momentos menos realísticos dos filmes de Tarkovski acontecem, sugere Bird, quando animais são levados a desempenhar complexos movimentos. O fato de que o tratamento cruel de animais em Andrei Rublev (Andrei Rubilov, 1969) – quando Kirill bate no cão, a vaca pegando fogo, o cavalo que cai da escada e recebe uma lança no coração - também chamou a atenção de público e crítica. Não há sentido em falar de naturalismo em cinema. Como alguém comentou a respeito do abate de gado em A Greve (Stachka, 1925), dirigido por Sergei Eisenstein, tudo isso dá uma sensação de morte e realidade – poderíamos citar também cenas de matadouro em Berlin Alexanderplatz (1980), direção de Rainer Werner Fassbinder e no documentário de Georges Franju, O Sangue das Bestas (Le Sang des Bêtes, 1949). Deliberada estetização da crueldade? Tarkovski questiona a atribuição de naturalismo a seus filmes, especialmente porque não acredita que o naturalismo possa ser mais do que uma aspiração. Segundo o cineasta, frequentemente os críticos simplesmente aproveitam-se do termo como uma desculpa teórica para questionar o direito do artista de lidar com fatos que fazem o espectador estremecer de horror. Afirma ainda que Eisenstein e Dovzhenko, que foram colocados em pedestais pela historia do cinema, poderiam ser acusados de transgredir as regras. O mesmo poderia ser dito, finaliza Tarkovski, em relação aos documentários sobre campos de concentração. Em suas próprias palavras: Aplicado ao cinema, o termo naturalismo não pode ter um significado efetivo. Ninguém pode, afirmou Tarkovski, reconstruir a verdade completa diante da câmera. O que não impediu, completa o cineasta, que críticos da antiga União Soviética utilizassem o termo de forma injuriosa em relação a algumas cenas de Andrei Rublev, considerando-as uma deliberada estetização da crueldade por si mesma.Toda discussão a respeito do que pode ou não ser mostrado só pode ser uma tentativa mesquinha e imoral de distorcer a verdade. O artista deveria diferenciar-se por uma entrega desinteressada ao dever; mas já faz muito tempo que esquecemos disso. Tarkovski deixou claro que ''Andrei Rublev'' é a história de um conceito ensinado ou imposto que pega fogo quando em contato com a atmosfera da verdade viva, para em seguida erguer-se das cinzas como uma nova verdade descoberta. De fato, o filme está repleto de livros queimados e esboços de ícones que, de acordo com Tarkovski, deverão levantar-se das cinzas. Segundo Bird , a estrutura mesma do filme poderia ser relacionada a um manuscrito medieval com iluminuras, uma vez que está repleto de imagens gravadas e textos e retrata um pouco da vida de pintores de ícone. ''Andrei Rublev'' e todos os filmes de Tarkovski que seguiram nos lembram que nossa condição é de viver sobre uma corda num abismo entre fé e dúvida. Michel Chion. Muitos personagens têm uma relação peculiar com os livros. Por exemplo, Daniil é muitas vezes mostrado na companhia de livros, mas raramente os lê. No episódio I (O Bobo da Corte), ele cochila durante a leitura. (imagem abaixo) No episódio II (Teófanes o Grego), finge estar lendo o livro para evitar falar com Andrei. Outros personagens sugerem que interesse por livros é uma virtude dúbia. No episódio IV (O Último Julgamento), Foma é visto com um livro de esboços de ícones, ele espera utilizá-los nos afrescos da igreja em Vladimir (quarta imagem abaixo, à direita). Na mesma cena, Daniil instrui o jovem Sergei para acalmar Rublev lendo uma passagem do Novo Testamento. Retirada de São Paulo, a passagem na verdade irrita Rublev mais ainda, uma vez que ela contradiz dolorosamente a realidade observada pelo monge. Um país se faz com homens e livros. A interação de Kirill com os livros é ainda mais negativa. Ele questiona as autoridades letradas em sua conversa com Teófanes e, por seus pecados, ordenam que copie as Escrituras quinze vezes. Como o filme deixa claro numa conversa posterior entre ele e Rublev, essa pena nenhum bem causou a Kirill: copiar não é o mesmo que compreender. Teófanes ressurge da morte no episódio V (A Caçada) para fazer importantes revelações a Rublev. A primeira imagem é de uma mão folheando um livro meio queimado (imagem abaixo, à direita). O livro é desnecessário no céu, onde não é preciso mediação verbal para falar com Deus, ainda que Teófanes guarde uma estima em relação aos livros - já que permitiram que ele encontrasse Deus. Rublev não acredita mais na correspondência entre as imagens e a verdade. Teófanes lida com as imagens da mesma forma. Ele questiona o desgosto de Rublev em relação à iconostasis (uma espécie de parede cheia de ícones) queimada pelos tártaros. O próprio grego admite haver queimado várias. Respondendo a uma pergunta de Rublev sobre o paraíso, afirma que não é como o jovem monge imagina. Ainda assim, Teófanes admite que os ícones sejam maravilhosos (imagem abaixo, à esquerda). Teófanes rebaixa o ícone a uma aproximação da verdade que, longe de expressar uma realidade transcendente, é um esboço dela. Inicialmente, Rublev toma isso como uma negação da palavra e da imagem, ele responde rejeitando a pintura de ícones e o falatório. A partir desse ponto, através do voto purgativo de silêncio do monge, Andrei Rublev torna-se um filme sobre a ressurreição da palavra e da imagem. O paraíso e a imagem que Rublev fazia dele está desmoronando. Embora o filme seja repleto de ícones, apenas uma vez Rublev aparece segurando um. Trata-se de uma imagem de São Jorge matando o dragão, chamuscada pelo fogo no incêndio do palácio do príncipe. Aliás, é ele mesmo que dá uma olhada no ícone logo depois de haver mandado Stepan cegar os pedreiros na floresta, como que estabelecendo uma similaridade diabólica entre seu crime e o trabalho espiritual de São Jorge. A redescoberta do ícone conclui intenso discurso das imagens em Andrei Rublev. Contudo, no episódio final, o tema ressurge de outra forma, quando Boriska grava a imagem de São Jorge matando o dragão no sino que está fazendo. O epílogo do filme confirma essa veneração dos ícones, embora as imagens dos ícones não dêem ao espectador uma figura completa e definida. São closes de partes dos ícones que não nos apresentam uma palavra ou uma imagem final. Comentando sobre a função de um epílogo colorido num filme preto e branco, Tarkovski afirma que... A menos que alguém seja sensível à harmonia das cores enquanto pintor, não se percebe as cores na vida diária. Por exemplo, para mim a realidade cinematográfica existe em tons de preto e branco. Contudo, em Andrei Rublev tivemos que relacionar vida e realidade por um lado com arte e pintura do outro. Essa conexão entre a seqüência final colorida e o filme preto e branco foi para nós uma forma de expressar a interdependência entre a vida e a arte de Rublev. Em outras palavras: por um lado, vida cotidiana, racional e apresentada de forma realista, e, por outro lado, um sumário artístico convencional de sua vida, sua próxima etapa, sua continuação lógica. Palavras. Como chegar à verdade? Qual é o melhor caminho? No episódio VI, Sergei lê as Escrituras de forma hesitante, o texto está cheio de palavras pouco familiares e uma gramática complexa (imagem acima). Seus erros (que somente um espectador russo poderá perceber) não têm o objetivo de ridicularizar o texto ou sua forma, mas ressaltar a incapacidade da linguagem em transmitir as verdades às quais se refere: a leitura das regras de conduta da Igreja aproxima os personagens de Deus ao dramatizar sua distância em relação ao conhecimento verdadeiro. Rublev percebeu que, havendo um vazio de amor, as palavras são meras trombetas. Ou seja, a linguagem nos permite um acesso à verdade, mas é também justamente pelo uso dela que podemos não conseguir alcançar a verdade. A verdade do mundo fez Rublev se calar. O triunfo do sino de Boriska restaura as funções da imagem e da palavra. Ao contrário da maioria dos personagens do filme, tudo que ele fala acontece: quando invoca o nome do pai morto para afastar Andreika, este se vai; quando pede mais prata para o sino ao príncipe, ele recebe. Quando, depois do sino pronto, Boriska confessa seus sentimentos em relação ao pai para Rublev, ele consegue arrancar as primeiras palavras do monge em dezesseis anos. Reza a lenda que o ator que fez o papel de Rublev ficou um mês sem falar antes de filmar a cena, para que encontrasse a entonação correta para alguém que fala depois de um longo silêncio. Rublev está apto a falar novamente, não porque ele encontrou as palavras corretas, mas porque reaprendeu a linguagem das crianças e reconciliou-se com sua inevitável, mas nobre falha. As palavras de Andrei não são auto-suficientes, elas transmitem a intenção do monge em retornar a pintura e encorajar a fundição de sinos por Boriska. Essas palavras são o começo da ação e meramente um barulho que os humanos fazem, ao mesmo tempo meio transparente e opaco. (Roberto Acioli de Oliveira)

A obra do cineasta russo em que mais se faz presente a materialização da arte como algo sagrado que representa a própria fé do homem-artista na humanidade, mesmo com todas as desgraças que devastam o seu povo." (Vlademir Lazo)

"Andrei Tarkoviski possui uma posição inusitada na história do cinema russo. Sem dúvida, ele é o mais expressivo e importante cineasta da Rússia desde a tríade de grandes cineastas da Escola Formativa Russa (Eisenstein, Pudóvkin, Kuleshov), que teve seu auge na década de 20 do século passado. Estudado, amado e laureado fora Rússia, no entanto, em seu país, Tarkoviski foi incompreendido e extremamente censurado. As características de seus filmes não se enquadravam nos preceitos da estética do Realismo Socialista, então pregada como obrigatória na União Soviética. Tarkoviski realizou apenas oito filmes nos seus vinte e oito anos de carreira, desde a data do seu primeiro filme, aos vinte e oito anos, O rolo compressor e o Violinist (1960) ao último, um ano antes de sua morte, O Sacrifício (1986). Este pequeno número de filmes não significa um conjunto pobre de obras, pelo contrário, seus filmes possuem características de dimensões filosóficas, anteriormente, alcançadas somente pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. Um filme que seria a obra prima de Tarkoviski, e síntese de seu modo de conceber uma obra dentro da Sétima Arte, é o fantástico “Andrei Rublev” (1966). No filme, questões filosóficas, tais como a relação dialética entre Artista x Meio e Arte x Sociedade, juntamente com questões de qual a função e constituição do Artista e de da Obra de Arte são desenvolvidas a partir de uma narrativa cinematográfica singular e inovadora. O filme é uma biografia não linear do grande pintor russo Andrei Rublev, que viveu entre os anos de 1360 e 1430. Um período extremamente conturbado da história da Rússia, que sofria com invasões de tribos Tártaras e estava no auge da Baixa Idade-Média. Acompanhamos, ao longo de mais de três horas e meia, a trajetória de Rublev e o surgimento e desenvolvimento de seus anseios e de suas dúvidas sobre a fé (Deus), a sociedade russa e sobre a Arte. Vê-se a tentativa do Artista de compreender o mundo a sua volta, seja nos aspectos históricos e sociais como também artísticos e estéticos, em uma incessante busca pelo conhecimento e pela verdade. A narrativa do filme é bastante interessante e muito inovadora. Ela é estruturada a partir de oito blocos narrativos autônomos, compostos por histórias não lineares a partir da seleção de faixas temporais. Não são narrados exclusivamente momentos da vida do grande pintor russo, pelo contrário, não há o protagonista clássico, do qual a narrativa e os acontecimentos desenvolvem-se a sua volta. Este é um dos pontos inovadores desenvolvidos por Tarkoviski, pois Rublev é um observador -, os acontecimentos desenvolvem-se aquém dele, por isso o filme perde o caráter biográfico e, até mesmo, histórico, pois ambos não são importantes-, o central é a ideia, na sua acepção estética e filosófica do termo. A inovação de Tarkoviski, na estrutura narrativa de “Andrei Rublev”, foi extremamente mal recebida pelo público, pela crítica e pelos políticos soviéticos. Eles alegavam que a narrativa do filme subvertia os dados históricos e a biografia do grande pintor russo. Bradavam ainda que o cineasta desconsiderou a conjuntura materialista histórica dialética e que ainda não se utilizou dos preceitos da estética Realista Socialista, que vinha no seu auge criativo com o cineasta Mikhail Kalatazov através do filme Soy Cuba (1964). Devido a este conjunto de fatores, Tarkoviski foi censurado e execrado pela crítica cinematográfica soviética. No entanto, fora da Rússia, “Andrei Rublev” recebeu diversos prêmios, dentre eles o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes. O filme é ainda considerado um dos mais importantes da história do cinema. A importância e a qualidade do filme “Andrei Rublev” também se sustenta a partir do seu conteúdo e da maneira como Tarkoviski o concebe, dando-lhe uma dimensão que vai além da narrativa, chegando ao nível filosófico. Tarkoviski foi único cineasta, na história da Sétima Arte, no qual a sua obra conseguiu se aproximar, mas não chega, das características do maior de todos os cineastas: o sueco Ingmar Bergman. Ambos os cineastas (um mais, outro menos) intelectualizaram a realidade efetiva e fizeram com que a Arte fosse a expressão máxima dela. Para eles, o mundo é a representação, ou seja, em termos schopenhauerianos, a vontade de representação do Artista, através da sua obra de Arte. O que move esta vontade é a investigação gerada, de acordo com Schopenhauer, por uma necessidade metafísica. O Artista pretende decifrar o enigma do mundo, não pelo conhecimento racional (isto cabe à ciência), mas através da Arte e é justamente isto que Andrei Rublev almeja fazer. Ao longo do filme, Rublev tenta compreender o mundo a sua volta de forma racional a partir dos três pontos de referência que ele possui: a fé, a crença na sociedade russa e a Arte. Contudo, ao longo da narrativa, ele perde a sua crença nestes três pontos, voltando a acreditar somente na Arte, quando conhece o jovem sineiro Boriska, isto no final do filme. A fé de Rublev é abalada no momento em que as questões e as respostas da teologia cristã não conseguem lhe satisfazer o espírito incessantemente interrogativo e contemplativo. Ele fica maravilhado com a pureza e a liberdade de um culto pagão, mas se decepciona, quando cavaleiros, em nome da santa religião, matam brutalmente os pagãos. Sua crença na sociedade e no povo russo é abalada ao presenciar as guerras e as invasões tártaras, na qual um príncipe russo se alia aos tártaros para tomar o trono de seu irmão gêmeo. Por seu turno, sua crença na Arte é abalada no momento em que suas pinturas são destruídas e pelos ciúmes e inveja do seu grande amigo Kiril para com ele. Rublev perde completamente os seus três pontos de referência no momento em que mata um soldado tártaro. Ele havia tirado uma vida, não criado algo-, decide parar de pintar e se isola num mosteiro. Rublev reata a sua crença na Arte, na mais bela cena do filme: A fabricação do sino. Ele observa o modo que o jovem sineiro Boriska fabrica o sino: não aceitando conselhos e, muito menos críticas-, indo apenas com a sua intuição e espírito criativo. Boriska representa o Artista, o Gênio criador. Ele tem a capacidade preponderante de apreender as idéias e a realidade das coisas por intuição contemplativa e puramente objetiva, ou seja, a capacidade criativa. Isto desperta Rublev. O pintor pede para que o jovem o acompanhe: um pintando e o outro fazendo sinos. Em “Andrei Rublev”, Tarkoviski realizou uma obra de profundidade filosófica cheia de questões relacionadas à estética e a metafísica. Através do personagem Rublev há a discussão do papel do Artista na sociedade e a função da Obra de Arte. Tarkoviski realiza o filme a partir de uma metafísica do belo, no qual o conhecimento estético se torna algo que não pode ser comunicado mediante doutrina e conceitos, mas apenas, como salienta Schopenhauer, por meio de Obras de Arte. “Andrei Rublev” é uma das grandes e mais importantes obras da Sétima Arte. Aos que a censuraram, por não ser fiel ao contexto histórico, cabe as palavras de Aristóteles, retiradas do livro V da Arte Poética, sobre a diferença entre a História e Literatura: a primeira narra o que foi, a segunda narra o que poderia ter sido. O filme “Andrei Rublev” narra aquilo que poderia ter sido e, acima de tudo, o que pode ser." (Bruno Rodrigues de Paulo)

1966 Palma de Cannes ” - kaparecida445-2-230390
 
28.
Breaking Wind (2012)
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A comedic spoof based on the worldwide phenomenon, The Twilight Saga. (82 mins.)
Director: Craig Moss
“ "Muito pior que a "saga" que "satiriza". Horroroso!" (Rodrigo Torres de Souza)

"Não que a série Crepúsculo necessite de sátira, mas essa aqui é sem graça ao extremo, além do excesso de flatulência incomodar. Tem uma cena inspirada sobre os personagens sempre iguais do Johnny Depp que salva o filme do desastre total." (Alexandre Koball)

"Octuplamente ruim!" (Josiane K)

''Em 1980, o italiano Ruggero Deodato chocou um grande público no mundo com o filme que tinha acabado de fazer. A censura impediu que sua nova fita de horror entrasse em mais de 50 países, devido à grande controvérsia das cenas. O que o diretor fez foi mostrar, como se tudo fosse filmado com uma câmera de mão, o que ocorreu por trás do desaparecimento de um time que viajou à Amazônia para fazer um documentário sobre as tribos canibais do local. O nome do filme é Holocausto Canibal, onde cenas de assassinatos cruéis são mostradas ao espectador. Ninguém estava preparado para isso. Com o toque de realidade conferido das cenas gravadas com a câmera de mão, toda a história pareceu ultrarrealista. Nasceu aí o subgênero dos filmes de terror, o found footage. Inovação na época, que acabou sendo alçado ao sucesso depois de Bruxa de Blair. Mas atualmente é difícil voltar ao mesmo espanto do início devido ao desgaste do found footage. Bem, o found footage está para os filmes de horror assim como as paródias estão para os longas de comédia. Essa variação da comédia começou bem mais cedo – logo nos anos 40 – e atingiu o seu auge com fitas como Monty Python, Austin Powers e a atual Todo Mundo em Pânico. Logo é visto que o gênero não funciona mais e que ''A Saga Molusco'': Amoitecer", uma paródia feita inteiramente sobre a saga Crepúsculo, não é algo que se deva ver nem para um pouco de divertimento. Num apanhado dos 4 filmes da saga Crepúsculo, vemos a indecisão de Bella (Heather Ann Davis) em querer virar uma vampira, já que esse desejo apenas se realizará quando ela se casar com Edward (Eric Callero). Ao mesmo tempo, ela ainda nutre um forte desejo por Jacob (Frank Pacheco), seu amigo lobisomem. Na tentativa de se divertir às custas do sucesso adolescente, A Saga Molusco se torna algo tão apelativo que é impossível tentar achar o mínimo de humor nas cenas que se seguem. As crescentes insinuações sexuais cobrem o roteiro, deixando A Saga Molusco ser uma paródia de uma paródia, uma coisa tão mal-feita que ela deixa de focar na sua graça inexistente para dar vazão a piadas desconexas, sempre com atenuando a sexualidade dos protagonistas. As mulheres viram prostitutas e os homens, homossexuais. Isso funciona? De modo algum. A sátira vampiresca fica clara, mas até em um filme como Os Vampiros Que Se Mordam os argumentos são melhores para dialogar com as cenas originais. Para um maior desgosto, quando a fita percebe que o erotismo não tem mais graça, eles trazem piadas intermináveis sobre flatulências. Aliás, a tradução do título original (Breaking Wind) é um termo coloquial em inglês para se referir à flatulência. As atuações são tão medíocres e clichês que não se pode falar delas sem um pouco de repugnância. A direção de Craig Moss, o responsável pelo péssimo roteiro, combina com seu trabalho de roteirista. Tudo no filme é podre, começando pela edição de som até as imitações baratas de figurinos e trilha sonora. Ao longo da sessão, além das péssimas tentativas de piada com Crepúsculo e suas continuações, há também a sátira de outros filmes, como Alice no País das Maravilhas, Piratas do Caribe, Avatar, Smurfs, Atividade Paranormal e Edward Mãos de Tesoura. O filme, literalmente e figurativamente, fede. Da pior forma possível. Começando pela péssima tradução do título até as cenas finais, A Saga Molusco mostra a todo momento que não é um filme bom. Vemos isso, primeiramente, porque nos Estados Unidos, país de origem do filme, a fita chega diretamente em DVD, deixando a estreia nos cinemas para pouco menos de cinco países no mundo. Infelizmente, um deles é o Brasil. No fim da sessão, depois de alguns gritos de aleluia dos espectadores, há algumas cenas da internet que foram transferidas com a pior qualidade possível para as telas. Elas mostram alguns fãs de Crepúsculo excitados com a estreia de Eclipse, terceiro filme da saga. Mas o modo que eles nos são apresentados é tão cruel que é repulsivo o sentimento de humilhação por aqueles fanáticos na tela. Para falar a verdade, tudo nesse filme deve ser taxado de repulsivo: começando do pôster, indo para a caracterização e chegando no humor. Craig Moss tenta fazer a saga Crepúsculo parecer pior, e só consegue trazer pena ao espectador. Onde está a diversão, afinal? No humor negro com as minorias? Está aí a prova de que o humor negro das paródias apenas está cavando o túmulo deste subgênero ainda mais fundo. A perda do fio da meada do roteiro transforma A Saga Molusco em milhões de comentários – me recuso a chamar qualquer diálogo do filme de piada – sexuais, foca apenas nesse quesito e esquece que o verdadeiro objetivo é fazer a plateia rir. E não sair no meio do filme, se arrependendo de ter pagado um ingresso tão caro para ver uma sessão onde, diferente de Anjos da Noite 4, nem os créditos valem a pena." (Gabriel Neves)

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29.
The Roommate (2011)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 4.8/10 X  
When college freshman Sara arrives on campus for the first time, she befriends her roommate, Rebecca, unaware that the girl is becoming dangerously obsessed with her. (91 mins.)
 
30.
Catwoman (2004)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 3.3/10 X  
A shy woman, endowed with the speed, reflexes, and senses of a cat, walks a thin line between criminal and hero, even as a detective doggedly pursues her, fascinated by both of her personas. (104 mins.)
Director: Pitof
“ Nem os fãs da personagem conseguirão se satisfazer com essa tragédia.

''Quando as primeiras imagens de ''Mulher-Gato'' foram liberadas, pareciam até piada. Ver Halle Berry, que é uma bela mulher, naquela roupa de couro nada a ver, com chicote, fazendo poses de garotas de programa, infelizmente, já deu para sentir que estava vindo coisa ruim por aí. Só que tantas vezes esse ano eu fui ao cinema esperando tragédias e me surpreendi, até achei que Mulher-Gato pudesse seguir o mesmo caminho, mas dessa vez eu estava correto. O filme não é só ruim. É tenebroso, é uma junção de péssimas escolhas com péssimas alterações, com péssimos plágios, péssimos efeitos especiais... Tenham a noção da tragédia: Patience Phillips é uma publicitária que trabalha em uma firma de beleza de sucesso, prestes a lançar seu grande novo produto. Só que Patience descobre que os produtos de beleza que estão para entrar no mercado causam um grande dano à saúde das pessoas a longo prazo e, por causa disso, acaba morta. Então que um gato mágico, ancestral, desde as épocas egípcias, resolve devolver a vida de Patience que foi retirada, deixando que ela seja a mais nova geração de mulher gato da história, dando poderes especiais (que incluem andar na parede e usar magistralmente um chicote), assim como todas suas ancestrais receberam. Sim, você não leu errado, é isso mesmo: mais e mais gerações de mulheres gato. Imagino uma reunião dos produtores, pensando em uma maneira de deixar a personagem moderninha e que pudesse atrair os mais jovens, fãs ou não, para os cinemas. Para que se preocupar com as origens reais do personagem, como Homem-Aranha fez tão bem em ambos os filmes? Para que se preocupar com uma história se há um orçamento de 100 milhões de dólares para ser gasto em efeitos especiais e outras futilidades mais? Para que se preocupar com o nome real da personagem, Selina Kyle? Para que perder tempo se preocupando essas coisas se eles podem ganhar dinheiro com as pessoas menos exigentes, não é? Para se ter noção do quanto a história é ruim, imagine o grande vilão da trama. Está pensando que é algum monstro emocionante, algum mega vilão dos quadrinhos ou então qualquer ser que possa oferecer perigo a uma mulher gato diferente, cheia de poderes especiais? Você está enganado. O grande vilão da história nada mais é do que o casal de publicitários dono da empresa. Agora eu te pergunto, como duas pessoas de negócios normais poderiam lutar e oferecer perigo a uma heroína (ou quase) cheia de poderes especiais? Aliás, não sabia que gatos andavam nas paredes e manuseavam chicotes tão bem, belo dom que a Mulher-Gato possui, não? As escolhas de Halle parecem que são ainda piores. Além de um desnecessário e ridículo rebolado, só pra dar o tom sexy à personagem, ela ainda imenda algumas das já ruins falas com chiados de gato, transformando em algo ainda pior! Se isso não bastasse, ainda participa de algumas cenas ridículas, realmente constrangedoras, como quando ela brinca com uma bola de lã. Ao retratar o tom ambiguo da personagem, o filme soa ingênuo e desinteressante. Se a personagem principal é tão ruim, os coadjuvantes poderiam fazer algo para tentar salvar o filme da tragédia total, concordam? Pois bem, isso também não acontece. E o que é pior, os coadjuvantes conseguem estar no mesmo nível (inferior) do resto do filme: Benjamin Bratt, que faz o policial Tom pelo qual a Mulher-Gato se envolve, é inexpressivo e desnecessário à trama. Sharon Stone parece que se coloca num pedestal acima, achando que sua personagem é alguma coisa. Onde já se viu uma publicitária brigar com uma heroína de poderes especiais de igual para igual apenas por usar um creme que deixa o seu rosto duro? Lambert Wilson (de Matrix Reloaded) é passivo à toda a história e só serve para ser o dono da empresa, nada mais, pois mesmo que não houvesse o seu personagem, a história não mudaria quase nada, só teriam de arranjar uma solução para Laurel fazer as maldades dela (não duvido que fariam algo ainda pior). Se toda essa legião de personagens ruins não funcionasse, o filme ainda soa como um constante plágio de outras obras. O trailer é totalmente puxado de O Corvo, inclusive com algumas frases iguais, e a trama básica da história é uma cópia descarada do que Coringa (Jack Nicholson) fez em Batman, de Tim Burton. Lembram que o plano dele era espalhar cremes ruins para as pessoas? Pois bem, vem a pergunta: quem dirigiu essa bagunça toda então? O nome do sujeito é Pitof, um ex-supervisor de efeitos especiais metido a diretor. Seus planos são ruins, suas decisões são ainda piores e, quando tenta usar efeitos especiais, deixa tudo ainda pior. Usados em demasia, eles poderiam passar despercebidos ou empolgar se fossem bem empregados, porém eles são feios, destacam o personagem da realidade e não convencem um segundo sequer. Nem como filme de ação vale, uma vez que as cenas de lutas são chatas e desinteressantes, ficando ainda piores pela antipatia que a personagem principal provoca. Não sei se vocês perceberam, mas não toquei no nome de Michelle Pfeiffer uma vez sequer. Seria até covardia comparar as duas ‘encarnações’, pois a adaptação de Tim Burton é infinitamente superior, em todos os sentidos. Acreditem: ''Mulher-Gato'', de tão ruim, acaba sendo até didático, uma boa sugestão para estudantes de Cinema. Após conferir esse desastre cinematográfico, o jovem cineasta tem o consolo, pelo menos, de ter recebido uma autêntica aula sobre como não se fazer um filme. Constrangedor." (Rodrigo Cunha)

''Sim, existe uma proximidade entre felino e feminino. Com dores e belezas. Basta lembrar o clássico Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur. Uma saga de encontros e desencontros com os homens que prossegue até a mulher-gato que Michelle Pfeiffer criou para o segundo Batman, de Tim Burton. O filme "Mulher-Gato" tinha tudo, portanto, para dar sequência à carreira de Halle Berry, após ela ganhar seu Oscar de melhor atriz. Mas tudo saiu ao contrário. Em vez de projetar o mito, a atenção dada à atriz apenas ajuda a enfraquecer a trama raquítica e uma personagem tão chocha que nem as disputas com a vilã Sharon Stone são capazes de salvar. E, no entanto, nota-se: Berry continua bela e boa atriz.'' (* Inácio Araujo *)

"Mais parece um daqueles filmes que parodiam outros. Uma brincadeira de muito mau gosto." (David Campos)

"Protesto! Pois concordo com os pontos levantados por David Campos, mas creio que ele tenha sido muito severo em sua avaliação." (Rodrigo Torres de Souza)

Top 200#45 Cineplayers (Bottom Usuários)

Top 100#01 Cineplayers (Bottom Editores) ” - kaparecida445-2-230390
 
31.
Wuthering Heights (1953)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.9/10 X  
A partial retelling of Wuthering Heights in 19th century Mexico. (91 mins.)
Director: Luis Buñuel
“ ESCRAVOS DO RANCOR

Difícil não pensar num dramalhão maexicano vendo essa versão de Wuthering Heights, por este e Robinson Crusoé Buñuel mostrava-se não se sentir muito à vontade com clássicos literários nas telas. Vale pelo final." (Vlademir Lazlo)

''Luis Buñuel encaixa-se no movimento surrealista do cinema. Os surrealistas tinham como proposta a transformação do mundo, ao invés de sua interpretação. Para eles, a arte não deveria ser uma parcela de nossas experiências, mas uma síntese de todos os aspectos de nossa existência. É possível perceber esse movimento em dois filmes de Buñuel: Um Cão Andaluz e A Idade Do Ouro.
Mas o diretor não realizou apenas filmes inseridos na estética surrealista. Durante os anos 50, passou um tempo filmando no México e fazendo filmes mais comerciais. "Escravos do Rancor" faz parte desta fase mexicana do diretor, ao lado de filmes como Os Esquecidos, O Alucinado, Robinson Crusoe e outros. Mas "Escravos do Rancor" não é um filme que referencia a obra de Buñuel. Comparado com Os Esquecidos, por exemplo, é um filme fraco: foge da característica do diretor de fazer o espectador refletir após assistir a obra. A trama do filme gira em torno de um filho adotivo que era rejeitado quando criança, e volta, já adulto e rico, para vingar-se daqueles que o tratavam mal. Ele também pretende conquistar o amor de sua irmã, que já está casada. Os personagens intercalam uma paixão brutal com o desapego e a indiferença. Em alguns momentos tem-se a impressão de que o amor é tudo em suas vidas, já em outras sequências o que parece é que o que realmente importa é o egoísmo de cada um, o fato de botarem-se sempre em primeiro lugar. É possível afirmar que "Escravos do Rancor" foi uma pequena queda na filmografia do diretor, já que antes deste filme, ele já tinha feito obras brilhantes e intrigantes." (Carolina Klautau)

{Curto e cheio de tédio é o tempo de nossa vida} (ESKS) ” - kaparecida445-2-230390
 
32.
Cannibal Holocaust (1980)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.0/10 X  
During a rescue mission into the Amazon rainforest, a professor stumbles across lost film shot by a missing documentary crew. (95 mins.)
Director: Ruggero Deodato
“ HOLOCAUSTO CANIBAL

"O problema nem é a matança dos animais (El Topo também tem, e é obra-prima), ou o jeitão amador (que no máximo lhe garante algum charme), mas é mal-filmado a beça, sem falar na trilha sonora breguissima." (Vlademir Lazlo)

"Holocausto Canibal é um filme de horror a serviço do mais certeiro e cruel realismo, é materia-prima de sua própria experiência e um dos mais impiedosos e bem executados exercícios de metalinguagem/manipulação que o cinema já conheceu. Ame-o ou deixei-o." (David Campos)

É considerado o filme mais controverso de todos os tempos (eu, particularmente, não acho!).

Gravado no Amazonas e na Colômbia, no final dos anos 70.

"Perturbador, nauseante e brutal. Este filme ímpar, é um soco no estômago das pessoas que não estão preparadas para o assistir. Ruggero Deodato dirige esse shockumentarie sobre uma tribo que virou canibal. O cenário? A floresta amazônica. O filme conta a história de quatro documentaristas de tribos indígenas, que embrenham-se na selva para filmar os indígenas. Dois meses mais tarde, depois que o grupo não retorna, o famoso antropólogo Harold Monroe viaja em uma missão de resgate para encontrá-los. Ele consegue recuperar as latas de filme perdidas, que revelam o destino dos cineastas desaparecidos. Consequências: Ruggero Deodato recebeu um mandato de prisão, acusado de assassinatos em primeiro grau e crueldade com animais. Ele se livrou da primeira acusação, quando, os atores do filme apareceram em público e disseram estamos vivos. Tudo isso aconteceu por conta do contrato dos atores, onde estava expresso que eles teriam que sumir por um ano, uma forma de marketing para o filme. Ao longo de quase uma hora e quarenta minutos de filme, presenciamos cenas de canibalismo extremamente real, uma violência gráfica nunca antes vista no cinema. De fato, é um filme para pessoas de estômago forte. Também não é um filme muito fácil de se encontrar, existe apenas um site da internet que tem uma cópia para assistir on-line. Obs: Atenção para a cena em que o Dr. Monroe come o fígado de um dos índios. É bastante realista." (R. Junior)

''Quase vinte anos antes de A Bruxa de Blair, o cineasta italiano Ruggero Deodato já introduzia a ideia de um documentário fictício, divulgado de modo que a audiência não tinha como discernir seguramente os elementos encenados daqueles que eram reais. O alto nível de realismo de algumas cenas (tendo em vista os padrões da época) somado ao contrato feito com o elenco do filme proibindo a aparição destes em qualquer meio de comunicação, fez com que a película fosse confiscada dez dias após sua estreia e que o diretor fosse preso, sob a acusação de estar produzindo e divulgando filmes de snuff (filmes em que indivíduos são mortos de verdade para fins de entretenimento e lucro) . Com muito esforço Deodato conseguiu provar que nenhum ser humano foi morto ou ferido durantes as filmagens. É isso mesmo, nenhum ser humano, pois, de acordo com Deodato, sete animais foram mortos durante as filmagens, sendo que seis dessas mortes aparecem detalhadas no decorrer da história! O próprio diretor se diz arrependido destes atos, que se mostram ainda mais incoerentes tendo em vista o principal alvo de sua crítica: A incessante busca da mídia por sensacionalismo barato, passando por cima de quaisquer valores éticos ou morais. O filme narra simultaneamente dois eventos consecutivos: A história de quatro cinegrafistas norte-americanos desaparecidos durante um documentário sobre tribos canibais na região amazônica e as descobertas da expedição enviada para o resgate. Uma terrível verdade vem à tona quando o líder da expedição, o antropólogo Harold Monroe (Robert Kerman), decide assistir ao conteúdo dos rolos de filme recuperados na floresta. O interessante conceito de found footage (filmagem encontrada), até então inédito em filmes do gênero, é enormemente prejudicado por atuações sofríveis e momentos desnecessariamente extensos de violência sexual e contra os animais, tendo em vista que esta última, como já fora enfatizado anteriormente, infelizmente aconteceu de verdade. Apesar da iniciativa louvável de relativizar os conceitos da dicotomia entre selvagem/civilizado, certo/errado, a representação estética e comportamental das tribos indígenas é tão caricata, que mais se assemelha a um aglomerado de indivíduos dementes balbuciando sílabas desconexas do que a sociedades dotadas de organização, idioma e leis próprias. Tal representação seria viável em um filme com viés cômico, mas todas as evidências indicam que não era essa a intenção do diretor. A inconsistência se reflete até mesmo na trilha sonora, que alterna um belo tema principal com momentos em que parece que o compositor gravara uma criança de quatro anos se divertindo com um sintetizador. São inegáveis as contribuições de ''Holocausto Canibal'' não só com o gênero de filmes exploitation como com o próprio universo do horror, mas tais contribuições dizem muito mais respeito às idéias introduzidas no filme do que ao modo como ele foi feito. A inventividade fez do filme um clássico, mas a execução impediu que se tornasse uma obra-prima." (Boca Do Inferno) ” - kaparecida445-2-230390
 
33.
The Sun Also Rises (1957)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.3/10 X  
A group of disillusioned American expatriate writers live a dissolute, hedonistic lifestyle in 1920's France and Spain. (130 mins.)
Director: Henry King
“ ''O último encontro entre o diretor King e Power foi em 1957, quando fizeram E Agora Brilha o Sol (The Sun Also Rises), adaptação de um famoso livro de Ernest Hemingway sobre a chamada geração perdida. O papel dele era ingrato, um homem que perdeu os órgãos sexuais por causa de ferimentos na guerra e por isso não pode realizar o amor por Ava Gardner. A fita é famosa também por trazer Errol Flynn num papel diferente e muito próximo de sua vida real, como um alcoólatra mulherengo que se mete com touros e farras nas ruas de Pamplona, na Espanha. Este foi o antepenúltimo filme de Power." (Rubens Ewald Filho) ” - kaparecida445-2-230390
 
34.
The Green Mile (1999)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 8.5/10 X  
The lives of guards on Death Row are affected by one of their charges: a black man accused of child murder and rape, yet who has a mysterious gift. (189 mins.)
Director: Frank Darabont
“ "Interminável. O milagre do título é o filme acabar. Mas bem feito e bonito, apesar do suplício das 3h10 de duração." (Demetrius Caesar)

{Chuta que é macumba} (ESKS)

''Paul, um chefe de guarda do corredor da morte recebe em suas celas um prisioneiro enorme. Ele foi preso acusado de estuprar duas jovens, mas conforme o relacionamento entre os dois vai se aprofundando, Paul percebe que o acusado pode ser muito mais do que as aparências sugerem. Comecemos do seguinte: acho muito difícil um livro baseado na obra de Stephen King não dar certo. Não foi diferente com esse caso, entendendo que não estou falando de ser fiel ou não a obra original, mas a ser uma ótima fonte de inspiração. A pegada sobrenatural pode incomodar algumas pessoas, mas seu desenvolver tocante que trabalha tantos pontos, como: injustiça, racismo e preconceito, sistema carcerário e medos, faz com que as mais de 3 horas de filmes passem levemente como se fosse 1h30. Tom Hanks merece parabéns, mas a sensação, sem dúvida alguma é Michael Clarke Duncan que, com todo aquele tamanho, consegue passar os sentimentos e medos de uma criança, uma sensibilidade digna de alguém que pareça visivelmente frágil e delicado. Ainda não viu esse filme por quê mesmo?" (Critica em Cena)

Top 250#63

Top 200#45 Cineplayers (Usuários)

72*2000 Oscar / 57*2000 Globo

Soundtrack Rock = Billie Holiday ” - kaparecida445-2-230390
 
35.
Long Live Death (1971)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 6.9/10 X  
At the end of the Spanish civil war, Fando, a boy of about ten, tries to make sense of war and his father's arrest... (90 mins.)
Director: Arrabal
“ VIVA A MORTE ” - kaparecida445-2-230390
 
36.
Dark Tide (2012)
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 4.3/10 X  
A professional diver tutor returns to deep waters after 1 year, following an almost fatal encounter with a great white shark. The nightmare from the deep is still lurking - more carnivorous and hungry than ever. (114 mins.)
Director: John Stockwell
“ ( 359 ) MARÉ NEGRA

"Na época do lançamento do péssimo Mulher-Gato, Halle Berry foi bastante criticada pela participação na produção, incluindo sua performance bastante irregular. Indicada ao Framboesa de Ouro, prêmio para os piores filmes e atores/atrizes do ano, Berry surpreendeu ao aparecer na cerimônia, algo bastante incomum quando um astro hollywoodiano recebe indicações a ele. Ao subir para receber sua estatueta, a atriz fez um protesto contra seu agente pela escolha ruim de trabalhos como esse. Se fizermos uma análise de sua carreira a partir daí, veremos poucos filmes bons como A Estranha Perfeita ou X-Men 3 e, mais uma vez, o fundo do poço com Maré Negra (Dark Tide, 2012). Será que a atriz mudou de agente ou está conformada de suas limitações? Já foram feitas tantas produções com o tema tubarão assassino que é difícil algum filme surpreender. Depois do clássico de Spielberg, o tema foi revisitado diversas vezes, em continuações desnecessárias e tranqueiras como Terror na Água, salvando-se algumas boas ideias (Do Fundo do Mar, Mar Aberto), num oceano de clichês e ideias ruins. Quando surgiram as primeiras notícias sobre Maré Negra, o público já imaginava que coisa boa não viria daí, mas ainda poderia dar algum crédito pela participação de Halle Berry e do francês Olivier Martinez, conhecido pelo seu papel como o amante de Infidelidade. Ralph Brown também é um rosto conhecido para os fãs de Alien 3 e Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma e para aqueles que engoliram Exorcista – O Início, entre outros inúmeros trabalhos. Na direção, era apontado o nome de John Stockwell, que sabe fazer filmes com câmeras submersas como Turistas, Mergulho Radical e A Onda dos Sonhos, tendo apenas que adaptar o roteiro de Ronnie Christensen (Passageiros) e Amy Sorlie, em seu primeiro longa. Ainda assim, realmente não dava para acreditar que algo bom podia sair de uma trama que relacionava tubarões, um episódio trágico, medo de mergulhar e um relacionamento conturbado, simplesmente com o belo corpo da protagonista como motivo para uma conferida! Kate Mathieson (Berry) é uma mergulhadora profissional que adquiriu destaque por ter nadado com grandes tubarões brancos. Além de fazer os mergulhos sem jaula ou equipamento de respiração, ela chama a atenção pela ousadia em passar as mãos nos animais e até mesmo segurar em suas caudas. Com sua fama, ela está desenvolvendo um documentário sobre o tema, com a ajuda de seu namorado e cinegrafista Jeff (Martinez), e de seu mentor. Durante as filmagens, este último é atacado e morto por um tubarão, fazendo-a se sentir culpada e passar a ter medo de entrar na água. Um ano depois do ocorrido, Kate apenas realiza pequenas excursões na Cidade do Cabo, na África, enquanto tenta pagar suas dívidas cada vez maiores, perdendo espaço para um barco concorrente. Ela recebe uma proposta do empresário Brady (Brown) para um novo mergulho com tubarões, algo que poderia solucionar seus problemas financeiros. Além de ter que decidir o que fazer, ela ainda é surpreendida pelo retorno de seu agora ex-namorado, que tenta convencê-la a aceitar esse último trabalho. Kate concorda desde que o passeio aconteça onde ela quer e com o auxílio de uma jaula para proteção. Assim, Kate, com Jeff, o piloto do barco, Brady e seu filho, partem para a missão, que a colocará novamente frente a frente com seus maiores medos. Não há muito mais o que dizer sobre "Maré Negra". O filme ainda se esforça para colocar uma grupo de nadadores e futuros cadáveres, mas é tudo em vão. Tão chato quanto um documentário sobre a vida das lagostas, o filme não vai além do que a sinopse propõe, resumindo-se a cenas longas de mergulho onde nada acontece até surgir um ou outro ataque que só vai atiçar os bocejos do público. Algumas brigas internas, o estado terminal do empresário (se ele morrer, você não vai sentir pena) e uma morosidade capaz de deixá-lo mareado. Por todas essas e muitas outras, "Maré Negra" não merece recomendação alguma. Em caso de falta de opção, veja Procurando Nemo ou quem sabe até mesmo A Pequena Sereia, muito mais assustadores do que esta porcaria." (Marcelo Milici)

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Date 12/10/2013 ” - kaparecida445-2-230390